A rua Santa Ifigênia, no Bairro da Luz, é um dos endereços mais agitados da capital paulista. Conhecida por ser o principal pólo de compras de produtos de informática do país, é também um endereço repleto de construções históricas notórias, a grande maioria delas oriundas do final do século 19 e início do século 20. Época em que a região era também muito agitada e pulsante, em virtude estar muito próxima da importantíssima Estação da Luz, à época o grande eixo de ligação entre São Paulo com o interior do Estado, o Brasil e o mundo.
Grande parte dos edifícios e casas históricos do bairro ainda permanecem de pé. Embora muitos deles mal conservados e vários até fechados, ainda é possível encontrar muitos em excelente estado de conservação, não só funcionando normalmente mas completamente preservados. Um destes bons exemplos, e que citaremos aqui é o Palacete Helvetia:
Localizado na esquina das ruas Santa Ifigênia e Aurora, o Palacete Helvetia foi inaugurado em 1923. Tal qual seu vizinho, o Palacete Lellis, ele é oriundo da época áurea da região da Luz, quando os hotéis mais luxuosos e bem frequentados da cidade ficavam por ali.
Por muitos anos o prédio foi hotel nos andares superiores e no nível térreo sempre houve destinação comercial. Um dos hotéis que por muitos anos funcionou no palacete foi o Hotel Luanda.
Trata-se de uma magnífica construção paulistana cuja arquitetura nos impressiona pela beleza e os detalhes.Por toda sua fachada há inúmeros elementos decorativos e no frontão é possível avistar o nome do palacete, o ano de construção e a tradicional cruz helvética. Para mostrar o edifício com pouca interferência, uma vez que a via é lotada durante os dias úteis, optamos por fotografá-lo em um domingo cedo (veja a galeria no final deste artigo). O edifício está muito preservado e a única coisa que talvez incomode é o aparelho de ar condicionado do lado externo da construção.
Veja mais fotos do palacete (clique na miniatura para ampliar):
A DECADÊNCIA DE UMA REGIÃO:
A charmosa região da Luz aos poucos foi se modificando. Com o crescimento da cidade no decorrer do século 20 e a diversificação dos transportes, o bairro foi deixando de ser interessante como área residencial e hoteleira passando a ganhar cada vez mais uma conotação de bairro de comércio. Contudo, a transformação da região não foi totalmente tranquila e pontos de deterioração começaram a surgir no bairro, especialmente com a popularização da extinta rodoviária que ficava na Avenida Duque de Caxias. Por todas as ruas surgiam edifícios abandonados, cortiços e também um aumento na criminalidade. A região começou a desvalorizar.
Em 1986, o então Prefeito Jânio Quadros tinha um plano polêmico para região. Revitalizar a área não através da recuperação de imóveis históricos, mas com a demolição dele para dar lugar a novos e modernos espigões e chegou até a convidar o arquiteto Oscar Niemeyer para planejar a “Nova Luz”. Porém os planos do prefeito de destruir a história do bairro foi impedida por uma resolução do CONDEPHAAT, que em de 17 de março de 1986 tombou 47 imóveis no Campos Elíseos e 106 na região de Santa Ifigênia. O estudo já vinha desde 1982.
Desde então discute-se uma politica de recuperação da região e até hoje, passadas mais de duas décadas, a região ainda carece de uma verdadeira reestruturação. Nota-se que a iniciativa chamada “Nova Luz” de nova não tem nada e já quase não dá pra contar nos dedos as administrações municipais que entram e saem e não resolvem o problema do bairro.
Pelo menos o Palacete Helvetia segue como um dos poucos oásis que existem no deserto que é a preservação da memória de nossa cidade. Parabéns aos proprietários!
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