Operários encontram trilhos de bonde na Avenida São João

O centro de São Paulo e seus arredores vem passando por uma grande intervenção urbanística. São diversas obras que estão trazendo aos paulistanos mais lazer, conforto e agilidade de transporte.

Uma destas obras é a do Corredor Inajar e Souza, que irá ligar rapidamente a Vila Nova Cachoerinha a região central, precisamente no terminal da Praça do Correio. Parte desta obra, inclusive, já está concluída, como por exemplo na Avenida Rio Branco.

Em áreas próximas a estes corredores, estão ocorrendo melhorias também no piso onde trafegam os ônibus, com readequação geométrica e a colocação do pavimento rígido. E foi em uma dessas obras que os operário se depararam com esta descoberta:

Clique na foto para ampliar (crédito: Marcos Brown)
Clique na foto para ampliar (crédito: Marcos Brown)

As obras da Avenida São João, bem diante do Largo do Paissandu, revelaram uma grande quantidade de madeira de dormentes e trilhos de bonde que estavam sob o asfalto da via por décadas. Até o final dos anos 60, quando foram desativados, bondes circulavam a exaustão por ali.

O curioso é temos o registro de um deles trafegando no local exato da descoberta dos trilhos da fotografia acima, como mostra a imagem a seguir:

Atrás do bonde o Cine Ufa, depois rebatizado como Art-Palácio
Atrás do bonde o Cine Ufa, depois rebatizado como Art-Palácio

Apesar dos trilhos estarem bastante enferrujados e o madeiramento apodrecido, as imagens que revelam esta descoberta no centro de São Paulo, mostram uma espécie de “cicatriz” do transporte coletivo em São Paulo. Embora tenha sido o primeiro transporte público da cidade, os bondes não sobreviveram a gestão do então prefeito Faria Lima, que os julgava obsoletos.

Entretanto, o grande problema dos bondes não era a obsolescência, mas a falta de investimentos na melhoria dos carros e na modernização deste meio de transporte. A cidade perdeu um transporte com energia limpa para o diesel dos ônibus e para mais automóveis na rua.

Clique na foto para ampliar (crédito: Marcos Brown)
Clique na foto para ampliar (crédito: Marcos Brown)

Em cidades europeias, asiáticas e até nos Estados Unidos o bonde ainda é visto como uma alternativa viável de transporte coletivo. Será que eles estão errados e Faria Lima era um visionário ? Sei não…

Na galeria abaixo, mais imagens do material encontrado no Largo do Paissandu:
Todas as imagens deste artigo, exceto a antiga, foram enviadas pelo nosso leitor Marcos Brown via WhatsApp, a qual agradeço imensamente.

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29 respostas

  1. Certo de que alguém vai criticar, e criticar com virulência, mas a afirmação tem de ser feita: Faria Lima foi um dos piores prefeitos de São Paulo, muito do caos que sofremos foi gestado por ele, basta estudar a história da cidade com a visão correta!

    1. Pode ser. Porém, ele foi prefeito numa época em que as informações não eram tão imediatistas quanto hoje.Isso faz com que as gestões atuais sejam mais criticadas, em detrimento às anteriores.
      Tanto esse Faria Lima quanto outros políticos contemporâneos à ele se beneficiaram da falta de acesso às informações em tempo integral.Acho que é isso.

      1. Isso não verdade, ele já sabia como era gestão nas cidades pelo mundo, o Faria Lima tirou os bondes simplesmente para poder privilegiar as CIAS de ônibus de São Paulo que são uma verdadeira máfia.

  2. Parabéns Douglas, você presta um serviço espetacular para a preservação da memória histórica e afetiva de nossa cidade tão castigada. Imagine o charme que seria se ainda tivéssemos os bondes circulando pelas ruas do centro? Sem contar que seria uma alternativa a mais de transporte na cidade. Se os Rios Tietê e Pinheiros não fossem poluídos, eles também poderiam servir de via para um transporte alternativo: por barcos ou barcas.

  3. Isso não pode estar dessa forma!
    Para tal projeto, deve ter o acompanhamento de um empresa especializado em Arqueologia e Patrimônio Cultural.
    Caso não tenha, deve ser denunciado ao MPF.
    O que vemos nas imagens, são toda história rica de SP indo pro lixo, caso não tenha uma empresa acompanhado o trabalho com supervisão do IPHAN.

    Abraço!

