Existe um número razoável de edificações antigas espalhadas na região central de São Paulo, especificamente no bairro da Sé, que foram construídas nos primeiros anos e décadas do século 20 e que se encontram ou vazias ou ocupadas de forma irregular por movimentos de moradia. Todas elas, como esta na rua Quintino Bocaiúva que já mostrei anteriormente, tombadas como patrimônio histórico municipal e que mereciam melhor atenção. Outra, que apresento aqui neste artigo, é esta pequeno prédio a seguir:

Construído nos alvorecer do século 20, este pequeno edifício de dois andares está localizado no início da rua Riachuelo. Trata-se de uma construção histórica e que já teve diversas ocupações ao longo do século passado e que está vazia desde 2022, quando uma agência bancária desocupou o térreo. Já os andares superiores estão fechadas, ao menos, desde 2014.

A estrutura do imóvel consiste em dois acessos independentes aos andares superiores, um em cada extremidade do imóvel, onde provavelmente uma entrada leva ao primeiro andar e a outra ao segundo. Não é possível afirmar que é apenas uma sala ou apartamento por andar, ou se temos mais de uma.
A fachada encontra-se em bom estado de conservação, necessitando de um nova pintura para recuperar o vigor de outrora. No passado recente o imóvel já foi pintado de uma cor marrom, que não valorizava a edificação. O branco, apesar da impressão inicial “chapada”, dá um ar mais clássico.
São diversos os detalhes e ornamentos da fachada, com destaque no topo da construção para a figura de duas esfinges gregas. Na mitologia dos gregos as esfinges guardavam a entrada de Tebas e questionava os viajantes com um enigma. Caso errassem, eram estrangulados e devorados.
Abaixo mais duas fotografias do edifício (clique para ampliar):


No passado esse imóvel abrigou diversos estabelecimentos como a Irmãos Tosi, a Marchetti & Bertoncini, a Casemira Astrotex Ltda e a Escola Profissional. O último ocupante, até o presente momento, foi o Banco Itaú.
Torço muito para que esse imóvel volte rapidamente a ser alugado, por inteiro, e possa contribuir para uma maior e melhor ocupação do centro histórico de São Paulo. No entanto a falta de políticas claras e eficientes para a região central por parte da prefeitura paulistana tende a manter imóveis como esse vazios por um bom tempo.
Respostas de 4
Espero que conservem por muito anos ainda.
Uma agência bancária passa pra mim uma certa segurança quanto à conservação. Talvez porque o investimento e “o nome a zelar” pela instituição, confiram um maior cuidado com a preservação. Mas isso, claro, se o banco não comprar e mandar reformar tudo.
Gostei muito de ver essas edificações. Passei muitas vezes pela região sem parar para observar essas belezas.
Gosto muito dos seu artigos. Sempre admirei essas obras antigas elas tem muitos detalhes lindos que as obras de hoje em dia não tem. Quando eu trabalhava no centro de São Paulo e passava na Rua 25 de Março tinha um prédio em especial que eu achava lindo. Ele tinha buço de homens segurando os pilares do prédio. Não sei se esse prédio ainda existe espero que sim. Faz anos que não passo por lá. É triste ver que aos poucos eles estão sendo demolidos.