Banco A.E. Carvalho e sua relação com alguns bairros de São Paulo

Na sequência de histórias de bancos que atuaram em São Paulo, vamos falar de um banco que, não pelo seu tamanho (em 1960 era o 60º. em depósitos), mas pela sua marca, deixou registrado seu nome na cidade.

Até recentemente, quem passava pela Avenida São João poderia ver, na direção do Viaduto do Chá, três prédios – cuja entrada principal se dá pela Rua Formosa, 409/13 – onde ainda era possível ler na empena cega de cada um deles, “Banco A.E. Carvalho S.A.”, “Comercial e Construtora A.E. Carvalho S.A.” e “A Patriarca Cia. de Seguros Gerais”.

Inicialmente denominada como Casa Bancária, Predial e Fiadora A.E. Carvalho & Cia. até 1951, e, finalmente, como Banco A.E. Carvalho S.A. em 1954 o grupo seguiu atuando na área bancária, de seguros e de construções.

Na foto, sede do grupo A.E.Carvalho, com destaque à publicidade na empena cega de edifício

Este grupo empresarial fundado em 1930 por Antônio Estevão de Carvalho (* 4/6/1885 +12/11/1949) atuou em diversos ramos de atividade, incluindo aí o banco, a seguradora e a construtora que se dedicou a abrir novos bairros na zona leste da cidade de São Paulo, procurando dar àquela região um novo conceito de bairros planejados.

Antônio Estevão de Carvalho

Muitos nomes destas localidades têm relação com o grupo ou até com o próprio fundador, como é o caso da Vila Santo Estevão, Vila Antonina, Cidade Patriarca e talvez, a mais conhecida delas, a Cidade A. E. Carvalho. Podemos rememorar também outros empreendimentos tais como Vila Barcelona, Vila Lusita, Vila Santa Teresa, Vila Ré etc.

Publicidade veiculada pela empresa em 1948

Um dos fatos mais interessantes destes empreendimentos foi a doação à Estrada de Ferro Central do Brasil da estação Cidade Patriarca, justamente para atender o novo bairro que se inaugurava no dia 7 de setembro de 1948.

Para se ter acesso à estação, que em 1972 teve seu nome simplificado para “Patriarca”, era preciso subir uma grande escadaria, que acabou sendo demolida em 1988 para dar espaço à construção da estação Patriarca do Metrô. Finalmente, em maio de 2000, a antiga estação foi desativada e derrubada poucos meses depois.

Escadaria de acesso à Estação Patriarca em 1979

Quanto ao bairro A.E. Carvalho (cujo nome oficial é Cidade Antônio Estevão de Carvalho), parte das terras do bairro com o nome atual de Cidade AE Carvalho, pertenciam às famílias Jafet, Campanella e Maietta, que em 1950 venderam 600 mil m² aos proprietários da Casa Bancária Predial e Fiadora A.E. Carvalho.

As terras foram divididas em sete glebas e se iniciaram trabalhos de abertura de vias públicas e terraplanagem. Em 1956, os funcionários da Construtora A.E. Carvalho, construíram as primeiras residências, dando início à formação do bairro. Em seguida, através de construções e desmembramento em lotes, mais moradores foram surgindo.

Residências construídas pela Construtora A.E. Carvalho na região

A principal via do bairro, chamava-se Antônio Estevão de Carvalho, atual Avenida Águia de Haia. Não havia infra-estrutura, saneamento básico nem tão pouco transporte coletivo. Os moradores percorriam longas distâncias para chegar até a estação de trem Artur Alvim, hoje extinta e localizada ao lado da atual estação do Metrô com o mesmo nome. A primeira linha de transporte coletivo, foi implantada mais de uma década depois. Atualmente um trecho da Radial Leste nesta região chama-se Avenida Antônio Estevão de Carvalho.

Muito se construía e se lançava naqueles idos de 1960, porém, as prestações fixas (na época não existia a correção monetária) fizeram com que as empresas construtoras e suas coligadas passassem por momentos difíceis.

E foi isso que aconteceu quando o banco pede concordata em 1962. Independentemente deste fato, estavam acontecendo desavenças entre os herdeiros de Antônio Estevão, inclusive relatadas em artigos de jornal. Como sabemos, desavenças familiares e, ainda mais, expostas são uma das várias razões para o fim dos grupos econômicos familiares.

Publicação da concordata em jornal de 1962

Em 1965 a situação se agrava com o processo familiar correndo na justiça e depoimentos dos diretores sendo noticiados. Depois disso – pelo que pudemos apurar – mais nenhuma notícia.

A sede do banco, composta por um prédio de três blocos, na Rua Formosa, 413 (entre o Edifício CBI e o Palácio dos Correios) e inaugurada em 1948 foi demolida e hoje, no lugar, está instalada a Praça das Artes, ao lado do Anhangabaú.

Mas a história de alguma forma permanece viva, através de algumas construções da época e que já foram registradas pelo São Paulo antiga, como uma casa na Rua Damásio Pinto e um sobrado na Rua Dr. Nilton Silva

GALERIA – BANCO A.E CARVALHO:

Bibliografia:

* Anuário de Bancos – Editora Banas, 1961. Col. José Vignoli
* O Estado de S. Paulo 1957-1958 – Ed. R. Monte Domecq. Col. José Vignoli
* O Estado de S. Paulo edições 31-3-1957, 14-4-1962, 26-2-1965 e 18-3-1965
* Estações Ferroviárias – Link visitado em 25/5/2022
* Nosso bairro A.E Carvalho – Link visitado em 25/5/2022

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3 respostas

  1. Do lado de cima da estação havia uma enorme passarela de madeira que ligava a estação à Radial Leste, então ainda uma avenida, quase uma rua, de mão dupla e uma pista só, por onde quase ninguém trafegava, a Radial tal como a conhecemos hoje veio junto com a expansão do metrô.

  2. Nasci e moro até hoje no início da avenida Águia de Haia. Inicialmente batizada de Rui Barbosa, depois rebautizada de David Ben Gurion, um dos “heróis” da formac do estado de Israel.
    Devido à dificuldade dos moradores em pronunciar o nome , foi rebautizada como Àguia de Haia, apelido de Rui Barbosa.
    Em fins dos anos 70 houve a sua duplicação, executada pela Pavimentados e Construtora Vicente Matheus, histórico e folclórico ex presidente do Corinthians. Esse serviço foi uma contrapartida à concessão da prefeitura ao clube da área onde hoje existe a Arena Corinthians.

    1. Interessante, a história do nome da avenida eu sabia, só não conhecia a parte do Vicente Matheus.

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