José Carlos Pace – 45 Anos de Saudades

Autódromo de Interlagos – um espaço recheado de disputas e emoções que acompanha a história do automobilismo brasileiro – leva o nome do piloto José Carlos Pace, mas você conhece um pouco da sua história?

Piloto da Fórmula 1, Pace nos deixou muito cedo, aos 32 anos, deixando um grande legado mesmo não sendo campeão mundial. Começou sua carreira no kart incentivado por seus amigos, os irmãos Emerson e Wilson Fittipaldi. 

Com persistência e garra, Pace foi ganhando espaço no automobilismo e em 1970 foi para Europa, onde começou na Fórmula 3 e já na primeira corrida conquistou o 4º lugar. Os olhos de lince de Frank Willians acompanhou o seu desenvolvimento e no ano seguinte, assinou contrato com a sua equipe de Fórmula 2.

Não demorou muito para o Moco (seu apelido) crescer profissionalmente e sentir que a Fórmula 2 estava ficando pequena para sua ambição. Partiu para Fórmula 1 onde foi conquistando cada vez mais espaço na equipe Williams. José Carlos Pace passou também pelas equipes Surtees e Brabham onde conseguiu uma linda vitória no ano de 1975 no Autódromo de Interlagos. Na segunda colocação ficou o seu amigo Emerson Fittipaldi. 

José Carlos Pace e sua Brabham

Persistente, entre os erros e acertos da sua equipe, Moco foi acertando o carro até que em 1977 ele sentiu que seria um ano muito promissor. O carro estava mais leve, a equipe de mecânicos afinou o motor e a chance de ser campeão mundial estava tornando-se realidade. 

José Carlos Pace era amigo do também piloto e empresário Marivaldo Fernandes. Em dupla, no ano de 1969, venceram os 1000 km de Brasília e os 500 km de Salvador. Seu amigo possuía uma fazenda em Araraquara que Pace e sua família constantemente frequentava.

Em 18 de março de 1977 Fernandes, Pace e o piloto de avião Carlos Roberto de Oliveira saíram do Aeroporto Campo de Marte a bordo no monomotor Sertanejo, prefixo PT-EHR, com destino a fazenda de Marivaldo onde a família de Pace os esperava. A visibilidade estava péssima, a chuva forte e o pior aconteceu. O avião estava voando baixo na Serra da Cantareira, região de Mairiporã e acabou colidindo com uma árvore no alto de um morro. Os três tripulantes morreram na hora. 

O avião no local da queda em Mairiporã

A morte ceifou a vida de Pace acabando com o sonho de um dia ser campeão do mundial de Fórmula 1. Moco foi sepultado na capital paulista, no Cemitério do Araçá. Um lugar triste, ermo por naturalidade, mas que não se compara quando o visitamos recentemente nesta que é a sua última morada.

Familiares, populares e a imprensa no sepultamento de José Carlos Pace em 18/03/1977

O jazigo-capela está com aparência de abandonado e sofreu muito com o vandalismo. Com diversos ataques, seu túmulo é o reflexo de uma sociedade que não valoriza a história. Argamassa caindo, muita sujeira, bolor nas paredes e no teto. Buracos feitos para tentar violar não só o túmulo dele como o de outros lá sepultados, em busca de dentes de ouro ou mesmo anéis.

Infelizmente, todas as placas de identificação dos familiares foram arrancadas, salvo de uma do próprio José Carlos Pace, que provavelmente só não foi levada por estar no alto do jazigo. A mesma sorte não teve a placa de bronze que estava ao lado direito do mausoléu com um lindo poema enfatizando a tristeza que Pace deixou.

Na galeria abaixo você confere as fotos atuais do túmulo de Pace, as duas primeiras fotografias mostram o exterior e o interior da capela, já a última o lindo epitáfio em sua homenagem que foi furtado (clique na fotografia para vê-la ampliada).

