Residência de Eloy Gomes

A especulação imobiliária em São Paulo não dá sossego ao patrimônio arquitetônico da cidade. Simplesmente não passa uma semana que não recebemos aqui no site ou em nossas redes sociais denúncias de imóveis antigos em risco de demolição ou mesmo que já foram demolidos, sem tempo de podermos prestar qualquer tipo de auxílio.

Recentemente fomos contatados por uma leitora do site que nos alertou que um sobrado centenário, recentemente vendido, corre sério risco de ser demolido por seus novos proprietários.

Crédito da foto: Estela Alves

Localizada na Rua Visconde de Ouro Preto 118 (antigo número 11), na região da Consolação, este imóvel foi construído para servir de residência a Eloy Gomes, comerciante da capital paulista atuante no ramo farmacêutico.

O terreno onde posteriormente seria construída a residência foi adquirido em 27 de janeiro de 1919 conforme atesta a nota abaixo, publicada no dia seguinte no jornal Correio Paulistano:

O projeto e construção da casa ficou por conta da empresa Companhia Financiadora Predial responsável por um bom número de projetos arquitetônicos em São Paulo nas três primeiras décadas do século XX. Os trabalhos foram iniciados e concluídos no mesmo ano de 1919.

Eloy Gomes era uma figura da classe média paulistana, comerciante no ramo farmacêutico, sendo além disso gerente da Companhia Paulista de Drogas uma entidade também do mesmo ramo. Posteriormente Gomes foi fundador, diretor e finalmente conselheiro fiscal do Banco Noroeste, já extinto. Ao pesquisarmos sobre ele também encontramos uma nota curiosa sobre um atropelamento que sofreu na Rua Augusta no ano de 1925.

Uma vez construído o sobrado é seu lar até seu falecimento. De acordo com nota publicada no extinto jornal Correio Paulistano, Gomes faleceu em 1 de fevereiro de 1941 e seu cortejo rumo ao Cemitério da Consolação saiu desta mesma casa.

Após o falecimento de Eloy Gomes a casa ainda serviu de residência para sua viúva, Maria Lemes Gomes, e posteriormente para seus filhos. Apenas muitos anos mais tarde o imóvel passou a ser locado, tendo a partir deste momento uma grande variedade de usos, majoritariamente comerciais. O último ocupante do espaço foi o Centro de Cidadania LGBT Luiz Carlos Ruas.

Com a saída deste último inquilino o sobrado foi colocado à venda e, de acordo com o testemunho de vizinhos, adquirido por uma empresa bem conhecida do ramo de transporte de valores. O objetivo deles seria descaracterizar ou demolir a construção centenária para erguer uma nova edificação, o que gerou indignação dos moradores da Rua Visconde de Ouro Preto.

2011
2016

Os moradores então se mobilizaram e entraram com um pedido de tombamento ao Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo – CONPRESP –que já se encontra em estudo.

No entanto sabemos como esses pedidos são estudados com uma certa morosidade pelo órgão, o que tornou necessário a criação de uma petição pública para auxiliar a acelerar este processo, tão importante para o patrimônio paulistano. Nós aqui do São Paulo Antiga assinamos e convidamos a nossos leitores e seguidores a assinar, basta clicar aqui.

Estaremos acompanhando o caso de perto e traremos novidades à medida que forem surgindo.

Veja abaixo fragmentos da planta do imóvel (clique para ampliar):
Fonte: Arquivo Histórico Municipal de São Paulo – pesquisa realizada por Estela Alves

Bibliografia consultada:

* Correio Paulistano – Edição de 28/01/1919 – pp 1
* Correio Paulistano – Edição de 07/06/1927 – pp 13
* Correio Paulistano – Edição de 04/04/1925 – pp 5
* Correio Paulistano – Edição de 02/02/1941 – pp 6

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9 respostas

  1. Excelente ideia de fazer um abaixo assinado. Deveríamos fazer isso com mais frequencia

  2. Eu conheço bem ali, pois morei uns tempos na rua Marquês de Paranaguá, ali na frente, é a rua da delegacia, do Parque Augusta… adoro aquela região. Parabéns pela matéria, Douglas!

  3. Vejam se o Patrimônio Histórico pode impedir isso o quanto antes. A planta é de uma casa de dimensões sem excessos toda devidamente bem distribuída em suas peças. Se desse, eu moraria nela.

  4. Interessante que eu pensei que, pelas cores, o imóvel estaria abrigando um escola infantil…
    Também na nota do atropelamento, a casa aparece como número 01.

  5. Casa Não é do povo é da familia ela decide o que fazer, boomers preso no passado muito cringe

    1. Essa vergonha é no débito ou crédito? Por favor, não é questão de preso ao passado e sim de preservar o passado para garantir o futuro.

  6. Pobre Eloy: além de atropelado teve batida a carteira! Devemos poupar-lhe a casa, pelo menos.

  7. Deveria haver um acordo entre os proprietários e os órgãos competentes, quando em prédios comprovadamente históricos, para que fossem preservados, caso contrário, como vai ficar a memória?

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