Casas – Rua Javari 227 a 229

Se a Mooca já é um universo a parte no imaginário paulistano, a rua Javari, por sua vez, tem sua própria mística que transcende os limites do bairro.

Nesta adorável rua mooquense, podemos encontrar desde o mais romântico templo do futebol paulistano, o estádio Conde Rodolfo Crespi, algumas sutilezas históricas como a placa que homenageia ao cavalo Mehmet Ali e até um bom número de casarios antigos interessantes.

E falando em casas da Javari, apresento estas duas lindas “irmãs”:

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Construídas em meados da década de 30, estas duas casas geminadas em estilo art déco estão localizadas nos números 227 e 229 desta rua. Apesar de estarem com um grande número de pichações em suas fachadas, estão muito bem preservadas, mantendo suas características originais.

A única grande alteração nota-se no imóvel da esquerda. Ele teve sua janela de madeira original substituída por um vitrô. Aliás, pelo tipo de vitrô que foi instalado, com vidros pequenos, é possível notar que esta mudança tem mais de três décadas.

Toda sua fachada é revestida com o pó de mica, tradicional revestimento que foi muito comum nas construções paulistanas da primeira metade do século 20.

Definitivamente, uma preciosidade do bairro da Mooca.

Veja mais fotos (clique na imagem para ampliar):

ATUALIZAÇÃO – 22/04/2020

Sempre que possível procuramos retornar aos locais que já fotografamos para observar se ocorreram alterações, seja pintura, desfiguração do imóvel ou até mesmo demolição.

No caso destas observamos um lamentável trabalho de “recuperação” em uma delas. Ao invés de restaurar com técnicas corretas, utilizando os materiais apropriados, foi feito uma pintura com tinta látex que descaracterizou parcialmente a originalidade do imóvel.

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O pó de mica original é um material um tanto quanto difícil de se recuperar e requer pessoal especializado. Muitas vezes as pessoas por uma questão econômica acabam por substituir por pintura comum.

Isso mostra o quanto é importante se aplicar três coisas:
1) A educação patrimonial, para que proprietários saibam quais técnicas utilizarem na recuperação de fachadas antigas.
2) Uma política de desconto no IPTU para proprietários cujos imóveis sejam de relevância arquitetônica, permitindo que se gaste o dinheiro do tributo em compra de material para restauro e reforma.
3) A aplicação de multas severas para caso se tenha as duas opções acima e o dono do bem não a fez uso.

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11 respostas

    1. Não adianta colega, não querendo defender pichadores (muito pelo contrário), mas infelizmente a real é que mesmo se os donos investirem uma grana para pintar essas casas e deixa-las como elas merecem, não dou o prazo de 24 horas para elas estarem assim como nas fotos outra vez, ai os donos acabam se rendendo e deixando-as pichadas mesmo.

      1. Pois é, até “ontem”, a certeza da impunidade alavancava a criminalidade. Pode ser que agora, com o programa Cidade Linda, algo mude para ,melhor. Vamos torcer.

        1. Não sou a favor da pichação, mas o ato de pintar os muros da cidade de cinza é praticamente deixar uma tela em branco para os pichadores agirem.

  1. Entre um email e outro, quando vejo suas postagens não resisto, tenho que ver logo. Viajo no tempo olhando esses imoveis, imaginado quem tenha residido neles.

  2. A Mooca é um desses bairros que sintetizam o jeito paulistano de ser. É claro que há outros bairros emblemáticos como o Bixiga, mas bastante descaracterizado, na Mooca ainda se respira aquela atmosfera de São Paulo antiga (nenhum trocadilho com o nome do site). Saudades de tempos antanhos…

    1. Eu, particularmente, adoro todos os chamados bairros tradicionais de São Paulo, ou mais especificamente, todos os bairros que cresceram no entorno do centro(eu os chamo de “bairros satélites”), justamente pela sua arquitetura: Cambucí, Brás, Mooca, Ipiranga, Liberdade, Bela Vista, Belenzinho, Consolação, Luz, Bom Retiro, Vila Maria, Barra Funda,Santana, Vila Mariana, Campos Elíseos, Tatuapé, Penha

      1. De fato, todos os bairros citados têm lá o seu charme, o fato é uns estão mais preservados do que outros, e a Mooca é um deles.

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