Editorial – Por mais transparência no DPH SP

Até quando o patrimônio histórico paulistano ficará largado ?

São Paulo, uma das maiores metrópoles do mundo, não pode ficar desgovernada quando o assunto é a preservação de nosso patrimônio histórico. A reunião do CONPRESP que ocorreria ontem, 2 de maio de 2022, foi suspensa devido à renúncia (elegantemente escrita como vacância no Diário Oficial), do presidente e vice-presidente do conselho, um para disputar eleição e o outro, segundo uma fonte na própria Secretaria Municipal de Cultura, por ter sofrido pressão da gestão municipal para renunciar.

Trecho do Diário Oficial

Isso reflete diretamente na análise e deferimento de diversos pedidos de tombamento, e facilita sobremaneira a ação de incorporadoras e construtoras para demolir imóveis de valor relevante à nossa cidade, uma vez que acabam por pagar – se punidas – multas irrisórias.

Também reflete diretamente no moral e na motivação dos diversos servidores públicos do Departamento do Patrimônio Histórico (DPH) que mesmo sobrecarregados trabalham dando o melhor de si, e que sofrem também por estarem em número insuficiente de pessoas, ou seja, aquém da necessidade de uma cidade da grandeza de São Paulo.

Muitas vezes são eles que recebem as críticas por imóveis que não são preservados, mas os servidores não tem culpa alguma. São vítimas do poder executivo municipal que não abre oportunidade para novos colaboradores. 

Enquanto isso a presidência do DPH não está nas mãos de uma pessoa técnica no cargo, no que parece ser uma maneira de enfraquecer ainda mais o órgão. A gestão 2020-2023 inicial, essa sim técnica, foi retirada por ação política. Ao mudança de direção lamentavelmente repete o que o governo federal fez no IPHAN recentemente.

Na foto o diretor do DPH, Orlando Paixão (Crédito da foto: Instagram @dph_SP)

O São Paulo Antiga cobra aqui publicamente o Sr. Diretor do DPH, Orlando Paixão, bem como a Secretária Municipal de Cultura, Aline Torres (MDB) da necessidade urgente de se tomar uma atitude pró-ativa em defesa do nosso patrimônio histórico. Ambos tem em mãos a oportunidade de fazer a cultura e o patrimônio de São Paulo um exemplo para o restante do país, mas no momento correm o risco de serem apenas Caronte, nessa barca do inferno que é a cultura no Brasil.

Ao órgão não basta apenas inaugurar “plaquinhas azuis” pela cidade. O DPH e CONPRESP podem e devem fazer mais. E JÁ!

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