Contando a Féria

Os monumentos espalhados por São Paulo são tantos que muitas vezes os paulistanos se deparam com alguma obra e se pergunta se ela já estava ali naquele lugar. Apesar de muitas esculturas da cidade mudarem de lugar, outras estão no mesmo ponto desde sua inauguração, mas acabam sendo pouco notadas.

Uma que muitos desconhecem é esta bela obra do escultor Ricardo Cipicchia:

Foto: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

Chamada de “Contando a Féria” e também pelo nome de “O engraxate e o jornaleiro” este monumento representa duas profissões antigas que eram majoritariamente exercida por garotos em tempos passados. A obra é feita de bronze com escultura em granito.

Inaugurada em 1950, a escultura foi idealizada quando seu autor estava sentado em um dos bancos da Praça João Mendes em meados da década de 40, e observou dois meninos, um engraxate e um jornaleiro, contando seus ganhos do dia.

O monumento acabou por ser instalado no mesmo lugar onde, segundo Cipicchia, a cena foi vista.

clique na foto para ampliar
clique na foto para ampliar

Chama a atenção na obra a tamanha expressividade dos dois meninos. Apesar de não ser um nome tão conhecido pelo grande público, Ricardo Cipicchia, tem um vasto e rico portfólio de esculturas, e possui algumas outras obras espalhadas pela cidade, como o “Ferroviários” ou “Pega do Porco“.

Tem algum monumento que você já viu em São Paulo e gostaria de saber um pouco mais ? Diga nos comentários.

Compartilhe este texto em suas redes sociais:
Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no linkedin
LinkedIn
Siga nossas redes sociais:
pesquise em nosso site:
ouça a nossa playlist:

14 respostas

    1. Estou completante de acordo.
      Aquì na Europa agora è a mesma ladainha com os “migrantes”, que nada sao que os immigrados clandestinos que a nova lingua “orwelliana” do politicamente correto quer chamar de “migrantes” (proximo passo serà de chamar-os de migradores, nem fosse um evento natural, como as andorinhas ..). Pode ter certeza que ninguem destes “crucificadores” vai fazer reportagem onde o trabalho infantil ainda existe (dentro do seu pais) nem onde a nova especie de “homem migrador” vai acabar de fazer o proprio “ninho”, ou seja bem dentro ao trabalho escravo que tanto alì como aquì engorda os mesmos que, nao por acaso, pagam os cruficadores para moralizar a sociedade …

        1. Peço desculpa, com certeza sou a pessoa menos indicada a postar cometarios complicados, nao sendo a lingua portuguesa a minha lingua madre.
          Queria dizer, a proposito de “politicamente correto”, que aquì na Europa o que antes chamava-se de imigrante, se fornecido de documentos, ou de clandestino, se nao fornecido, hoje chama-se geralmente de migrante (com ou sem documentos). Este deslizamento semantico nao è, pra mim, nem tao obvio nem tao inocente. Na verdade acho uma tentativa de “naturalizar” ou “normalizar” um fenomeno que è tudo alem de ser “natural” ou “espontaneo”, como a assonancia com o termo “migratorio” (es.:animal migratorio) queria sugerir, mas sim traumatico para todos e fruto de precisas politicas economicas e sociais. Afinal, acacebi percependo que a funçao da nova lingua do “politicamente correto” è exatamente esta, ou seja evocar outros e novos significados para velhos fatos, ou seja ainda, mudar a lingua para nao mudar a realidade que a lingua conta e descreve.
          Espero ter clarecido o conceito que tentava de espressar no meu comento acima.

  1. Caro Douglas. Cada vez que leio um de seus posts, me convenço da importância desta publicação para a cidade de São Paulo. Alegrou-me particularmente este de hoje, pois aquele monumento, dentre todos os outros desta nossa cidade é o meu predileto. Não creio que há quem o veja, que em si não desperte algum sentimento. Para mim é um dos mais comoventes e delicados. Parabéns por trazer a seu público leitor, lembrança do desta linda obra e do grande artista que foi o autor.

  2. Oi, Douglas, acompanho seu trabalho a frente do SPa, recebo regularmente os posts em meu e-mail e desejo imensamente parabenizá-lo pela iniciativa, pois como morador nascido nesta cidade, há 56 anos atrás, tenho acompanhado muito as mudanças pelas quais a cidade passou (umas para bem, outras para mau…). Ei, tem duas ruas acima da rua onde moro que se chama exatamente Ricardo Cipicchia, e agora lendo o artigo sobre a obra dele, fiquei feliz em ver desfeita a minha curiosidade por saber de quem se tratava; a estátua é simplesmente maravilhosa e de uma sensibilidade ímpar!!! Grande abraço deste amigo,

    Luiz Antonio

  3. A molecada daquela época começava a pegar no batente ainda pequenos para ajudar no sustento da família e nem por isso morreram ou se desviaram. No meu tempo a molecada começava a trabalhar com 13 ou 14 anos de office boy e hoje eles são proibidos por lei de trabalhar com essa idade, e com esse apelo consumista com que são bombardeados ininterruptamente vão partir para o roubo e o tráfico de drogas. Tenebrosos e tristes são o tempo em que vivemos.

    1. EMERSON: Diz a CLT que o menor pode trabalhar a partir dos 14 anos, mas só na condição de aprendiz, porém, a realidade hoje é que se veem poucos jovens com essa idade trabalhando por ai.

  4. Uma coisa que não pude deixar de observar na escultura. Os meninos estão descalços o que denota a condição social retratada, e o contraste justamente por ser um… engraxate.

    Excelente post Douglas! Gostaria de ver mais postagens deste tipo.

  5. Morando há pouco tempo em SCS, não conheço a miudeza de SP, sempre me apresentando sua grandeza… Mas desde que conheci o site, já não consigo passar por imóveis antigos ou detalhes de uma cidade sem lembrar do site, que, pra mim, é Top of Mind!! Com certeza vou visitar esse endereço do post!! Muito interessante!

  6. Interessante que essa escultura eterniza o momento dos dois garotos.

    Tem outras esculturas dele em Higienopolis e na praça Marechal Deodoro.

  7. Meus cumprimentos pelo seu trabalho, Douglas. Acompanho tudo aqui de Bruxelas, e mato a saudade do tempo em que morava em São Paulo. No caso específico deste monumento, embora tenha passado várias vezes pela Praça João Mendes ainda como aluno da Faculdade de Direito, não o tinha notado.

  8. Amei esta matéria; espero poder rever mais exposições, e também poder contribuir de alguma forma com o referido. Abraços!

Deixe um comentário!

%d blogueiros gostam disto: