Residência de Miguel Calógeras / Colégio N. Sra. do Loreto

Um dos bairros mais retratados aqui no São Paulo Antiga é Campos Elíseos. Primeiro bairro planejado da capital paulista, foi ali que a elite estabeleceu-se no final do século 19 nos loteamentos criados por empresários europeus, mas notadamente o alemão Victor Nothmann e o suíço Frederico Glete. O bairro também abrigou por um longo período o palácio do governo estadual, até que este transferiu-se em definitivo para o Morumbi.

Se num primeiro momento o bairro caracterizou-se como moradia da elite cafeeira paulista, aos poucos começou a mudar e receber outras atividades, como instituições de ensino. Foram pioneiras em Campos Elíseos o Liceu Coração de Jesus (ainda em pleno funcionamento) e o extinto Colégio Azevedo Soares, sendo que posteriormente ainda tivemos o Colégio Stafford (atual Museu da Energia) e a Escola Estadual João Kopke.

E o imóvel da região que abordaremos aqui hoje também foi escola, sendo que antes serviu de residência. Vamos a ele!

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Construído nos primeiros anos do Século XX este palacete localizado no número 444 da Alameda Glete foi inicialmente residência de Miguel Calógeras, importante diretor da Companhia Carris de Ferro de S.Paulo (1886-1900) que criou e administrou o Tramway de Santo Amaro. Posteriormente a Carris foi comprada pela Light & Power.

Calógeras tinha uma boa vizinhança, pode-se dizer, tendo a sua direita o Palácio do Governo do Estado de São Paulo e do outro lado da rua, bem diante de sua casa, o industrial Jorge Street, conhecido pela sua Fábrica de Tecidos da Juta e a Vila Maria Zélia.

Embora não tenha sido possível descobrir quando Miguel Calógeras deixou de morar no palacete, sabemos que em 1938 ele ainda residia no imóvel, conforme atesta o Livro Vermelho dos Telefones daquele ano.

Após Calógeras deixar o imóvel ele foi alugado para uma instituição de ensino, passando ali a ser o Colégio Nossa Senhora do Loreto. A escola, administrada por freiras, operou no imóvel por várias décadas até o início do Século XXI, quando encerrou as atividades.

Durante o período que o colégio esteve neste palacete os terrenos laterais receberam a construção de novos prédios para abrigar mais alunos, sem que isso interferisse na preservação do bem.

Fachada do palacete no período do colégio (Crédito: Facebook Col. N.Sra do Loreto / Divulgação)

Após a saída do Colégio Nossa Senhora do Loreto foram vários os inquilinos a ocupar o imóvel desde o ano de 2010. Passaram por lá o Colégio Islâmico Brasileiro (2011-2013, atualmente no Pari), o Complexo Educacional Campos Elíseos (2014-2017) e nos últimos anos funciona lá o Instituto Brasileiro de Transformação pela Educação (IBTE).

Tombado como patrimônio histórico paulistano o palacete e um de seus anexos mais antigos (à esquerda no lote) estão em bom estado de conservação. A área pertence à Associação Caritativa da Sagrada Família.

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2 respostas

  1. Eu trabalhei no Colégio Campos Eliseos, desde 2014 (qdo era outro nome), em 2015, qdo o imóvel estava vazio, após o colégio islâmico ter saído, abriram um vão entre o prédio (rua conselheiro nébias) q eu trabalhava e o imóvel tombado
    É lindo, bem conservado, uma das salas que servia p biblioteca, tinha assoalhos originais e afrescos nos tetos, um pé direito altíssimo
    Foi anexado ao palacete um elevador do térreo até os outros andares (q se não me engano, são mais 2), para cumprir a acessibilidade no colégio (não foi o q eu trabalhava, deve ter sido de um dos colégios anteriores)
    Realmente um patrimônio que valeu muito a pena ter conhecido.

  2. Incrível como o bairro dos Campos Elísios foi doapogeu à decadência em pouco mais de um século, reflexo das transformações sociais pelas quais São Paulo passou nesse período.

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