Rua Líbero Badaró 1947 & 2013

Se tem uma rua em São Paulo com bastante história, esta rua é a Líbero Badaró. Importante via do centro, que liga o Mosteiro de São Bento ao Largo São Francisco, inicialmente chamava-se Rua Nova de São José.

liberobadaroO nome escolhido foi uma homenagem ao jornalista Giovanni Battista Líbero Badaró. Nascido na Itália, veio para o Brasil com 28 anos de idade e passou a defender aqui a causa Liberal. Seus ideais passaram a incomodar muitos poderosos e isso gerou inimizades que culminaram em seu assassinato diante de sua casa, nesta mesma rua, em 20 de novembro de 1830. Gravemente ferido teria proferido a seguinte frase antes de morrer: “Morre um liberal, mas não morre a liberdade”.

Com a Proclamação da República, em 1889, várias ruas com nomes antigos ou imperiais foram modificados e a rua onde ele foi assassinado passou a ser chamada de Líbero Badaró.

As fotografias abaixo mostram um comparativo entre duas épocas distintas desta rua: 1947 e 2013.

clique na foto para ampliar
clique na foto para ampliar

Se nada do período contemporâneo de Líbero Badaró sobreviveu até os dias de hoje, é possível notar que também pouco da fotografia de 1947 resistiu. A presença mais marcante nas duas fotos é a do Edifício Saldanha Marinho, inaugurado em 1933 e que é um dos ícones da art déco em São Paulo. Além deste prédio, os dois prédios do lado direito (mais próximos ao Saldanha Marinho) também sobreviveram.

Outros sobreviventes são os postes de iluminação, que até hoje são os mesmos e inclusive estão nos mesmos lugares, porém foram virados e agora estão em uma posição um tanto quanto diferente.

Por fim, uma mudança bastante curiosa entre as duas imagens é a remoção dos trilhos de bonde . Apesar de terem sido removidos parecem estar presentes ali de forma simbólica, com a sombra da linha aérea dos trólebus que se projetou sobre o asfalto. Curiosidades de uma cidade que está sempre em constante mudança.

Crédito da foto de 1947: Acervo da Revista Life (1947)

Compartilhe este texto em suas redes sociais:
Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no linkedin
LinkedIn
Siga nossas redes sociais:
pesquise em nosso site:
ouça a nossa playlist:

23 respostas

  1. Não sei italiano direito, mas jurava que “João” só é Giovanni quando não faz nome composto. Do contrário, a forma é Gian- ou Giam- (este último quando o segundo nome começa com P ou B… a lógica é a mesma do português). Portanto, Giambattista (como, aliás, já vi) e não Giovanni Battista.
    O mesmo para Giampaolo (João Paulo), Giampietro (João Pedro), mas preservando o N em Giancarlo (João Carlos) ou Gianluigi (João Luís, por exemplo).
    Giovanni seria quando o João é somente “João”.
    Quanto às fotos da Life, conheço o acervo. São ótimas. Pena que, salvo engano, são protegidas por direitos autorais (a marca d’água é uma mostra disso…)

  2. Sempre passo por esta rua e fico bastante curioso de como era o antigamente.

  3. A foto da Life é de alguma reportagem ou só do acervo? procurei no site e não achei nada sobre!
    Sempre que vou ao centro eu sempre procuro passar por ali. Parabéns pelo site Douglas!

  4. Quanta ironia.

    Com a chegada dos ônibus, os bondes passaram a simbolizar o atraso nos transportes. Hoje porém estão presentes nas melhores cidades da Europa, EUA e Japão. Só que repaginados com desenho futurista e ar-condicionado. São os Light-Rails, ou trams ou VLT – Veículo Leve sobre Trilhos. Ganham em tudo em qualquer comparação com os ultrapassados e caros ônibus. Nem mesmo os elétricos possuem o conforto do suave girar das rodas de ferro sobre a superfície perfeita dos trilhos.

    Ironicamente, atrasada hoje é a cidade que não tem VLT mas somente os poluentes e barulhentos ônibus.

    Os VLT poderiam ser implantados em São Paulo, substituindo os obsoletos ônibus no centro da cidade e nos corredores. A cidade daria um salto de modernidade em transporte público.

    Mas a depender da visão do secretário municipal de transportes, isso não vai acontecer.

    Alguém aí sabe por que?

      1. Também não sei ao certo se é o Gilmar ou o Arselino Tatto, Amaury.

        O que sei é que pelas declarações que ele tem feito na TV dificilmente teremos VLT em São Paulo na atual gestão. Uma pena.

        1. pois é.
          sem querer transformar este espaço em um fórum de discussão política – o que, creio, deixaria tanto o Douglas como os participantes bastante desapontados – percebo nos Tattos e na atual gestão municipal um compromisso muito grande – e, aliás, histórico – com agendas “pequenas” (perueiros, faixas de ônibus feitas às pressas…).

    1. Sim, porque hoje as empresas de ônibus formam uma máfia e tirar hoje o poder delas parece impossível…

      Mas já perceberam que, por uma ironia do destino, o centrão de São Paulo, que é a região mais degradada da cidade é a que conserva o maior número de imóveis históricos ainda em pé???

  5. poxa, pela foto parece que fecharam com paredes a área anteriormente aberta sob o pórtico em ângulo, no topo do edifício.

  6. Conheço muito bem esse prédio. Abrigava escritórios centrais da antiga Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, cujos logotipos ainda fazem parte de seus vitrais, trabalhei lá nesta época, cerca de 40 anos atrás. O interior é muito bonito. De lá testemunhei confrontos entre a cavalaria do Coronel Erasmo Dias e estudantes da Faculdade São Francisco, e ainda, os dois incêndios que tristemente marcaram nossas vidas, sobretudo dos paulistanos, o do edifício Andraus na Av. São João, que abrigava a antiga loja Piranni e a do Edifício joelma.

    1. Não é possível que alguém que tenha trabalhado na COMPANHIA PAULISTA DE ESTRADAS DE FERRO, cuja sede era no Edifício Saldanha Marinho, faça confusão com ter trabalhado na Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, cuja sede era em Campinas.

      1. me parece que o sr. Sidney se referiu ao fato de ter trabalhado no prédio, e não na estrada de ferro. daí, confundir a Paulista com a Mogiana é um lapso perfeitamente normal.

  7. O programa estúdio i da Globo News de hoje fez reportagem sobre o “saopauloantiga”. Parabéns!

  8. bom dia,interessante site,gostaria de saber acerca do edifício na rua Líbero Badaró,número 600,pois não encontro referência dele,como fundação eta.já ouvi dizer que só o maquinário do elevador teria 80 anos!!!??? Mas achei estranho,pois o prédio me parece no máximo da década de 40/50,e ele pertenceu ao Ministério Público e hoje é a Secretaria de Estado da Administração Penitenciária.

  9. Poxa vida, que triste, ninguém lembrou de dizer que o prédio foi projetado pelo arquiteto Elisiário Bahiana, o mesmo do Viaduto do Chá, Jóquei Clube e outros, além disso é tombado pelo CONDEPHAAT.

  10. Cheguei a trabalhar no Saldanha Marinho nos anos 90, quando ali estava instalado o Tribunal Regional Federal da Terceira Região, que atualmente está na Av. Paulista.

    Diz a lenda que o Saldanha Marinho e a Faculdade de Direito da USP (a famosa São Francisco) são ligados por um túnel subterrâneo…será??

  11. Minha avó tinha uma condeitaria na libero badaro 565
    Chamava Confeitaria Ideal….isso em 1950
    Alguém lembra disso?

Deixe um comentário!

%d blogueiros gostam disto: