Por décadas os bondes trafegaram por São Paulo como o principal meio de transporte público. Este serviço começou no final do século 19, através dos bondes de tração animal da Viação Paulista, e seguiram em serviço até 1968, quando a última linha em atividade, com destino a Santo Amaro, foi extinta.

A partir da desativação do serviço de bondes de São Paulo, a herança deste meio de transporte coletivo no mobiliário urbano e na memória do paulistano foi, aos poucos, sendo apagada. Seja através da demolição de paradas, seja pela remoção de trilhos das ruas e avenidas, pouco resta hoje como lembrança.
E o que sobreviveu pela cidade nem sempre é associado aos bondes. Um bom exemplo é esta estrutura do início da década de 40, existente na Praça João Mendes:

Localizada diante de dois estabelecimentos icônicos paulistanos – o Sebo do Messias e a Padaria Santa Tereza – a construção das famosas bancas de flores estabelecidas ali há décadas são, na verdade, a estrutura remanescente da antiga parada de bondes que existiu no local até meados dos anos 1960.
Sua construção iniciou-se no final da década de 30, durante a gestão do então prefeito paulistano Prestes Maia, que publicou a futura obra no diário oficial e nos principais jornais da cidade.

Estas obras, tais quais muitas outras de Prestes Maia, mudariam por completo a região em poucos anos. Na época, inclusive, não houve qualquer preocupação com o patrimônio histórico paulistano e a Igreja dos Remédios, ícone da São Paulo colonial erguida em 1727, foi demolida durante o decorrer das obras.

Uma vez inaugurado, a parada de bondes serviu aos paulistanos por décadas, operando inclusive até algum tempo depois da extinção do serviço de bondes, atendendo a população como ponto de ônibus.
Mas engana-se quem pensa que a parada de bonde era apenas esta diante da padaria Santa Tereza. Existiam outra parada idêntica a esta do outro lado da praça, diante do fórum. Estas foram demolidas com o alargamento do calçadão ali existente.
A foto abaixo da uma excelente visão de todas as paradas da Praça João Mendes:

Depois de serem desativadas as paradas foram transformadas em bancas de flores e, até hoje preservam o charme do tempo dos bondes. Ali também há um pequeno banheiro público, no centro da construção, mas que não é aberta para a população já se vão muitos anos.

Um detalhe que não é possível deixar passar quanto a estas paradas, é que são muito melhores que as atuais oferecidas pela cidade, patrocinadas e que oferecem pouco conforto a quem espera uma condução. Feitas em vidro e concreto, as paradas atuais são também muito fáceis de serem vandalizadas, não protegem do sol e parecem ter como finalidade principal a divulgação de publicidade e não abrigar o cidadão. A durabilidade dos antigos abrigos de bonde e dos pontos de ônibus remanescentes das décadas de 1940 e 1950 mostram a superioridade delas contra as atuais.
Veja mais uma foto atual do local:

