Chalé – Rua Araquã, 70

A pequena Rua Araquã é um logradouro pouco conhecido dos paulistanos. Localizada no bairro da Bela Vista esta rua tem algumas casas bastante bonitas e que chamam atenção por serem grandes, confortáveis e charmosas.

Ali, nenhuma outra residência chama tanto a atenção como este lindo chalé que está localizado no número 70. O belíssimo imóvel é uma espécie de chalé que lembra muito as construções típicas do norte da Europa.

clique na foto para ampliar

Este chalé encontra-se vazio faz algum tempo e a informação que temos é que foi residência de Firmino Antonio Whitaker. Tanto que em 1961 havia nesta casa um telefone registrado para essa pessoa, com o número – 34 0417 – e o IPTU também indicava esse mesmo Whitaker.

No topo da construção há um nicho, algo muito utilizado para a colocação de santos católicos. Observando de perto é possível notar que referido nicho tem um formato que imita uma igreja, inclusive com uma cruz sobre seus pórticos.

No detalhe da fachada, nota-se um bonito nicho em madeira

Veja mais fotos deste casarão (clique na foto para ampliar):

Atualização 14/03/2014:

E mais uma vez somos surpreendidos com um alerta de que outra jóia paulistana foi abaixo.

O nosso leitor e amigo Ralph Giesbrecht entrou em contato conosco para avisar que o chalé da Rua Araquã começou a ser demolido na segunda quinzena de fevereiro de 2014.

As fotografias abaixo mostram o chalé sendo colocado abaixo:

Infelizmente estamos diante de um cenário terrível para o patrimônio histórico paulistano. A inércia do Departamento de Patrimônio Histórico (DPH) segue causando estragos irreversíveis em nossa memória. Nada está sendo feito para preservar as poucas casas significativas que ainda resistem no centro.

Está na hora de uma profunda reformulação no DPH, com melhores condições de trabalho para os técnicos que lá estão e, caso o número de servidores seja insuficiente, que abra a contratação de mais pessoas.

Isso se faz necessário e urgente, pois em breve teremos tão pouco o que mostrar em nossa cidade, que o órgão não se fará mais necessário. Lamentável mais esta destruição!

ATUALIZAÇÃO – 21/02/2022:

Passados oito anos da triste demolição do chalé da Rua Araquã, nada até o momento foi construído no local. Permanece o terreno vazio, em situação quase de abandono, com mato alto e pichações na parede.

Constatamos que o terreno que outrora abrigou a elegante residência não mais pertence à Firmino Antônio Whitaker e está em nome de ACJ Empreendimentos Imobiliários e Participações LTDA.

A fotografia abaixo mostra como está o local:

Fontes bibliográficas:
Lista telefônica de assinantes – São Paulo – Ano 1961
IPTU – Cidade de São Paulo – Ano base 2001
IPTU – Cidade de São Paulo – Ano base 2021

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29 respostas

  1. Pouca gente sabe mas esse foi o primeiro loteamento feito em SP pela Cia. City, em 1912, antes mesmo do Jardim América. Por isso a quantidade de casas mais chiques. Ao contrário dos jardins, nesse pequeno loteamento não se manteve a regra de serem proibidos os prédios. Uma pena. Essa casa escapou por pouco: ao seu lado, um enorme prédio construído há uns 4 anos levou metade da quadra. Aliás, nele mora meu filho.

  2. Estilo inglês, tijolinhos bem paginados, arco Tudor na garagem. Linda, mesmo, merece um trato e um dono que cuide dela.

  3. Passei na frente outro dia (meu irmão mora no prédio ao lado, como meu pai comentou acima) e lamentei não estar com a câmera. Não dá para se já era o caso nas fotos, mas quando passei, coisa de duas semanas atrás, havia vários vidros quebrados. Como aparentemente as fotos foram tiradas no fim de julho, isso significa que o processo de deterioração e abandono está acelerado.

  4. Sempre morei na Bela Vista hoje tenho 18 anos e sempre adooorei esse casarão, sempre fui apaixonada por ele.
    Meu sonho é um dia poder morar nele com a minha família! Concerteza cuidaria e manteria o castelo na forma original dele. Ele é lindo, daria qualquer valor por ele …
    Enquanto isso é apenas um sonho eu fico olhando pra ele na calçada e imaginando como seria se eu morasse laá! Adoraria saber como é o interior do casaraão =)

    1. Gostaria muito de ver o interir dos imóveis antigos, dificilmente encontramos fotos e a imaginação sempre rola solta.

  5. Ontem tive uma péssima notícia, todos os meus amigos sabem que sempre fui apaixonada pelo casarão e ontem um amigo veio me contar que tinha passado na frente do casarão e viu uma PLACA DE UMA DEMOLIDORA, infelismente o casaraão tbm irá ser derruabado, mas um pedaço da memória sendo destruído .. =/
    Vou tentar entrar no casaraão, seja qual for o meio, vou tirar fotos do interior da casa, de tooodos os comôdos …
    Assim que tiver mais notícias ou até msm as fotos volto aqui p/ enviar o link das fotos publicadas!
    Um abraço …

    1. Olá Patrícia, se conseguir me manda as fotos, por favor, gostaria muito de ver o interior do imóvel. Sou apaixonada por imóveis antigos e lamento por mais esse ser derrubado.

  6. Nossa…fico morrendo de curiosidade para saber como é o interior dos imóveis que aparecem por aqui! 🙂

    Alguém já leu “Anarquistas Graças a Deus” de Zélia Gattai?

    Estou lendo pela segunda vez. A autora conta com muito calor humano como foi sua infância e parte da adolescência em uma São Paulo do início do século XX.

