Casa – Rua Dom Bernardo Nogueira

Quem já acompanha o site do Instituto São Paulo Antiga há alguns anos sabe do trabalho que estamos fazendo catalogação da arte de azulejos artísticos aqui em São Paulo. O objetivo é documentar tudo o que encontrarmos destes painéis incríveis que se espalham por casas, fábricas, edifícios, cemitérios e até de municípios vizinhos.

Este tipo de trabalho artístico, bastante comum até a década de 1960, foi caindo em desuso com o passar do tempo e atualmente é raríssimo se ver trabalhos novos deste técnica. Entretanto vira e mexe encontramos mais construções antigas com estes murais.

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Localizada no número 750 da Rua d. Bernardo Nogueira, na Vila Gumercindo, esta antiga residência dos anos 1950 está anunciada para venda já tem um bom tempo em diversas imobiliárias da região e ostenta em sua entrada um belíssimo mural de azulejos.

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A casa que por si só já é muito graciosa, fica ainda mais encantadora no momento que conseguimos notar esta precioso mural com dois cenários típicos da Espanha, sendo em primeiro plano uma mulher encostada junto a uma árvore e segurando um leque e, ao fundo, um toureiro galanteador conversando com uma mulher em trajes típicos de dança flamenca.

O painel por completo, aliás, nos remete a um panorama da região de Andaluzia, na Espanha. É bem possível que o primeiro proprietário desta casa fosse um imigrante espanhol ou pelo menos um admirador da cultura daquele país. Em várias andanças que já fizemos pra cidade encontramos painéis que remetem a região de origem do primeiro morador da casa.

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Apesar do mato que estava bem alto no dia que fomos fotografar e os inúmeros vidros quebrados, a casa está em ótimo estado de conservação e bem que merecia ser comprada e recuperada ao invés de ser demolida. O terreno não é tão grande assim para que saia uma torre mas já é sabido que nem sempre ao comprar, mesmo que seja para manter como residência, o pessoal tem grandeza suficiente para manter o imóvel em sua concepção original.

Além do painel artístico a casa também ostenta um belo muro feito com os famosos caquinhos de cerâmica vermelha, material este que também é visto na parede da casa em sua parte mais inferior, um charme. O portão original da casa também encontra-se preservado.

Outro detalhe que me chama a atenção é a parede de cobogós que divide a porção frontal da propriedade com o quintal (lado esquerdo da fotografia a seguir). Os cobogós conferem uma certa privacidade ao quintal sem isolar por completo um ambiente do outro.

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Enfim uma casa encantadora e que espero que seja preservada para a posteridade. Que quem venha adquiri-la tenha a sensibilidade de preservar ao menos o mural, caso não seja possível preservar a residência por completo.

Veja mais fotos (clique na miniatura para ampliar):

Deixo aqui o meu agradecimento ao amigo e leitor do São Paulo Antiga, Fernando Alegret que nos enviou essa dica.

Sobre o artista do mural:

O trabalho artístico está assinado com o nome “Punti”, que é totalmente novo para nós. Em nenhum outro mural que já catalogamos vimos este nome anteriormente. Caso você tenha alguma informação a respeito de quem tenha sido este artista entre em contato conosco.

Punti
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37 respostas

  1. Olá, Douglas. Belo registro! Só uma informação: a parede que você chamou de “balaústres” me parece ser, na verdade, de cobogós. Até mais 😉

  2. Eu gostaria de saber o que fazem com os azulejos no caso das casas que são demolidas. Em Campinas começaram há anos atrás a demolir a casa do último número da Rua Padre Vieira e, acreditem, marretaram os azulejos portugueses que revestiam a cozinha. Depois foi restaurada, como pude ver no Google Maps: agora é a Associação dos Rotarianos. O estilo é neogótico. Confiram: https://www.google.com/maps/@-22.9015335,-47.0561245,3a,75y,226.75h,83.55t/data=!3m7!1e1!3m5!1sE1cQd4GjElyQL5EqxDqhvQ!2e0!6s%2F%2Fgeo3.ggpht.com%2Fcbk%3Fpanoid%3DE1cQd4GjElyQL5EqxDqhvQ%26output%3Dthumbnail%26cb_client%3Dmaps_sv.tactile.gps%26thumb%3D2%26w%3D203%26h%3D100%26yaw%3D96.32747%26pitch%3D0%26thumbfov%3D100!7i16384!8i8192

  3. Correção ao estabelecimento que mencionei: na verdade, a casa abriga uma unidade do tradicional Bar Giovannetti.

  4. Olá Douglas, essa casa remete minha infância, caminho esse feito por mim por longos anos de escola, muitas lembranças desse caminho, dessa casa, história realmente. Acho legal vc falar sob as vilas que temos neste bairro, são antigas, de muitas história tb. Abraços Parabéns pela matéria. Cris

    1. Linda materia, o local me traz lembranças de infância, caminho da escola.

  5. Morei de 1954 até 1968 na Dom Bernardo Nogueira 774.Brinquei muito nesta área jogando botão com meu amigo Fernando que morou até começo dos anos 70 nesta residencia .