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Interessante crônica e pela citação dos Bondes de Santo Amaro, para complemento vide:
QUANDO OS BONDES CHEGARAM A SANTO AMARO: 7 de julho de 1913
http://carlosfatorelli27013.blogspot.com.br/2013/04/quando-os-bondes-chegaram-santo-amaro-5.html
Quanto a Igreja dos Remédios da João Mendes, há um painel feito na Biblioteca Prefeito Prestes Maia, em Santo Amaro, com parte dos azulejos desta antiga igreja.
Os azulejos portugueses da Igreja dos Remédios e a Biblioteca Municipal de Santo Amaro
http://carlosfatorelli27013.blogspot.com.br/2013/01/os-azulejos-portugueses-da-igreja-dos.html
Muito boa a matéria sobre os bondes!
Conhecer por fotos é uma maneira de conhecer, e somando com tudo o q vejo no site, parece real pra mim. Parabéns pelas fotos e pelo contexto.
Vale a pena conhecer o local, aproveitando para dar uma passada na Igreja de São Gonçalo e almoçando no restaurante da padaria Santa Tereza, ambas atrás do ponto de bonde.
Só precisa ter cuidado com as damas que circulam pelo local…
Usamos muito, minha mãe e eu, esta parada de bondes da João Mendes quando morávamos no Cambuci.
Uma outra parada de bondes, também em frente a uma Padaria, ficava na Vila Mariana, onde havia uma estação de bondes quando estes eram recolhidos. Alguns dos bondes das linhas que iam ao Brooklyn e a Santo Amaro tinham ponto final nesta estação, perto da caixa d’água da Av. Domingos de Morais e da Rua Neto de Araújo.
Douglas: talvez possa ser interessante comparar fotos desta estação da Vila Mariana com fotos atuais.
Obrigado pela postagem. Trouxe muitas memórias.
Um livro bonito e com cerca de 270 fotos bem impressas de bondes em São Paulo chama-se “Bonde, Saudoso Paulistano”, esgotado em português mas disponível em inglês, com o nome “São Paulo by tram” Foi publicado pela Editora Terceiro Nome e você pode ver algumas das imagens no site da Terceiro Nome: http://www.terceironome.com.br. Vale a pena!
“”igreja nossa senhora dos remedios””—sera que foi esse prefeito que mandou jogar agua de esgoto no Rio Tiete -abração Douglas…
Os bondes estão de volta
Pelo menos no Rio de Janeiro com a inauguração da linha que interliga o aeroporto Santos Dumont à região portuária, projeto de 28 km denominado Porto Maravilha.
Espero que o sucesso do VLT carioca estimule a implantação desses bondes modernos em São Paulo.
Ótimo artigo… e como sempre impressiona a facilidade como os ‘gestores’ sob o aplauso da imprensa majoritária não tinha qualquer limite de respeito ao passado sob o argumento do ‘imperativo do progresso’… …tal atitude ainda permanece em questões ambientais cotidianas como a inserção da outra faixa de tráfego nas marginais etc… assim a Igreja dos Remédios caiu e uma interpretação equivocada e questionável da mobilidade urbana desmantelou e não modernizou os bondes…
Outro aspecto é o das paradas de ônibus – trocadas à revelia da população, por projetos de gosto duvidoso e pouco adequados… andamos para trás e o que temos aqui perde feio para o passado – sem qualquer saudosismo…
São Paulo hoje não seria esse caos se nessa época os caras não tivessem extinto os bondes para dar prioridade exclusiva aos veículos automotores
Na minha opinião,oferecer,abrigos de onibus tão qual imponentes e extensos como que eram feitos aquela época,seja tambem uma questão de solução,basta andarmos pelas ruas de São paulo e ver que abrigos atuais tal qual extensos ao invés de servir de abrigo para a população,acabam por si servindo a moradores de rua,que tomam tais pontos como se fosse seus e na maioria das vezes impedindo que pessoas se aproximem desses abrigos,seja utilizando todo o espaco de assentos com material reciclado ou até mesmo sucata,ou até na maioria das vezes com cachorros,prejudicando principalmente os idosos que tem de permanecer mais de 10 minutos em pé para esperar sua condução pois nao ha assentos pra eles por conta da apropriação dos moradores de rua,Deixando claro que,nada tenho contra os moradores de rua,eles são assim como nós seres humanos,mas infelizmente por sua condição,acabam por si prejudicando as pessoas que ja usam um transporte precário esperando por muito tempo,e nem a prefeitura ou empresas de onibus fazem uma fiscalização ou um plano de ação para solucionar este problema,infelizmente uma triste realidade.
