Uma casa na Rua Uicó

Em minhas andanças pela cidade tem muito de minhas recordações de infância e adolescência. São vários os lugares que eu estive no passado, muitas vezes com meus pais, que fiz questão de ir atrás e relembrar colocando as construções interessantes por aqui. Mas havia uma delas que eu jamais tinha publicado e agora trago para vocês.

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Ao observar neste ângulo acima, talvez você pense que esta casa arborizada da esquina das ruas Uicó e Sinanduva, na Vila Marieta, seja apenas um sobrado simples como tantos outros da região. No entanto essas árvores frondosas escondem uma das casas mais bonitas e interessantes de toda essa região da zona leste, compreendida também por Vila Esperança, Penha e cercanias. Vamos atravessar a rua para você poder conferir mais de perto.

Pastilhas, piso de cerâmica vermelha e muito charme

Lembro-me bem desta casa nos especialmente na metade da década de 1980 pois meu pai tinha um amigo, cujo neto, Alexandre, é um grande amigo meu até hoje, que gravava LPs com cantos de pássaros. Se meu pai parava na casa, poucos metros adiante dessa, eu vinha até a esquina para admirar essa jóia. Na minha imaginação de criança eu tinha certeza de que era uma espécie de castelo ou algo do gênero, possivelmente devido a seus traços arquitetônicos.

É impossível passar por essa casa sem prestar reverência. Trata-se de uma construção bastante peculiar e única em uma região onde as casas contemporâneas a esta, em sua grande maioria, são simples e sem grandes destaques.

Traços arquitetônicos com forte Inspiração no Palácio do Alvorada

Construída possivelmente entre as décadas de 1950 e 1960 a residência tem na ousadia arquitetônica seu grande diferencial. Sua fachada ornamentada com pastilhas coloridas e suas muretas nos tradicionais caquinhos vermelhos de cerâmica dão ao imóvel um estilo único e charmoso. Suas colunas são fortemente inspiradas nas existentes no Palácio do Alvorada, algo que foi uma febre no período entre a construção e inauguração de Brasília. Aqui no portal já mostrei duas construções que, a sua maneira, fazem referência ao palácio, uma no Jardim Japão e outra no Belenzinho.

Outro detalhe interessante é um pequeno painel instalado na lateral da casa e, aparentemente, protegido por um vidro. Diferentemente de muitas casas de sua época a obra artística ali não é feita em azulejo mas parece que de algum tipo de tecido.

Um painel artístico diferente

Instalado em uma parede cuja decoração muda de pastilhas coloridas para cerâmicas em tons de azul e preto, o que dá destaque e atrai os olhos para o painel artístico, a imagem mostra um homem montado a cavalo cortejando uma mulher que está em uma sacada. A obra, um tanto kitsch, dá um toque ainda mais especial para esta residência tão peculiar e fico aqui me perguntando (e gostaria muito de saber) se o(a) artista foi/é um(a) morador(a) da residência que decidiu expor ali seu interessante trabalho.

A casa ao longo de sua trajetória já sofreu reformas e intervenções que alteraram uma parte de sua originalidade sem, no entanto, comprometer sua peculiar arquitetura. Em algum momento decidiram por reformar a parte superior da residência e uma de suas laterais, onde foi colocado pastilhas modernas em tons de branco e preto. Contudo, apesar de eu preferir as pastilhas originais, reconheço que estas alterações trouxeram ainda mais exclusividade ao imóvel.

Ao contrário do que muitos pensam, a arquitetura bonita aos nossos olhos não se restringe apenas à região central e aos bairros mais elitizados. A beleza está por todas as regiões e essa casa está ai para nos comprovar isso. Na galeria abaixo, mais algumas imagens para vocês admirarem.

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Respostas de 5

  1. É mesmo incrível como uma pessoa bota uma idéia na cabeça e faz acontecer, a seu modo.
    De fato, uma residência bem peculiar, com a assinatura do proprietário. Fica difícil imaginar que essa casa se posta à venda, permaneceria com tais características, que são muito, mas muito mesmo, pessoais.
    É certo pra min que ele, o dono(a), foi moldando a construção a seu bel prazer, de acordo com a sua imaginação.

  2. As colunas fazem lembrar as que Niemeyer projetou para algumas construções do Distrito Federal, como o Palácio do Planalto e o STF, embora aqui sejam apenas revestidas com um mármore branco simples e sem uso de pastilhas coloridas. Faça a comparação. O quadro provavelmente em tecido é algo verdadeiramente inusitado se comparado com os painéis de azulejos pintados.

  3. Sua descoberta é um tesouro raro e nos faz viajar no tempo e no trabalho do arquiteto e aprovação dos moradores a essa variedade nos revestimentos e a ousadia das formas. Agradeço você compartilhar essa sua garimpagem,

  4. Nossa passou um filme na minha cabeça agora ….conheço essa casa , se não me falha a memória era da Dona Encarnaçion que morava ai …eu morei na Rua Uicó 259, minha casa era mais ou menos dessa epoca . Era Vizinho do Sr. Hildo e Dona Alzira , o neto Alexandre meu amigo de infância . O Sr. Hildo era o homem mais inteligente que conhecia na minha infância , ele tinha uma oficina na casa dele que fazia de tudo que eu pudesse imaginar , os passarinhos que amava e gravava os cantos para ensinar os mais novinhos que nasciam …era magico …obrigado por compartilhar a matéria …que viagem !!!

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