    Através de seus relatos podemos imaginar como era a cidade…as casas, os bairros, costumes, o dia-a-dia da época…

    Ah! A família Gattai morava na Alameda Santos, nº 08.

  7. O imovel deve ser tombado e nao pode ser demolido normalmente?
    Tem um parecido na rua do doutor Alfredo Elis perto da 13 de maio.

  8. Esse casarão é realmente belissimo… Concordo plenamente com as pessoas acima, ele não pode ser demolido

  9. Fachwerkstil com Giebellade neogotico, bem alemao, propalmente relacionado o hospital alemao Oswaldo Cruz ou Santa Catharina, que tb foi um fondacao alemao. Em seguir disso muitas familias alemaes construavam casaroes nesse regiao.
    Majoria dessas casas e arquitetura ja é destruido durante guerra mundial II. (so para lembras, 1987 o hospital Oswaldo Cruz foi revolvido para as familias 1944 !!!)

    Fachwerk so existe em alemanha (partialemnte Belgica), Tudor e ingles nunca usavam Giebelladen goticos, nem neogoticos…

  10. Sugiro ao dono deste excelente blog que pesquise, junto ao Cartório de Registro Civil da Região e também à Prefeitura Municipal, as informações sobre o referido imóvel, como data de construção, nome do proprietário etc. A partir dai é só uma questão de tempo para descobrir o resto. Parabéns pelo blog, novamente. Muito bem feito e bastante interessante.

  11. Oi Douglas, só não entendo uma coisa, esses imóveis não tem um dono? Alguém deve ser dono de alguma casa não?

    Na verdade eu morei em uma casa MARAVILHOSA aqui no centro de Gravataí, no RS, e o que acontece, ele foi reformada por uma filial de cachorro quente famosa aqui no sul, e atualmente o estabelecimento fechou e os donos venderam a casa com um terreno enorme (o que não vem ao caso) para uma construtora que vai por tudo abaixo e construir um prédio, o valor da venda? Oito apartamentos e mais um montante em dinheiro…neste caso e em outros, talvez, não seria falta de conscientização dos próprio donos? Ou apenas o caso de não querer cuidar do imóvel mesmo e querer ganhar uma boa grana?

    Me entristece profundamente essa perda pois essa casa foi onde passei a maior parte da minha infância…

  12. Não dá para entender nem acreditar como é que se conseguem derrubar tamanha jóia. Lastimável..

  13. O que eu acho “LASTIMÁVEL” é como a prefeitura, estado e governo federal adoram tombar patrimônios alheios, interferindo diretamente na vida das pessoas sem indenizá-las por isso. Por um acaso, algum de vocês já teve um imóvel tombado?…então preste atenção neste esclarecimento. Quando um dos poderes tombam o imóvel ele perde o valor comercial de 30% a 70% imediatamente e a prefeitura continua cobrando IPTU mais alto por ser um bem tombado, além disso o proprietário fica com certas impossibilidades de uso e reformas.

    1. Henry, concordo com você em relação ao mal planejado tombamento de patrimônio no Brasil.
      Para mim imóvel tombado já deveria por imediato tem isenção de IPTU e também uma alíquota de desconto no IR. O problema é os donos nunca se uniram para mudar a legislação.
      Eu defendo isso, mas nunca vi os proprietários se engajarem seja aqui ou qualquer outra cidade, apenas ações solitárias e esporádicas.

      1. Douglas, acredito que você como responsável deste blog e as condições pessoais que possui poderia começar um movimento de proposta publica para a mudança destas irregularidades. Uma boa proposta para se tornar Lei seria, quando houver interesse publico para o tombamento, que o órgão interessado compre a preço de mercado e indenize o proprietariado em mais 30%(pelo valor histórico), ai sim, acho justo e gostaria de ver se este mesmo órgão iria manter este imóvel restaurado para que toda sociedade possa admira-lo.

  14. Tenho algumas fotos do processo de demolição dessa casa.
    Moro na região e quis registrar isso.
    Se quiser, entre em contato para que eu lhe passe.

    Abraço.

    1. Ola Cadu Galvão, tens as fotos da demolição? compartilha com o pessoal, sabe aqui próximo, em nossa região há varias construções nesse estilo, moro não muito distante de Blumenau.
      Se quiser mandar em meu e-mail é e.tiburon@yahoo.com, obrigado!

  15. Na foto do Google de janeiro de 2015 é possivel ver que nada foi feito ate agora no local.
    O terreno esta murado….parce que demoliram esta casa por prazer mesmo….

  16. Infelizmente, segue a farra das demolidoras. Próximo de onde moro, na esquina da Avenida Dom Pedro II, em Santo André – SP, um Hospital está demolindo entre ontem e hoje, uma casa, que pela construção parecia ter sido erguida entre as décadas de 1960 e 1970. Pretendem a ampliação do centro de atendimento médico. Esperar alguma providência da Prefeitura, é impossível. Poderiam fazer o centro de atendimento na própria casa, sem precisarem demoli-la. O Cine Teatro Carlos Gomes foi “restaurado” e perdeu suas características originais. Foi o primeiro Teatro com tela de cinema a ser inaugurado em Santo André. Em uma postagem sobre ele, na comunidade Santo André Antiga, sou interpelado por um internauta, que além de me chamar de Ricardo, pergunta se acho que o centro da cidade deveria permanecer igual era há 50/70 anos. Disse que não sou contra o progresso das cidades, alertando-o primeiro para o meu correto nome, Roberto, e em seguida respondi que sou a favor da preservação da memória arquitetônica de lugares importantes, caso do Cine Teatro Carlos Gomes.

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