Banco Francês e Italiano (Sudameris)

Conhecida pelos paulistanos como a “Rua dos Bancos” a 15 de Novembro é também uma via repleta de construções histórias, a grande maioria delas inclusive já devidamente tombadas como patrimônio histórico de São Paulo. Muitas dessas edificações operam até no ramo bancário.

Uma delas, que contaremos a história aqui, tem um século de existência e chama a atenção de todos que passam diante dele pela sua beleza e imponência: o Banco Francês e Italiano.

Mas antes de falar especificamente sobre o prédio, que é uma das jóias da arquitetura paulistana, vamos falar das origens deste banco que hoje não existe mais e que sobreviveu até a primeira década do Século XXI.

AS ORIGENS:

As origens do banco nos remetem ao último ano do Século XIX, 1900, quando o mesmo foi fundado em um antigo imóvel da mesma Rua 15 de Novembro com o nome de “Banca Commerciale Italiana di S.Paulo” com um capital inicial à época de 2000 contos de Réis. Este mesmo capital daria um salto poucos anos mais tarde atingindo a marca de 5000 contos de réis.

E neste mesmo ano a empresa abre relações com a “Banca Commerciale Italiana”, da Cidade de Milão, momento em que altera sua denominação para Banco Comercial Ítalo-Brasileiro. Em uma cidade com tantos imigrantes de origem italiana onde muitos deles viraram industriais e comerciantes bem sucedidos, a procura pelo banco também aumentou e ele continuou em forte expansão.

A sede original do banco, que foi demolida para dar lugar ao edifício de 1921.

No ano de 1910 o banco entra em negociação com os franceses da “Societé Generale” e do “Banque de Paris et des Pay Bas” aumentando seu capital para enormes 25 milhões de francos e passando a se denominar finalmente como Banca Francese e Italiana per l’America Del Sud ou, em bom português, Banco Francês e Italiano.

Com a nova denominação “binacional” o banco continuava sua forte expansão, subindo em 1919 seu capital para 50 milhões de francos além de um robusto fundo de reserva de 31 milhões de francos. E é neste ano que o banco decide deixar para trás a sua modesta sede, para erguer um grande edifício muito mais condizente com o seu poderio financeiro.

A NOVA SEDE DO BANCO:

O edifício em fotografia de 1921.

Para a empreitada é contratado o engenheiro e arquiteto Giulio Micheli. Italiano de origem, formou-se no Século XIX na cidade de Florença e era membro de uma nobre família sendo que era até possuidor de um título de conde. Micheli chegou em São Paulo em 1888, aos tinha 26 anos de idade.

Ao assumir o trabalho do novo edifício do banco já era conhecido por grandes obras na cidade entre elas o nivelamento do Morro dos Ingleses, pelo Viaduto Santa Ifigênia e o Colégio Dante Alighieri.

Porém para o edifício do Banco Francês e Italiano Giulio Micheli limitou-se por realizar uma cópia do Palazzo Strozzi, de Florença. Esta obra viria a ser a sua última e ele não viveria para vê-la concluída pois faleceria em outubro de 1919, deixando a cargo de seu amigo e parceiro Giuseppe Chiappori a conclusão da edificação.

Na foto o Palazzo Strozzi, em Florença, que serviu de inspiração para a nova sede do banco

Erguido em uma estrutura de concreto e alvenaria de tijolos a sede do Banco Francês e Italiano possui quatro pavimentos e porão e emula perfeitamente uma experiência de Florência em São Paulo.

As três grandes portas feitas em ferro fundido são adornadas por vitrais coloridos, além disso na sua fachada, ao nível da rua, há um cofre para depósitos noturnos que está preservado até os dias atuais. Dentro o edifício tem seu térreo disposto como um ambiente amplo e iluminado com colunas que remetem a escola florentina de arquitetura do século XV.

Por fim é importante lembrar que ele foi construído no mesmo local que ficava a modesta sede anterior.

Abaixo você confere outras imagens do edifício no ano de sua inauguração:

DO SUDAMERIS AO FIM:

O Banco Francês e Italiano manteve forte influência no cenário bancário brasileiro por todo o século vinte, tendo num certo momento adotado oficialmente a alcunha de Banco Sudameris, nome este que é mais lembrado pelos brasileiros especialmente a partir da década de 1970.

Publicidade do Banco Sudameris no ano de 1970.

Com o tempo o Sudameris ampliou sua presença no mercado financeiro adquirindo o Banco América do Sul, em 1998. A aquisição foi feita com a intenção do banco ganhar mercado no Brasil, mas essa operação, poucos anos mais tarde, se revelou desastrosa. Os controladores haviam descoberto que o Sudameris não teria grandes ganhos de escala com a então aquisição do América do Sul.

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O banco comprado tinha uma péssima carteira de crédito, um número grande de clientes inativos e uma clientela excessivamente concentrada na faixa de renda que vai de R$ 500 a R$ 1 mil por mês. A lista de clientes dos dois bancos somados dava 600 mil pessoas, mas os clientes de fato ativos não iam além de 100 mil e com um agravante: eram clientes que, por ser de baixa renda, geravam para o banco apenas um terço da receita proporcionada por clientes que ganhavam mais de R$ 3 mil por mês. 

Atualmente no local é uma agência Select do Banco Santander (clique na foto para ampliar)

Com as receitas baixas e o custos altos, o grupo controlador, o italiano Intesa, na época o maior banco da Itália, teve que fazer constantes injeções de capital até que os executivos decidiram que melhor seria vender o banco do que insistir nos aportes de dinheiro.

O banco Sudameris chegou a ser comprado pelo Itaú em 2002, entretanto este acabou por desistir da compra. Apenas no ano seguinte, em 2003, o banco seria finalmente comprado por outro sendo adquirido pelo ABN AMRO Real pela bagatela de 2,3 bilhões de Reais.

O nome do banco ainda permaneceria nas agências até 2007 ano em que a integração da aquisição foi concluída. Era o fim da linha para o Sudameris/Banco Francês Italiano.

Atualmente o edifício abriga uma unidade Select do banco Santander, que é a instituição que por fim adquiriu o Banco ABN AMRO Real.

Veja mais fotos do edifício do Banco Francês e Italiano:

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Bibliografia:

Álbum do Estado de São Paulo (1918) – Monte Domecq & Cia pp 173
A Vida Moderna – Edição 0419 (1921) pp 3, 4 e 5
Revista Realidade – Edição 053 (1970) pp 53
www.palazzostrozzi.org link visitado em 11/01/2022

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5 respostas

  1. O tempo passa, o tempo voa, e a Poupança Bamerindus virou HSBC e hoje é Bradesco, dos meus longínquos tempos de office boy que passava o dia inteiro indo de uma agência à outra, todos os bancos do passado fecharam ou foram incorporados pelo Itaú ou Bradesco, casos do Nacional, Econômico, Finasa, Banco Geral do Comércio, Comind, Bamerindus, Real, Banco Auxiliar de São Paulo, Nossa Caixa, Banespa, Bank Boston, HSBC, BBVA, Banco Francês e Brasileiro, Banco Bozzano Simonsen, etc. .

  2. Muito interessante e abrangente essa história. Fui correntista do Banco Francês e italiano e, posteriormente, Sudameris, por alguns anos e sempre fui bem atendido.

  3. A arquitetura da fachada do prédio é um destaque entre prédios modernos.

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