Estação do Brás (velha)

Se existe atualmente uma estação confusa em São Paulo, com certeza é a do Brás. E não me refiro a isso devido a toda aquela multidão que circula por ali todos os dias, ou pela correria ao redor dela, no Largo da Concórdia, mas sim pelo diversos nomes que ela já foi chamada.

Estação do Norte, Roosevelt e mais atualmente Brás, todos esses nomes daquele grande complexo ferroviário e metroviário que ali está. Mas você sabia que ali originalmente são três estações e não uma só ? Bem, vamos detalhar essa história mais um pouco e focar neste artigo na mais antiga delas.

Estação do Brás, a velha, em fotografia do ano de 1900. À direita está esquerda a outra estação ferroviária (clique para ampliar).

A Estação do Brás foi inaugurada em 1867 juntamente com a principal da cidade, a Luz. Pertencente a então São Paulo Railway a estação servia para escoar produções agrícolas (majoritariamente café), e transportar passageiros de/para o porto de Santos.

A Estação do Brás ficou nessa condição de solitária no bairro por quase uma década, até que em 1875 foi inaugurada a segunda da região, a chamada Estação do Norte, esta aberta por fazendeiros do Vale do Paraíba, para escoar sua produção de café para o mesmo porto de Santos. Esta segunda linha férrea vamos abordar em outro artigo à parte.

Voltando a primeira Estação do Brás, ela foi instalada na então chamada Rua da Cruz Branca. Essa rua seria renomeada em 1895 para Rua do Norte (em referência a outra linha ferroviária) e em 1916 para Rua Domingos Paiva, este último permanecendo até os dias atuais.

A estação antiga atualmente: Hoje é apenas mais uma entrada ao complexo da Estação Brás

Com o tempo a São Paulo Railway cresceu e esta estação passou a ser apenas mais um entre tantas do percurso de Santos a Jundiaí. Ela permaneceria separada da outra linha vizinha até o ano de 1946, quando a concessão governamental feita aos ingleses encerrou-se e tudo passou a pertencer à União, agora com o nome de Estrada de Ferro Santos-Jundiaí (EFSJ).

Na década de 1970 a linha da EFSJ foi repassada a pertencer à Rede Ferroviária Federal (RFFSA) e juntamente com elas todas as estações, inclusive a pioneira do Brás. Apesar disso elas já estavam integradas, podendo de uma acessar a outra e vice-versa. Em 1979 a região ganharia uma terceira estação, ao fundo destas duas, também chamada Brás. Porém esta é do Metrô e por longos anos não era integrada com as de trem, sendo necessário comprar outra passagem para o embarque. Atualmente não há mais nenhuma restrição de baldeação entre as três linhas.

Detalhe do telhado na entrada da primeira estação do Brás (clique para ampliar)

Hoje todo o complexo das três estações pertence a CPTM, entretanto a última que passou para as mãos desta companhia paulista foi justamente a pioneira estação do Brás de 1867, cuja primeira matrícula do terreno estava em nome do Barão de Mauá, que foi quem convenceu o império a fazer a linha férrea. O repasse das mãos do governo federal para São Paulo ocorreu apenas em março de 2021.

A estação do Brás é tombada como patrimônio histórico de São Paulo.

CURIOSIDADE: O RAMAL DO HIPÓDROMO

Passageiros aguardam o trem na extinta parada do Hipódromo, ao fundo o Cotonifício Crespi

O primeiro hipódromo de São Paulo funcionou no bairro paulista da Mooca até o final do ano de 1940, sendo até então um importante palco de corridas de cavalos, desfiles e outros eventos. A relevância do hipódromo para a cidade era tão grande que poucos tempo depois da inauguração do então Clube de Corridas Paulistano, em 1875, foi feito um curto ramal ferroviário ligando a primeira estação do Brás até a Rua do Hipódromo, quase na entrada do local.

O mapa de São Paulo a seguir, do ano de 1895, mostra o percurso do Ramal entre o Brás e a Mooca:

clique no mapa para ampliar

Essa ramal ferroviário foi desativado e teve seus trilhos removidos com a mudança do hipódromo para a zona oeste da capital. Os bondes que ali passavam, ao lado do trem, continuaram e a via passou a se chamar Rua dos Trilhos, nome que se mantém até hoje.

Bibliografia consultada:

SPR – Memórias de uma inglesa – Lavander Junior, Moysés e Mendes, Paulo Augusto – pp 314
Site Estações Ferroviárias – Link visitado em 23/02/2022
Dicionário de Ruas – Link visitado em 23/02/2022
O Estado de S.Paulo – Link visitado em 23/02/2022

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10 respostas

  1. Quando criança (década de 50), visitávamos um tio em Saõ Caetano e na volta o ônibus descia a R.Bresser até a Silva Telles rumando pra João Teodoro,Av. Tiradentes, Av. da Luz (atual Prestes Maia) e fazia ponto sob o Viaduto Sta. Ifigênia.Lembro-me dos muros caiados de branco e da placa “Rua do Hypodrommo”.Mais tarde, na década de 60 trabalhei na R. do Hipódromo exatamente na porteira pois era empregado das Industrias Reunidas Irmãos Spina (IRIS).Tempo muito bom!

