Bolsa de Cereais de São Paulo (antiga sede)

Quem passa pela curta Rua Plínio Ramos, localizada no bairro da Luz entre as Ruas Paula Souza e Mauá, observa um pequeno edifício antigo com uma face do mitológico Deus grego Hermes na fachada e deve ficar bastante curioso sobre o que é ou foi aquele edifício. E hoje nós vamos contar a interessante história que o envolve.

A história deste imóvel começa em 1930 mas antes disso vamo voltar alguns anos antes para contar a origem da organização que a construiu.

Hermes – Deus grego da velocidade e do comércio

BOLSA DE CEREAIS DE SÃO PAULO

No início do Século XX as negociações de grandes volumes de cereais em São Paulo não possuía uma instituição plenamente organizada para cuidar de maneira eficiente de valores, estoques e variedades. Todos os trâmites e acordos de cereais e produtos que ingressavam na capital paulista eram realizados em reunião ao ar livre, junto à extinta estação ferroviária do Pari. Não havia um escritório.

Foi assim que um grupo de comerciantes teve a ideia de fundar uma instituição que pudesse abrigar as negociações e operações. Nascia assim, em 1º de agosto de 1923, o Centro do Comércio de S.Paulo. Em uma cidade que estava em franco crescimento populacional, comercial e industrial as negociações comerciais também cresciam exponencialmente e logo esta entidade se fez largamente importante. Inicialmente a instituição operava em um imóvel alugado ali mesmo na região central

A entidade também passou a cobrir as negociações de todos os gêneros alimentícios – com exceção do café – razão que em 1929 a fez mudar seu nome para Bolsa de Cereais de São Paulo. Neste mesmo ano percebeu-se que a modesta sede alugada ficou pequena para os negócios. Foi ai que a decidiu-se por um ato corajoso: a construção da primeira sede social própria.

clique na foto para ampliar

Inaugurado em 1930 na gestão de Arthur Loureiro, o novo edifício passou a abrigar a Bolsa de Cereais de São Paulo desde então. A sede estava situada na Rua Plínio Ramos, que mencionamos anteriormente. A localização era muito propícia uma vez que ficava relativamente perto da estação onde chegavam os cereais e demais gêneros alimentícios, região hoje conhecida por todos como “Zona Cerealista”.

O imóvel não é muito grande mas abrigou confortavelmente a entidade por longas décadas. Era uma construção assobradada conforme a imagem anterior mostra. A figura mítica de Hermes fica sobre a inscrição “commercio de”. A título de curiosidade você confere abaixo os telefones da instituição em 1938, extraída do Livro Vermelho dos Telefones daquele ano.

A Bolsa de Cereais ainda cresceria muito mais, deixando essa imóvel também pequeno para suas atividades. Foi assim que na segunda metade da década de 1950 decidiu-se para construção de uma sede nova, que viria a ser inaugurada em 8 de dezembro de 1960, saltando-se de um sobrado para um majestoso edifício de 27 andares no número 611 da Avenida Senador Queirós.

Mesmo assim a endereço antigo continuou servindo para atividades menores durante a década de 1960, sendo posteriormente vendida e hoje em dia pertence a terceiros.

A SEDE ANTIGA ATUALMENTE:

Passado tantos anos da troca de sede e da venda do antigo escritório, poderíamos pensar em uma série de tristes destinos para a velha edificação: descaracterização, abandono, demolição. Entretanto desta vez tivemos um final feliz:

clique na foto para ampliar

Mesmo não mais pertencendo à Bolsa de Cereais o edifício foi preservado com pouquíssimas alterações na fachada. Foram removidos os dizeres “Centro do Comércio de São Paulo” e as duas portas da esquerda (que eram idênticas às da direita) foram substituídas por uma porta de aço por onde podem adentrar veículos. No restante felizmente tudo permanece como era originalmente.

Na galeria abaixo você confere fotos de detalhes da fachada (clique nas miniaturas para ampliar):

EXTRA – DIRETORIA DE 1930

Na galeria abaixo você confere quem era o presidente, vice-presidente e diretores por ocasião da inauguração da sede da Rua Plínio Ramos. Basta clicar para ampliar a imagem.

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6 respostas

  1. Pelo jeito, atualmente, devem exercer atividades a portas fechadas. Percebam as portas de aço também por dentro das exteriores, que não existiam originalmente.

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