    1. Rafael, você sabe que fim levaram os trilhos? Você chegou a fazer a denúncia na época?

  4. As razões que levaram o prefeito Faria Lima a exterminar os bondes são as mesmas que levaram a ex prefeita Martaxa a quase varrer os trólebus da face da terra, sobrando apenas algumas heroicas linhas. Enquanto isso, há 127 anos discute-se construir metrô nesta cidade e de lá para cá pouco se avançou. Um problema crônico e secular.

  5. Já li algumas matérias sobre o choque que foi a retirada brusca dos bondes. Muito gente foi ao trabalho em lotações improvisadas sobre carrocerias de caminhão. Uma retomada brusca dos bondes poderia ser uma inovação interessante no centro.

  6. Me lembro quando morava no Rio de Janeiro, na década de 80, em muitas ruas ainda era possível ver os velhos trilhos de bonde aflorando sob pedaços do asfalto.

  7. Como sempre, excelentes matérias do amigo Douglas. Sou leitor do blog a um tempo razoável, mas nunca comentei. Aproveito então esta oportunidade de demonstrar meu reconhecimento pelo seu trabalho. Obrigado!

  8. Juro que pensei que essa matéria era antiga, vou ver se consigo dar uma passada por lá sábado para ver.
    Lembro que vi também os trilhos sendo retirados da rua dos Lavapés no Cambuci por causa de uma obra da Sabesp, na rua Teodoro Sampaio também reencontraram quando reformaram o pavimento. Já nas obras da Adutora e do Metrô na Av. Adolfo Pinheiro até preservaram alguns pedaços, http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?p=54806345#post54806345

    Ainda existe bastante resquícios dos bonde escondidos a poucos centímetros do asfalto, como na Saúde https://goo.gl/maps/yPGkC32nhXN2 e no Brás, https://goo.gl/maps/tKgP3MiXeBE2.

  9. Se forem escavar por todo o centro da cidade de São Paulo, irão encontrar os velhos trilhos de bondes que por ali circularam.
    Quando deram fim nos bondes, os trilhos foram cobertos com asfalto para que carros, ônibus, caminhões pudessem circular com mais velocidade.
    Foi um verdadeiro crime, extinguirem as linhas de bondes Santo Amaro, Penha, Lapa e outras mais.
    Diziam que os bondes atrapalhavam o trânsito. Verdadeiramente atrapalhavam os carros, que a cada dia não paravam de surgir para infernizar e matar os pedestres.
    Esse meio de transporte,até hoje é utilizado em muitas cidades do exterior, principalmente a Europa. Claro que com bondes mais modernos e maiores.
    Façam um cálculo de quanto a cidade gastou com dinheiro publico para compra dos antigos bondes, e aquisição e colocação de trilhos que hoje estão enterrados debaixo do asfalto.

  10. Uma pergunta: Os bondes não foram desativados porque se um parava, todos paravam e tudo parava?

  11. Outra pergunta: Veículos híbridos sobre pneus não são muito mais eficientes?

  12. Concordo que havia lentidão do trânsito pois os bondes andavam mais devagar, porém, o prefeito da época não teve sensibilidade suficiente em pelo menos deixar algumas para preservar nossa história.

  13. O centrão de São Paulo só está deteriorado hoje por causa de inúmeras intervenções desastrosas de políticos ditos “visionários” que com suas “obras” deixaram o centro de São Paulo decadente como é hoje, aqui no site mesmo cita o exemplo do Minhocão que acabou com aquela região da Av. São João que antes dele era assim… (http://cultura.estadao.com.br/blogs/marcelo-rubens-paiva/por-que-derrubar-o-minhocao/)

  14. Pois é, Daniel, e a cada nova intervenção o centro se torna pior do que já era.

  15. Tenham a certeza de uma coisa, se o minhocão já houvesse sido demolido e no lugar aqueles belos jardins, pasmem, teriam se transformariam em albergues.

  16. Santos continua sendo sendo uma das poucas cidades que mantém ambos os bondes e trólebus.
    Parabéns pela matéria

  17. Talvez não seja necessário demolir o minhocão e sim fazer em cima um jardim com praças, e/ou outros lazer.

    É para se pensar e projetar.

    Em relação a cidade de sp, é preciso manter os prédio históricos,
    É sabido que o custo para manter um imóvel histórico é muito alto, pois os matérias jã não existem mais e é necessário faze-los por encomenda.
    E com mão de obras especializada.

    Mas por esta cidade querida vale apena

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