Quem vai até o bairro da Penha pela Avenida Celso Garcia e chega à região subindo sua famosa colina não imagina que do lado esquerdo da chamada “Igreja Velha da Penha”, existiu o palacete que foi a mais a mais suntuosa construção já construída naquele bairro.

O Palacete (ou chalé) do Coronel Rodovalho (clique para ampliar)

De propriedade do célebre Coronel Rodovalho importante personalidade do cotidiano paulistano e detentor à época do monopólio do serviço funerário da cidade de São Paulo, o palacete foi erguido nos primeiros anos do Século XX e era uma das referências arquitetônicas da Penha e foi palco de uma curiosa polêmica que o acompanhou por longos anos.

Do lado oposto do palacete existia a antiga estação ferroviária da Penha e quem vinha da área mais a norte do bairro ou mesmo de cidades vizinhas como Guarulhos e não quisesse dar uma longa volta no centro da Penha para chegar na estação, poderia fazer a travessia de um lado da colina para o outro através de uma passarela construída pelo Coronel Rodovalho (veja na foto abaixo) que ligava ambos os lados.

Na imagem é possível ver a passarela, a estação infelizmente não aparece na foto

Entretanto, tal qual nos primórdios do Viaduto do Chá, onde se cobrava o valor de 3 vinténs para realizar a travessia, aqui também era necessário pagar um pedágio. No entanto, diferentemente do célebre viaduto paulistano que era uma obra pública, a passarela da Penha era uma propriedade particular.

Infelizmente existe pouca literatura a respeito e não foi possível descobrir nem o valor que era cobrado para realizar a travessia ou mesmo por quantos anos a travessia funcionou.

O QUE OCORREU COM O PALACETE ?

No Palacete viveram três gerações de Rodovalhos, sendo eles o Coronel Antonio Proost Rodovalho (seu construtor), seu filho Rodovalho Júnior além de Rodovalho Neto. Dos três, os dois primeiros foram agraciados com seus nomes em ruas na Penha e o último com uma em Parelheiros.

O palacete e sua passarela vistos por outro ângulo (clique para ampliar)

A decadência da palacete deu-se início após o falecimento de Rodovalho Jr em 1940. Seu filho Rodovalho Neto optou alguns anos após a morte de seu pai a viver em outra região da cidade, motivo que levou o imóvel a iniciar uma lenta e progressiva deterioração, que o levou inclusive a ser conhecido no bairro como “mal assombrado”.

Sua demolição ocorreu na década de 1960, quando seu terreno serviu de base para edifícios residenciais que estão lá até hoje.

A EXTINTA ESTAÇÃO DA PENHA

Nota sobre a inauguração da velha estação em 29/08/1886

Quando se fala de “antiga estação da Penha” muitos vão se lembrar de uma estação da Central do Brasil (posteriormente CPTM) poucos metros adiante da Estação Penha do Metrô inaugurada em 1894 e que funcionou até o ano 2000, sendo demolida anos mais tarde. Era chamada de Guaiaúna, posteriormente renomeada para Estação Carlos de Campos.

No entanto 8 anos antes, em 1886, foi inaugurada outra estação que veio a ser a primeira da Penha, em um curto ramal que saía da linha tronco da Central do Brasil indo bem próxima ao centro do bairro.

O mapa abaixo, de 1916, mostra o desvio e também a localização da extinta estação:

A “Rua da Estação” corresponde à atual Rua General Sócrates

De acordo com os registros do excelente site Estações Ferroviárias a estação permaneceu em atividade até meados de 1915, sendo que posteriormente foi desativada e demolida. A Rua da Estação posteriormente foi renomeada para General Sócrates, que permanece até os dias atuais.

Apesar de não existirem mais indícios da existência da velha estação, há resquícios do velho ramal ferroviário apresentando no mapa em algumas ruas do bairro, como trilhos (dentro do quintal de uma casa) e também muros de arrimo feitos de pedra na Rua Irapucará. A velha estação ficava aproximadamente onde hoje está localizado o Hospital da Beneficência Portuguesa (altura do número 145 da Rua General Sócrates).

