Casas Demolidas – Rua Frei Caneca

Depois do despreparo que é marca registrada dos governantes paulistanos, o segundo maior mal que aflige a cidade sem dúvida é a especulação imobiliária.

Em um momento em que terrenos estão cada vez menos disponíveis na região central da cidade, mais surpreendente são as ações de incorporadoras e construtoras em aumentar o potencial construtivo. Até mesmo edifícios pequenos sucumbem ao dinheiro, tal qual aconteceu com o Edifício Nicolau Schiesser, na rua Augusta.

A destruição desta vez nem foi tão longe do prédio citado, ficando apenas algumas centenas de metros de distância. Trata-se destes dois sobrados geminados:

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Localizadas nos números 462 e 466 da rua Frei Caneca, na Bela Vista, esses dois sobrados antigos foram demolidos em períodos diferentes. Enquanto o primeiro veio abaixo no final de 2014, o segundo, na esquina, começou a ser demolido na semana passada.

A demolição de ambos é acompanhada de outros quatros sobrados do início do século 20 que estavam localizados ao lado destes, na vizinha rua Dona Antônia de Queirós.

Foto: Marcelus G. Zalotti (clique para ampliar)
Foto: Marcelus G. Zalotti (clique para ampliar)

Apesar de ainda haver o famigerado potencial construtivo na região, é visível que a infraestrutura das ruas Augusta e Frei Caneca não comportam mais edifícios. São vias antigas e estreitas cada vez mais saturadas de trânsito. Creio que é hora da CET começar a estudar a possibilidade de estabelecer mão única na Rua Augusta, em sentido oposto a Frei Caneca.

Abaixo, mais imagens da demolição:
Crédito das fotografias: Marcelus G. Zalotti

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11 respostas

  1. Mais prédios, que pena. Casas simples mas com bonitos detalhes, colunas, vitrais, grades trabalhadas. E junto desaparecem a antiga placa da rua e a plaquinha do “subdistrito”.

  2. O que a especulação imobiliária faz com a cidade é um crime. Em qualquer outra grande cidade do mundo estes sobrados e outras áreas residenciais estariam a salvo do apetite insaciável das construtoras.

    1. Mas infelizmente isso acontece porque, a cada prédio que sobe na cidade, um especulador imobiliário e um político enchem os bolsos de dinheiro.

  3. O casarão do número 351 da Frei Caneca (antiga residência de Niicolau Filizola, grande industrial paulistano da primeira metade do século XX) está sendo demolido com o aval da prefeitural (eles têm alvará). Me pergunto se esse é o conceito de cidade linda da atual administração. Eu sinceramente esperava que eles iriam cuidar da cidade melhor do que seus antecessores.

    1. Herbert, se eles tem autorização é porque o imóvel não é tombado. Então a demolição – infelizmente – é legal.
      Mas é leviano culpar a atual administração, quando na verdade a culpa é das anteriores. O imóvel pode levar décadas para ser tombado e se não foi não há como impedir.
      As duas gestões anteriores Haddad e Kassab eram inimigas do patrimônio histórico. A atual ainda não dá tempo de avaliar.

      1. Em primeiro lugar, obrigado pela resposta e parabéns pelo site. Continue com o ótimo trabalho!

        Não houve leviandade no meu comentário, embora quem queira possa compreender assim. Houve, outrossim, de minha parte, uma grande decepção com a repetição anunciada do desastroso descaso com a nossa memória arquitetônica. Estou errado em me sentir contrariado com a incongruência de um governante que propagandeia micro-ações de zeladoria enquanto deixa nosso patrimônio histórico ao Deus dará, como o fez seu antecessor – a quem Dória justa e duramente critica? Acho que não.

        O prefeito tenta punir quem pratica pequenos atos de vandalismo mas não toma qualquer ação para coibir os grandes atos de vandalismo, como o é a destruição de um dos poucos casarões antigos que restam na Frei Caneca. Desconhece a cidade e não se importa com ela, como denota sua proposta de “flexibilização” do Plano Diretor corrente. Mas divago,

        O alvará (concedido já sob a atual gestão) poderia ter sido indeferido, para que se dê tempo ao estudo que poderia levar ao tombamento do imóvel. Não ocorreu – e o mesmo se deu (como, e deixo aqui o comentário para que não se pense ser eu um mero antagonista do atual prefeito) na gestão passada com os sobradinhos da Frei Caneca com D. Antônia de Queiros.

        Há ainda espaço para que se critique a gana com que a memória material da cidade é consumida, virando produtos para comercialização. As portas, janelas e outras partes do casarão já estão sendo vendidas como “material/produto de demolição”. E para julgar a moralidade dessa capitalização de um patrimônio arquitetônico-urbanístico não é necessário consultar alvarás ou olhar administrações: independentemente de prefeito ou gestão, não há pudor em fazer um trocado com a liquidação do antigo. Creio que nisso podemos concordar.

        Novamente obrigado e um grande abraço.

        1. Vim justamente procurar sobre a demolição do 351 da Frei Caneca. Acho que o sítio está devendo uma matéria sobre. E Herbert, parabéns pelo comentário.

  4. Um sonho?
    Seria morar em uma construção dessas!

    Que triste que infelizmente foi demolidas.

    Ainda bem que existem fotografias pra ficar na memória, e ainda bem mil vezes que existe esse site!

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