Laboratório Paulista de Biologia

Sempre que pensamos nos lugares que tiveram casas diferenciadas em São Paulo temos a lembrança de alguns locais como a Avenida Paulista, Higienópolis e Ipiranga.

Outros lugares da cidade foram destaque também como a Praça da República que teve mansões espetaculares, nas proximidades como a Rua São Luiz, hoje Avenida São Luiz, que foi um lugar com residências belíssimas, porém, poucos registros restaram das transformações que mudaram radicalmente a paisagem daquela região.

Efetivamente não existem muitos registros deste passado, a não ser em poucas fotos e cartões postais.

Avenida São Luiz em meados da década de 1940

Por conta disso algumas fotografias acabam sendo intrigantes, pois há uma certa dificuldade em se achar não só a localização, mas muitas vezes o que seriam as construções que só restaram naquelas antigas imagens.

Este foi o caso de uma fotografia tirada do alto (foto abaixo), da atual Praça D. José Gaspar onde pode ser visto um grande prédio atrás de uma bela casa que dava sua frente para a Rua São Luiz. O que seria? Residencial, comercial?

Na foto o prédio está à esquerda, atrás de um palacete (clique na foto para ampliar)

Aí começa a aventura de pesquisar e se surpreender com as revelações que fizeram ressurgir a história de um dos mais importantes laboratórios farmacêuticos de sua época.

Tudo se inicia em 1924 quando então foi criado, pelos Drs. Ulysses Paranhos e Antonio Carini, o Laboratório Paulista de Biologia, inicialmente instalado na Rua dos Timbiras, 2.

Numa época onde as patentes farmacêuticas eram ainda muito frágeis, o instituto era aparelhado para fabricar os mais diversos tipos de medicamentos, tais com pomadas, xaropes e até o conhecido Maracugina que até hoje é usado para “acalmar os nervos”.

Posteriormente o instituto se muda para a Rua São Luiz, 161 e se instala no belíssimo palacete Souza Queiróz, situado numa parte da já desmembrada chácara do Barão de Souza Queiróz.

Na foto, o Palacete Souza Queiróz já sendo ocupado pelo laboratório (clique para ampliar)

As atividades do instituto eram cada vez mais crescentes e a necessidade de espaço foi resolvida pela construção de um prédio atrás do palacete, uma nova construção de quatro andares, medindo 42 X 18 metros e cujo projeto e construção foram realizados pelo Engenheiro José Chiappori.

A inauguração das novas instalações se deu no domingo, dia 9 de agosto de 1936 com a presença do Bispo Auxiliar de São Paulo, D. José Gaspar de Affonseca e Silva, que ao cortar a fita inaugural, deu por inauguradas as novas instalações do laboratório

Na Palacete Souza Queiróz e, ao fundo, o novo prédio do laboratório (clique para ampliar)

O casarão e o prédio do laboratório sobreviveram a toda a transformação pelo qual passou aquele espaço na década de 1940 e posteriormente, no início da década de 50 quando o espaço tomou sua forma definitiva, abrigando a Biblioteca Municipal e a Praça Dom José Gaspar, assim batizada em 1949.

O instituto era descrito na época como um dos mais bem aparelhados institutos de pesquisa e Industria científica e era composto por um departamento técnico com análises clínicas e industriais, um departamento industrial para fabricação de soros, vacinas, produtos opoterápicos, ou seja, aqueles produtos fabricados a partir de glândulas hormonais de origem animal além de uma “Secção de Hypotermia”.

Fructosalina, um dos produtos do Laboratório Paulista de Biologia

Mas o centro de São Paulo crescia numa velocidade tal que estes casarões da Avenida São Luiz foram engolidos sem deixar rastros, e assim foi com o palacete Souza Queiróz e com o prédio do instituto que deram lugar ao edifício e galerias Metrópole, um projeto de 1959 que foi entregue em 1964.

Na foto o palacete e a fábrica (ao fundo) além da casarão visível antes de serem demolidos e, na extremidade direita da foto, as árvores da Avenida São Luiz (clique para ampliar)

O laboratório, já em meados da década de 1950 havia encomendado novas instalações ao arquiteto Rino Levi que projetou um complexo industrial na Rua Maria Cândida, 1.693 (Vila Guilherme) que foi construído entre 1957 e 1959 e que hoje é tombado, sendo o prédio atualmente ocupado por uma universidade.

Com as normas internacionais relativas a patentes ficando cada vez mais rígidas, o progresso internacional no desenvolvimento de novos medicamentos e a consequente obsolescência do laboratório fez com que o então Laboratório Paulista de Biologia S/A acabasse, em 1966, sendo absorvido pelo também brasileiro Instituto Pinheiros de Produtos Terapêuticos, o maior laboratório nacional da época. Porém, já em 1972, este também não resistiu e foi vendido para a Sintex do Brasil, uma indústria farmacêutica de origem norte-americana.

Veja mais imagens:

Bibliografia:
* Revista FAPESP – Uma indústria que já teve remédio – Link visitado em 27/09/2021
* O Estado de S.Paulo – edição de 11/08/1936 pp 10
* Almanack das Famílias – 1937. Ed. do Laboratório Paulista de Biologia. Col. José VignoliLista de Assinantes São Paulo, 2ª. Edição de 1945. Col. José Vignoli

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2 respostas

  1. De fato uma casa muito charmosa. Se tivessem preservado podia ter sido um espaço cultural. No Rio continua na mesma casa a sede da Casa Granado há ins 150 anos.

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