Assista ao vídeo que fizemos em nossa visita ao túmulo de José Carlos Pace:

Bibliografia:
* O Estado de São Paulo – Edição de 20/03/1977 pp 47
* Manchete – Edição especial B de 1972
* Manchete – Edição 1190 de 1972
* Manchete – Edição 1302 de 1977
* Conexão Saloma – Link visitado em 17/03/2022

Agradecimentos:
Daniel Granja
Wlademir de Carvalho

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12 respostas

  1. Fico desconcertado – talvez esse seja a palavra que melhor defina a minha reação – ao ver o estado do túmulo do Moco.
    Não digo “surpreso”, pois o abandono é a regra; mas digo desconcertado porque o túmulo merecia estar em condições muito melhores (e todos merecem isto, famosos ou anônimos) e não saqueado e depredado.

    Pace foi um esportista de talento, não poderia ser esquecido. Claro, seria um exercício de imaginação dizer que ele seria campeão em 77/78; porém, tudo indica que ele, se não tivesse perecido tão jovem, poderia ter ido muito longe na F-1 e em outros esportes a motor. A Brabham estava cada vez melhor e mais afinada por ele.

    Ao menos sobrou a imagem da bela placa legada ao Pace, merecida homenagem a quem se foi muito jovem e em uma fase altamente promissora da carreira. Digo o mesmo de Marivaldo (e do infortunado piloto da aeronave), pereceram todos numa tragédia daquelas que desconcertaram o mundo da F-1 naquele já distante ano de 1977.

    Ainda há tempo de corrigir este abandono, reparar o túmulo e torná-lo digno. E o trabalho de vocês aqui é fundamental para nos lembrar da importância história dos que já se foram.

    Ótima postagem, como sempre!

  2. Neste caso o desleixo é causado pela família, é aquela coisa .. depois que repartiram o bolo .. que se ph da o resto

  3. Parte do Povo brasileiro realmente não têm noção de civilidade, o que fazem em suas latrinas acham que podem fazer no público. Fazer uma coisa dessas ou é débil mental (que deveria estar internado no juqueri ou algo similar) ou tem parte com o capiroto e dessa forma tem que ser que queimado.

  4. Não existe em SP um cemitério sequer que não esteja vandalizado, desde os mais elitistas como os de periferia….excetuando-se os cemitérios jardins ou ‘parques, está tudo muito feio, às moscas. Faltam funcionários, seguranças e câmeras, tornando esses ambientes ainda mais deprimentes!

  5. Que lástima! A quem culpar por esse desleixo vergonhoso? A família, a Prefeitura, a um povo que não preserva suas tradições?

    1. Na minha opinião Prefeitura e povo. A família cuja perda foi enorme não tem nenhuma responsabilidade até porque o cemitério não é dela. Alguns dos meus entes estão num cemitério do Imirim. Deixei de visitar em função da falta de manutenção que não cabe a mim fazer. Porém jamais destruí algo num local como esses, pois tenho Deus dentro do meu coração.

  6. José Carlos Pace foi uma promessa não cumprida de sucesso na Fórmula 1, que não tivesse a sua vida ceifada trágica e precocemente, talvez tivesse hoje seu nome imortalizado no panteão dos grandes campeões das pistas, ao lado de Juan Manoel Fangio, Jackie Stewart, Allan Prost, Michael Schumacher, Lewis Hamilton e claro, do nosso lendário Ayrton Senna e também dos icônicos Nelson Piquet e Emerson Fitipaldi, como em História não existe a figura do se jamais saberemos ao certo até onde ele poderia ter chegado, o fato é que seu futuro mostrava ser bastante promissor.

  7. José Carlos Pace foi uma promessa não cumprida de grande sucesso na Fórmula 1, cujo nome hoje poderia figurar no panteão dos grandes campeões desse esporte, como em História não existe a figura do se jamais saberemos ao certo até onde teria chegado, fato é que no momento de sua morte seu futuro mostrava ser bastante promissor.

  8. Que vergonha nesta hora eu tenho vergonha de se Brasileira nunca vi uma população tão sem noção

  9. Quando eu voltar morar no Brasil eu vou fazer uma campanha para cuidar o tulmulo dele já que ele representou muito bem o nome do Brasil eu era muito jovem e canse de ver as corridas que ele fazia lembro até hoje da morte de foi muito triste

  10. Grande e digno representante do nosso país nas corridas, porém, sua memória encontra-se desprezada!

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