Bibliografia consultada:
Correio Paulistano – Edição 9004 – 29/08/1886 pp 4
Chalés Paulistanos – Campos, Eudes – Link visitado em 12/10/2020
Estações Ferroviárias – Link visitado em 04/11/2020

Sobre o autor

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, é presidente do Instituto São Paulo Antiga e membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP).

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Comentarios

  • Francisco Moura DA Silva Filho 04/11/2020 at 13:41

    TEM A ESTÓRIA DO PADRE JOÃO, QUE FOI MORTO POR UM BANDIDO NO FIM DA CELSO GARCIA, A COMOÇÃO GEROU O NOME DA RUA PADRE JOÃO.

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  • nardo2018 04/11/2020 at 13:56

    Excelente recorte histórico, a cada publicação aprendo mais. Muito obgdo pelo compartilhamento.

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  • Marcelo Bruno Rodrigues 04/11/2020 at 15:02

    Que perda de um imóvel tão lindo, pelo menos na fachada! Mais uma casa com mirante aberto à base de colunas e arcos que se foi!

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  • Claudio Moreira 05/11/2020 at 11:57

    Uma reportagem muito legal ! Reparei que as duas primeiras fotos mostram momentos diferentes do palacete: a primeira deve ser a construção original. Na segunda já podemos ver um “puxadinho” que construiram eliminando inclusive a entrada principal do imóvel. Com certeza deixou o palacete mais feio – uma pena.

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  • Micgel nishi 05/11/2020 at 14:05

    Morei no bairro da Penha estudei no grupo Santos Dumont liceu Santo Afonso e no Ateneu Rui Barbosa morei na rua ladeira coronel rodovalho que saudades……

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  • Paulo Clístenes Vieira da Silva 05/11/2020 at 21:15

    Um bom trabalho de pesquisa!

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  • Fernando Souza 06/11/2020 at 08:27

    Muito legal!!! Parabéns pelo trabalho!!

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  • Belarmina PEREIRA CAVALCANTE 06/11/2020 at 12:20

    Muito bom saber da história de alguns bairros em SP.Mas não conhecia essa, nasci bem próxima Vl Matilde.

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    • Henrique acacio 06/11/2020 at 20:45

      Morei na Penha nos anos 60 a 80, na rua Guaiauna. Estudei nós Escola Santos De um monte,Padre Antão no Liceu Santo Afonso. Conheço bem as histórias sobre o bairro , e até vive alguns momentos desse passado tão saudoso da Penha.

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  • Kleber Melo 06/11/2020 at 20:10

    Faltou dizer que o muro que sustentava a tal passarela continua intacto.

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  • Joao Marcos Turnbull 12/11/2020 at 22:03

    Douglas, uma duvida: no mapa da estação, dá impressão que o palacete está depois da Rua da Estação… se essa rua é a atual General Sócrates, não seria onde tem um imovel da Comunidade Católica Eucaristós?

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  • Missi 16/12/2020 at 00:17

    Aquela ponte ferroviária da Penha é bem antiga, e está lá até hoje.

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  • Altair Francisco 28/01/2021 at 16:47

    A história e memoria desse baiŕro é fantástica. Durante um período foi sede do governo. E hoje ainda tem muito dessa história.

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  • Carlos 18/03/2021 at 15:57

    Nem sei como cheguei nesse site, mas sempre retorno para ler as saborosas matérias que ele contém. E como viajo! Os textos são primorosos e a paciência da pesquisa mostra o grande carinho do “dono”. Parabéns.

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  • Cleia 07/04/2021 at 00:15

    A historia da Penha é maravilhosa, muito rica em fatos, afinal é um dos bairros mais antigos de SP, esse palacete deveria ter sido tombado era lindo.

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  • Eliana rita 10/04/2021 at 00:17

    Esse palacete ficava aonde hoje é o posto de saude da penha?

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    • Douglas Nascimento 12/04/2021 at 11:53

      um pouco mais abaixo, onde estão os prédios

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