  2. Agora que voce mencionou isto, me vem a memoria algo de interessante.

    417 Waverly St, Framingham, MA 01702, Estados Unidos
    https://www.amtrak.com/stations/fra

    Quando os alugueis em Boston comecaram a disparar, a maioria dos Brazucas que escondiam ao redor de Boston ( especificamente Allston, East Boston, Somerville ), comecaram a procurar outros locais mais em conta para morar. Alem de Everett, Revere ao norte, e assentamentos em Worcester, muitos comecaram a se deslocar para o Oeste da Grande Boston, com enfase em Framingham MA.

    Na epoca, o Centro comercial de Framingham estava as moscas. E usando a sua Estacao do Bras, e este acontecimento, que trago duas estorias paralelas aqui…

    Uma delas, e de um Mineiro, o qual conheci num acerto de reuniao com um hindu, o qual fiquei sabendo ser Macon ( o qual eu nao sou ) , e outrora contador no Brasil. Presumo que o tipo deu duro, juntou as economias para abrir o seu escritorio, e o fez no Centro de Framingham. Predio antigo, bonito, em tijolo exposto, na fachada. Alugueis baratos. Predio quase vazio.

    No entanto, um dos vizinhos no tal predio comercial era uma banda de rock que havia alugado sua sala para ensaios da banda.

    Ai e que a paz de espirito do Mineiro foi pro ralo, os musicos nao tinham horas para ensaiar. A umas tantas, o tal Mineiro perdeu a paciencia, foi se entender com o Senhorio, o dono do predio, para se queixar. O Senhorio deu de ombros, afinal, o cheque do aluguel do roqueiro era tao bom como o do guarda livros Mineiro.

    Como bom Mineiro que ele era, ele nao se deu por vencido, e partiu para conchavo, no qual os Mineiros fincam sua reputacao. Assim, propos ao dono… “Se eu encher o predio de inquilinos, o Senhor se livra do Roqueiro?”. O Dono topou a parada, e, ate aonde me lembro, o predio tinha agencias de viagem Brazucas, contador, firminhas de informatica, consultorio dental. Tudo Brazuca. O Roqueiro, bom, este teve que arrumar uma garagem fria por ai.

    Agora, a breve estoria da estacao……

    Que por sinal continua funcionando como parada do “Commuter Rail” ou parada de trem ( um equivalente a nossa CPTM com mais conforto nos carros ). A maioria dos Americanos a usa, ou usava pos COVID, para ir trabalhar no Centro Financeiro de Boston. E bom salientar, que, enquanto os Brazucas se enfornam a volta do Centro, os Americanos ficam mais espalhados, a volta da Estrada 20, 9.

    Porem, a estacao final cai no Centro Financeiro ( South Station https://www.south-station.net/ ), e mesmo Framingham nao sendo afastada, e muito comum se ver tipos com capa gabardine ( todo homem que trabalha no Centro Financeiro tem sua capa Gabardine no braco , do outonno a primavera em voltando do trabalho no trem ) voltando para casa. O mesmo se dava em New York, em direcao a New Haven . Saem de Grand Central, e vao dar na “Golden Coast”, em Connecticut aonde sua esposa trofeu, prole, os espera.

    Bom, a estacao de Framingham era enorme, com estruturas trelicadas, e um formidavel pe direito, em construcao de virada do Seculo XIX, tijolo esposto. Rustica, limpa, e bonita.

    Dai um Brazuca e um Porto Riquenho, se juntaram, conseguiram, alugar a parte coberta do salao de espera da estacao ( os trens continuam vindo ), esta estacao as moscas. Abriram uma Churrascaria Rodizio. Por algum tempo foram indo ok, infelizmente, por razoes que desconheco, entregaram os pontos ). Muita gente pegava comida la, e levava para casa. Mas que comer la era agradavel, e a comida era decente, la isto era. Nao estamos falando de banca de salgadinhos. Estamos falando de restaurante, com garcons, cozinheiros, comida preparada ali.

  3. Eu confesso que nunca entendi o por quê de haver duas estações de trem na Luz, uma ao lado da outra: a Sorocabana, belíssima, que agora é a Sala São Paulo, e a própria e famosa(e belíssima) Estação da Luz. No meu imaginário, o edifício da Sorocabana deveria ser outra estação ali na região central: a Barra Funda.
    Agora vem essa matéria explicando que no Brás havia duas estações de trem, vizinhas…Realmente, desnecessário isso. Eles poderiam aumentar, readequar a Estação, adaptar…mas pra que construir outra praticamente no mesmo local?

    1. É porque àquela época as estações pertenciam à ferrovias concorrentes, capitaneadas pelos barões do café, que com o passar do tempo e o declínio da atividade cafeeira, também entraram em declínio e se não tivessem sido estatizadas hoje não haveria um único quilômetro de ferrovia em atividade.

        1. Concordo, mas para se entender o porquê é preciso a contextualização histórica, espero tê-lo ajudado.

    2. Na epoca em que foram erguidas, o transporte ferroviario era tudo. Nem todo mundo dispunha de carro na garagem.

      E cada sistema ferroviario usava sua bitola e sinalizacoes especificas.

      A Sorocabana era uma concessao, enquanto a antiga RFFSA era outra concessao, ambas operadas por concessionarios diferentes, com rotas distintas.

  4. Conjunto de prédios públicos muito bonitos, ao meu ver mantendo as características originais.

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