  6. Parabéns Douglas Nascimento, pelo seu trabalho….adoro ver é ler sobre as postagens. Com isso, vou para um tempo muito mais agradável da nossa SAO PAULO.

  7. Acompanho com muito interesse este canto tão precioso para a história arquitetônica de São Paulo! Obrigada!

  8. Lindo esses murais , mesmo que as casas fossem demolidas deveriam ser preservados. Infelizmente temos que ver muitas casas serem demolidas mais a evolução está aí , deveriamos ter mais casas tombadas pra preservar um pouco da história.

  9. Parabéns pelo trabalho! Eu Amor ler as histórias dessas construções antigas. Sou apaixonada por casas assim. Aí como gostaria de poder comprar uma . Estas casas são maravilhosas com quintais geralmente grandes. Eu costumo chamar de casa solta pois tem janelas por todos os lados e não fica espremida no meio das outras. Conservaria assim original. Sonho muito tanto dormindo quanto acordada de verdade. Abraço.!

  10. Esse mural de caquinho paulista é um charme e toque especial nessa casa
    Seria maravilhoso a casa ser preservada, mas as esperanças são baixas

  11. Muito legal sua matéria. Infelizmente o “progresso” desordenado destruiu grandes obras, sejam elas artísticas ou de arquitetura. Há vários exemplos pela cidade, mas cito a Av. D. Pedro I no Ipiranga, cujo projeto era para ser um boulevar, entretanto hoje restam pouquíssimas casas com a configuração original. Uma delas é a da escola de inglês Fisk, cuja unidade está lá há anos, nas tiveram a coragem de preservar o imóvel.

  12. CULPO OS VÂNDALOS PICHADORES POR INTIMIDAREM AS PESSOAS A UTILIZAR OS ACABAMENTOS DE MANEIRA MAIS ATRAENTES.

  13. Uma pena pensar que dificilmente ira ser preservada. Meu sonho que fizéssemos como vemos la fora, de restaurar e modernizar mantendo as características…

  14. Que linda! Inclusive este muro de caquinhos, maravilhoso! Pena que foi pichado. Fico aqui na torcida para alguém que tenha condições de preservá-la a adquira.

  15. Amo casas assim com alpendre,coisa muito chique que quase não existe!!!Queria eu ter poder aquisitivo o suficiente para adquirir essa joia,tomara de quem adquirir ter o bom senso de não destruir…Parabéns por encontrar esa preciosidade!!!

  16. Amei!! Assunto interessante, oportunidade de pesquisa, conhecimento adquirido… de verdade, vou prestar mais atenção à essas construções antigas (Que já me apaixonam), suas vidas alí vividas, suas histórias… esquecidas… obrigada!!

  17. Eu também, morei na Vila Gumercindo, que pertence ao Bairro da Saúde, entre 1999 e 2008, e a distância até essa casa era pouquíssima. Seria maravilhoso se a preservassem, mas está de dar tristeza mesmo. Vidros quebrados, as nefastas pichações tomaram conta. São Paulo, graças a seus políticos inábeis, por décadas a fio, entrou em decadência. Quando eu voltei a morar na região, logo em 1999, encaminhei carta para a administração regional, porque uma parte do bairro, que antes era linda, estava cheia de sujeira, que pessoas super educadas colocavam nas ruas, como sofás velhos, entulho e outro tanto de lixo. Parte da população não tem consciência de que vive em comunidade, e as prefeituras não se importam. Só com minha carta o local foi limpo (a região onde tem a torre de transmissão de energia elétrica, parte que não se pode construir, pelo menos foi aproveitada para fazer hortas comunitárias)

  18. Essa casa é muito bonita. Tomara que o novo dono mantenha a arquitetura original.

  19. Olá Douglas! Tive uma dúvida… amigo e leitor que você cita (Fernando Alegret), não poderia ser o MESMO FERNANDO que morou na casa até o começo dos anos 70 e era o amigo de infância do amigo Everaldo José Pedro? …Se puder descubra isso, rs ….Um abraço!

  20. Com muita tristeza que nesta primeira metade de março de 2021, visitei a Vila Gumercindo e vi que diversas casas antigas do início da Rua Assungui foram demolidas para dar lugar a mais um edifício. Passei também pela Av. Dom Pedro I, no Ipiranga, e a mesma se encontra em total decadência. Minha enteada me disse que foi inspirada na Av. Champs Élysées de Paris, mas nos dias atuais, está de fazer pena, os antigos casarões abandonados e invadidos. O que estão fazendo com São Paulo?

  21. Gostaria de saber se há possibilidade de morar , pois sou cadeirante, preciso de uma casinha desse jeitinho para mim e minha esposa. Como posso ter o contato? Por favor me ajudem.

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