Uma das ruas mais movimentadas do chamado “centro novo”, região central da cidade do lado oeste do viaduto do Chá, a rua 7 de abril é repleta de edifícios altos majoritariamente comerciais construídos no decorrer do século 20. No entanto, bem no começo da rua, resiste uma charmosa construção a qual podemos classificar de o último sobrado sobrevivente desta rua.

Localizado nos números 83 a 87 essa construção dos primeiros anos do século passado é a mais antiga edificação da rua 7 de abril. Originalmente de uso misto, com uma residência no andar superior e um estabelecimento comercial ao nível da rua, esse sobrado sobreviveu a onda de especulação imobiliária que ocorreu em meados da década de 1950 na região e chegou no século 21 praticamente intacto.
Para quem como eu já teve a oportunidade de entrar no andar superior, onde existia um ótimo restaurante, pode conferir que a residência deveria ter sido muito confortável pois a planta além de ser boa é de uma metragem bem razoável. Outra coisa interessante é a vista, para a outrora elegante e atualmente bem largada rua Conselheiro Crispiniano, a qual conheci no começo da minha vida adulta como a “rua dos fotógrafos”.

O imóvel há muitos e muitos anos é sempre pintado na mesma cor alaranjada com detalhes e janelas em branco, o que é possível observar nas fotos aqui publicadas. A preservação da originalidade se dá especialmente no andar superior, uma vez que no nível da rua já foram feitas modificações. Outro detalhe que me lembro é a escada, com seus degraus em mármore.
Infelizmente o restaurante não sobreviveu à pandemia e encerrou suas atividades no começo de 2021. Pouco tempo depois a loja que funcionava no térreo também fechou, deixando o imóvel atualmente vazio e um pouco menos cuidado, com as pichações tomando por completo as portas comerciais e a parede de granito. Lamentavelmente ao fecharem o restaurante deixaram para trás duas plantas na sacada, que agonizam dia após dia sem uma gota de água.

Espero que os dois pontos disponíveis neste sobrado sejam novamente alugados e que voltem a funcionar com o esplendor de antes. Não deixa de ser interessante imaginar se alguém ao invés de abrir algum comércio, toparia morar no andar superior… eu acho que encararia e você?
Respostas de 8
Não sei porque esses imóveis abandonados, o governo não doa para moradia popular. Ficam se deteriorando daqui a pouco vão ter que ser demolidos.
Bem bonito o sobrado, que ótimo que foi preservado. Acho que não seria mal morar no andar de cima, não.
Boa tarde.
Tenho uma ótima notícia, o casarão voltou a funcionar de novo, sim. É um restaurante também mas com outro proprietário. A comida continua tão gostosa quanto era o Old House.
Hoje se chama Artes Restaurante.
Que bacana! Vou dar um pulo lá e atualizar a matéria em seguida, obrigado por avisar.
Nesse sobrado funcionou a Marmoraria Carrara (que mudou para la em 1914). A marmoraria era do meu bisavo; numeracao original 23-27 na rua Sete de Abril.
Olá Fernanda, como vai?
Que legal isso, você tem imagens?
Tenho uma foto sim, posso mandar para você postar? Qual seu email?
Douglas, eu trabalhei no edificio em frente (R. Cons. Crispianiano 29 – 13 A.) nos anos 50; era adolescente e nesta casa da 7, havia no meu tempo, uma livraria que eu era cliente e amigo de um dos atendentes de Rubens. Não sei se sabe, mas no 29 onde trabalhei logo que fizeram o edificio, era estudios da Ragio Record, antes dela ir para a Rua Quintino Bocaiuva; e no hall desse andar, ainda pude ver dois vitraux com desenhos alusivos da Record. Nesse predio havia os escritórios de um advogado e que foi ex-ministro do Getulio. Em frente a este predio no numero 20 se não me engano, o edificio era o Instituto dos Bancarios, antes da fusão dos IAPS com o INSS. Trabalhei muito tempo na 7 de abril, depois do laboratório de protese e depois fui para um escritório de engenharia no 252, depois mudamos para a Rua Nova Barão e de lá para os jardins e de lá mudei para trabalhar no Metrô em seu inicio de projetos. Abraço