Quando visitamos algum bairro paulistano temos por regra ao fotografar uma casa, estender a pesquisa e catalogação para a rua toda onde ela se localiza. E por isso muitas vezes, ao pesquisar um imóvel, acabamos por descobrir outros ainda mais interessantes na mesma localidade.

É o caso destas casas que encontramos na Rua Teixeira Leite, por ocasião da ida para fotografar outras desta via que podem estar em risco.

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Localizadas nos números 261 e 263 estas duas residências geminadas são do início do século vinte e são exemplos das construções residenciais de estilo simplório que era – e ainda são – bastante comuns na região da Liberdade conhecida como Baixada do Glicério. Casas como estas podem ser vistas em uma quantidade até que razoável em ruas como a Rua dos Estudantes e suas cercanias.

No caso dessas, chama a atenção o bom estado de conservação em que elas se encontram, apesar de alguns poucos vidros quebrados. Todas as características originais dos imóveis estão ali preservados, tais como as esquadrias de madeira das portas e janelas e as janelinhas de ferro sobre as portas. De alteração visível, apenas os respiros de porão foram suprimidos, o que é compreensível em uma rua que não é raro alagar.

Na foto placa da UCRAN

Na casa de número 263 chamou a atenção a placa que reproduzimos na imagem acima. Apesar de em nenhumas de nossas visitas à rua termos observado movimentação nos imóveis, ali parece ser – ou ter sido – sede da União dos Cantadores Repentistas e Apologistas do Nordeste (UCRAN).

A região da Baixada do Glicério é bastante decadente e recebe muito pouco atenção do poder municipal, sendo uma área costumeiramente alvo de enchentes, falhas na coleta de lixo e, de acordo com moradores, bastante insegura. Resta torcer para que estas preciosidades sem mantenham preservadas.

As portas são originais e estão bem conservadas

Nota:
*1 – Infelizmente notícias sobre a UCRAN são escassas na internet, caso alguém tenha alguma informação entre em contato conosco. Este artigo será atualizado caso alguma nova informação seja descoberta ou enviada.

Sobre o autor

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, é presidente do Instituto São Paulo Antiga e membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP).

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Comentarios

  • Antonio Costa 05/01/2021 at 15:54

    Rua Nioac
    Rua Sinimbu

    Se concentre nestas duas e achara varias casas de rua pre guerra

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  • dalva maria ferreira 05/01/2021 at 15:58

    Bacana, Douglas. Feliz 2021!

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  • Yara 05/01/2021 at 17:03

    O Glicério e o Cambuci são ricos em construções antigas, algumas bem preservadas e outras no total abandono, o Glicério é um local nem um pouco seguro..infelizmente a prefeitura tem pouco interesse em manter a história da sua própria cidade.

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    • Luiz Henrique 06/01/2021 at 18:18

      Sim, esse local, infelizmente, dá medo!!!

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  • resiak74 05/01/2021 at 19:05

    Quando vi o post sobre a rua Teixeira Leite logo pensei: será que é a casa da plaquinha da UCRAN? Passava de ônibus ali nos anos 80 e essa plaquinha sempre me chamou a atenção. E parece que a placa é a mesma! Infelizmente não tenho maiores informações sobre a entidade.

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    • Luiz Henrique 06/01/2021 at 18:17

      É…se você passava ali nos anos 80 e a equipe não percebeu movimentação na casa, então, é muito provável que o imóvel esteja vazio mesmo e as placas ficaram…

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  • Magali Martucci 06/01/2021 at 08:07

    Não canso de admirar e de aprender com vocês, que preciosidade é o SP Antiga!!!
    Trabalho importantíssimo que deveria receber todo apoio do governo municipal, de instituições do setor de ensino, do setor privado e espaço na mídia, afinal realizam uma valorosa documentação.
    Mais uma vez parabéns!
    E um Bom Ano Novo!

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  • María Inês Teixeira de Mendonça 06/01/2021 at 09:53

    Quando tempo essa porta levará para ser transformada em algum móvel em madeira de demolição é uma boa pergunta.

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  • Diego Pacci 06/01/2021 at 11:10

    Nossa que lindas essas casas. Me fez lembrar as que foram demolidas aqui na Av. Pompéia no fim de 2019. Era um conjunto de casa que agora dá lugar a um stand de vendas e um futuro condomínio de luxo. Pena que essas casinhas (e a nossa história) não tem importância para o poder público.

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  • Elis Santos 06/01/2021 at 23:12

    Nossa, eu morei nessa rua no final dos anos 70, se não me engano no número 72, tenho boas recordações

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  • moblog711 07/01/2021 at 12:48

    UMA CARACTERÍSTICA IMPORTANTE DESSAS CASAS APARENTEMENTE FOI ALTERADA: A VENTILAÇÃO DO ESPAÇO ENTRE O SOLO E O ASSOALHO. EMBAIXO DE CADA JANELA, HAVIA UMA GRADE DE FERRO QUE PERMITIA TAL VENTILAÇÃO.

    A DETERIORAÇÃO DA RUA TEIXEIRA LEITE E DE TODA A REGIÃO DA RUA GLICÉRIO, RUA SÃO PAULO, RUA DO ESTUDANTES DECORRE DA CONSTRUÇÃO DA VIA EXPRESSA LESTE-OESTE.(MINHOCÃO + RADIAL LESTE)

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  • Valter M C Palma 20/01/2021 at 20:55

    Essas casas eram simples mas o povo da época (imigrantes e filhos) nelas viviam felizes! O Presidente era o trabalhista Getúlio Vargas. Nos fundos dessas casas costumava haver quintal com horta e até algumas árvores frutíferas, muitos ainda criavam galinhas. Nas festas juninas (tempos de frio mais intenso que hoje) os moradores fechavam a rua e acendiam fogueira e serviam quitutes próprios da época e ainda com direito a um quentão! Quase todos os moradores participavam. Anos 1950. E também havia a Igreja Nossa Senhora da Paz, na Rua Glicério, que contava com Escola Paroquial (curso primário) em anexo. Vida simples mas tempos muito felizes!

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