Bem interessante, passo na região de vez em quando e nem sonhava em ser um ponto de bonde, achava – e em parte estava certo já que foi usado assim depois – que era um ponto antigo de ônibus ou uma ‘ mini-rodoviaria ‘ de alguma empresa de transportes. Quanto ao fato de ter um banheiro desativado lá, acho interessante notar o circulo vicioso que se instalou na cidade. Muitos lugares estão sujos e – desculpe a expressão – fedem por falta de banheiros públicos, os banheiros públicos são desativados por causa do vandalismo, se tem vandalismo por que a região esta em declínio, a região esta em declínio por que esta suja, esta suja por que não se tem banheiros públicos, não se tem banh… e assim continua.
Muito interessante mais esta matéria do São Paulo Antiga. Infelizmente, desativaram os bondes e só começaram a construir o metrô na década de 1970. Em 1976, foi inaugurada a Linha Norte – Sul, e em 1982, pouquíssimas estações da Leste – Oeste. Dinheirama das montadoras, para favorecer mais e mais o transporte via automóveis e caminhões, pelas estradas, uma vez que a malha ferroviária também foi muito reduzida. O quanto mais não é capaz de transportar um trem, e um navio, do que um caminhão? Não sei como é a frequência do transporte marítimo, pois a costa brasileira é imensa. Acho que em 1967 ou 1968 que a última linha de bonde foi extinta. Nasci em 1967, e jamais vi bonde algum, mesmo que fosse uma só linha deixada para reviver a história da cidade. Seria maravilhoso andar em um bonde!
Peço me informar os nomes das paradas de bonde entre a Praça Joao Mendes e Santo Amaro nos idos de 1953/54
quero saber nomes das paradas dos bondes linha praça joão mendes ate santo amaro
A reforma que fizeram colocando floreiras e um banheiro que não é público, foi um atentado à história de Sao Paulo. Este abrigo que tem na João Mendes era tombado, mas políticos inescrupulosos passaram por cima da lei e deturparam o projeto arquitetônico original! Um absurdo.
Aquele abrigo era lindo. Hoje está um lixo!!!
Usei muito o bonde da linha Santo Amaro para ir a escola. Vou tentar listar as paradas partindo da Praça João Mendes como 1ª parada: Liberdade, Ana Rosa, Biológico, Ipê, Pedro de Toledo, Indianópolis, Moema, Santa Helena, Campo belo, Piraquara, Frei Gaspar, Brooklyn. “Forçada da Lacta”, Petrópolis, Floriano, Alto da Boa Vista, Deodoro, “Forçada do Cinemar” 13 de Maio, São Francisco, Socorro. Eram 22 paradas.
Olá, também partilho essa história.
Só corrigindo a ordem das paradas: … Pedro de Toledo, Moema (antes), Indianópolis, Pavão (faltou), Vila Helena (e não Santa)…
Sds.
como estava em 01/23: https://maps.app.goo.gl/Vt2du2QNCj6LMnFk9 Ói o sebo do messias aqui: https://maps.app.goo.gl/9gekfbwTqmvyFGvx8 E a panificadora santa tereza aqui: https://maps.app.goo.gl/UQ6AZFPxpZb2USTL8 ;-P
Muito legal você preservar toda essa história! Parabéns!
Um primo meu acabou descobrindo um vídeo/filme sobre o último bonde da linha Santo Amaro.
Não sei se você sabe – e nem sei dizer como esse material chegou até você, seria interessante saber – mas esse filme foi feito pelo meu tio Alfredo Rohn, morador de Barueri. E no filme aparecem a esposa e a filha dele, bem como minha mãe (irmã da esposa dele) com os 3 filhos, entre eles, eu.
Olá, Kika! Eu já havia visto esse filme, uma ou duas vezes, não havia reconhecido vocês. Agora, revendo, deu para reconhecer claramente sua mãe e vocês três. Muito legal vocês terem uma lembrança como essa gravada!
Pois é, agora tenho via Instagram. Acho que já sabíamos que estava circulando por aí. Há algum tempo meu irmão viu e na ocasião diziam ser arquivo da Tupi, se não me engano. Ele entrou em contato para informar o verdadeiro autor. Mas pelo visto continua circulando sem autoria!
Infelizmente a maioria dos slides e filmes do meu tio foi comida pelos cupins, quando minha tia se mudou para Rio Claro!