Doce de Figo, uma sobremesa paulista e imperial

Esta semana pretendia apresentar uma receita salgada, porém, ganhei lindos figos verdes do amigo Paulo Goya, colhidos de uma figueira plantada no quintal de sua residência, o Casarão do Belvedere, construído em 1927.

Situado na rua Pedroso, o casarão é um dos belos exemplares do bairro da Bela Vista e possui além de uma arquitetura encantadora, uma grande número de plantas e árvores, entre elas a figueira que fica aos fundos do imóvel e que é mais antiga que a própria residência.

A figueira fica aos fundos do Casarão do Belvedere, na rua Pedro.
A figueira fica aos fundos do Casarão do Belvedere, na rua Pedro.

Não podia deixar a oportunidade escapar e resolvi preparar a sobremesa preferida do Imperador Dom Pedro II, de acordo com várias citações em livros de história: O doce de figo, ou doce de figo verde (e também conhecido como compota de figo).

Esta sobremesa deliciosa estava sempre presente na mesa do paulista e também foi servida, entre outros quitutes, na festa de casamento da Marquesa de Santos com seu primeiro marido, Felício Pinto Coelho de Mendonça.

A culinária paulista está repleta de compotas, que são frutas cozidas em calda de açúcar e especiarias, geralmente preparadas com goiabas, marmelos, abóbora e até limão-cravo. Eram as sobremesas mais comuns nas casas de fazenda, acompanhadas por bolos e biscoitos.

Nossos figos que irão virar uma saborosa sobremesa (clique na foto para ampliar)
Nossos figos que irão virar uma saborosa sobremesa (clique na foto para ampliar)

Pesquisei várias receitas desta sobremesa típica e trago aqui uma das mais simples.

Ingredientes:

  • 800 gramas a 1 quilo de figo verde
  • 800 gramas de açúcar cristal + 3 colheres (sopa) para caramelizar
  • De 5 a 6 cravos das índia 
  • Água em quantidade que baste

Modo de preparo:

Corte o excesso dos cabinhos dos figos (eu deixei aproximadamente 4mm para ficar com uma aparência mais bonita).

Cuidado com o leite do figo, ele é pegajoso e queima as mãos. Lave bem as mãos logo após manusear os frutos verdes.

Faça um corte bem superficial em formato de cruz na base dos frutos (lado oposto ao cabinho).

Coloque os figos numa panela de fundo grande, cubra com água e ferva por 10 minutos. Note que o tom de verde vivo muda para mais amarelado. Isso é normal.

Remova a água quente da panela e deixe os figos esfriarem.

Repita esse passo mais 2 vezes. O objetivo de três fervuras é remover o leite amargo do figo. Você não precisa fazer todas as fervuras no mesmo dia, desde que conserve os figos na geladeira, para garantir que não se estraguem.

Após a terceira fervida, já com os figos frios, leve-os de volta ao fogo, cubra com 800ml de água misturados com o açúcar cristal e os cravos da índia. Deixe ferver.

Dica: Você pode usar o açúcar refinado comum se não tiver o cristal, mas o cristal deixa as caldas brilhantes, portanto seu doce vai ficar mais bonito se optar pelo açúcar cristal.

Enquanto a calda de açúcar ferve com os frutos dentro, prepare o caramelo que vai conferir cor ao doce: Em uma panela pequena, coloque as 3 colheres de açúcar e deixe-o derreter até ficar levemente “moreno”.

Cuidado: não deixe o açúcar escurecer muito e queimar, principalmente o açúcar cristal que esquenta muito depressa e passa de um ponto ao outro muito rápido. Se o caramelo escurecer muito ele fica amargo, descarte-o e prepare outro.

Quando o açúcar estiver derretido e começar a escurecer, acrescente aproximadamente 100ml de água e deixe-o diluir nela.

Ao adicionar a água fria no açúcar derretido, ela esquenta imediatamente. Tome cuidado para não respingar água quente em seus braços. O açúcar quente pode solidificar em contato com a água fria, não se preocupe, deixe ferver que ele diluirá. Pode ser que a água esgote e o açúcar ainda não tenha diluído, então acrescente água que seja suficiente apenas para derreter o caramelo sem fazer muita calda.

Esta calda, depois de diluída, ainda quente deve ser incorporada à calda na outra panela para que fervam juntas conferindo cor à mistura.

Finalmente deixe esfriar e leve à geladeira.

Armazene em vidros esterilizados com água quente e secos, ou em compoteiras.

O doce de figo já pronto para servir (clique na foto para ampliar)
O doce de figo já pronto para servir (clique na foto para ampliar)

O doce é consumido puro entretanto, eu particularmente gosto de consumi-lo com uma fatia de queijo minas frescal ou creme de leite fresco batido em ponto de chantilly. Seja lá como você preferir servir, ficará delicioso de qualquer jeito.

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6 respostas

  1. Conheço o doce de figo feito como nessa receita. Ele é excelente!
    O casarão da Bela Vista também conheço.Ele é maravilhoso!
    Ninguém mais constrói casas assim tão belas. Agora fazem prédios e casas igual um caixote, sem arte nenhuma.

  2. Ái, Heloisa, veio me dar água na boca, agora tenho que achar figos verdes correndo….hehehehe
    Obrigada…

  3. Heloísa faço os doces de forma diferente e com 80% de açúcar. Na confeitaria brasileira o excesso de açúcar é um dos pontos fortes seriamente criticados inclusive por viajantes como Saint Hilaire entre outros. O excesso de açucar se dava pelo fato de sermos um dos maiores produtores com nossos engenhos no nordestee que virou obra – Açúcar escrito por Gilberto Freyre no início do século passado – mas que com o passar as décadas, tornou-se um doce obsoleto nos cardápios de restaurantes da paulistânia que eram acompanhados com requeijão na década de 80. A produção dos figos se concentra pelo menos aqui no sul de Minas em dezembro e vai até fevereiro pelo menos no meu pé no fundo do quintal. A casa em qe moro há um pé que estava tristinho mas que estr ano com cuidado e carinho está repleto tanto de figos como folhas. Faço essa compota para fazer meus pães de figo que presenteio as pessoas por aqui e faz sucesso. Muitas pessoas não ligam ou não gostam dela dá para acreditar?
    Costumo assá-los na folha e se quiser vê-los como ficam, tenho instagram. @stela.vieira para matar a curiosidade!

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