Biblioteca Clara Luz

Cultura, educação e livros infelizmente não são temas que parte dos governantes brasileiros dão lá muita atenção. Por “n” motivos que não iremos discorrer agora já, sabemos que o brasileiro é um dos povos que menos lê no mundo. Isso é a decorrência de uma série de fatores que combinados trazem resultados catastróficos para o país. Livros caros, pouco estímulo à leitura e poucas bibliotecas são alguns dos causadores deste abismo do saber.

E mesmo cidades bem servidas de bibliotecas estão também aquém da realidade de outros países, é o caso da própria São Paulo que mesmo com várias unidades espalhadas pela cidade – são um total de 54 – são em número insuficiente para uma metrópole – dando que cada unidade paulistana tem que atender cerca de 228 mil pessoas, algo impossível de ser eficiente.

E ainda há aquelas que simplesmente fecharam sem haver consulta alguma aos moradores do entorno. Foi o caso da Biblioteca Clara Luz, fechada lá atrás no ano 2000.

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Inaugurada em 1984, a Biblioteca Clara Luz estava instalada no palacete mostrado na fotografia acima, localizado no número 212 da Rua Tenente Pena, bairro do Bom Retiro. O casarão foi adquirido pelo Estado junto ao seu proprietário original e, depois de uma reforma – que adicionou um andar horroroso no imóvel – passou a operar como uma biblioteca.

O palacete que abrigou a biblioteca por dezesseis anos é um imóvel muito interessante e são poucos os imóveis históricos dessa magnitude naquela região. Apesar de não ser tombado, está no entorno de outros dois imóveis que por sua vez são tombados, a Escola Estadual Marechal Deodoro na Rua dos Italianos e o antigo Desinfectório Central, na mesma Rua Tenente Pena.

Andar adicional de gosto duvidoso à parte o palacete encontra-se em excelentes condições. Destacamos além do imóvel em si, o seu belíssimo portão em estilo art nouveau. Existem vitrais coloridos sobre a porta de entrada e também nos fundos, além de colunas que ladeiam a sacada do andar superior, fechada com um gradil com vidros há alguns anos.

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Voltando à biblioteca, durante sua existência a Clara Luz funcionou como unidade-piloto, orientando escolas na criação e organização de suas bibliotecas, além de selecionar, distribuir acervos e promover oficinas. O acervo da Clara Luz era de aproximadamente 30 mil volumes.

Ela encerrou de fato as atividades no ano 2000. No site da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo é possível encontrar um questionamento do deputado Henrique Pacheco à decisão da então secretária da educação Rose Neubauer. Pelo visto não surtiu efeito. Após seu fechamento o acervo ficou sob os cuidados do CRE (Centro de Referência em Educação) Mario Covas.

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Posteriormente, parte do acervo da Biblioteca Clara Luz, cerca de 8000 livros, foi doado em 2003 para as bibliotecas internas da então Febem (Fundação Casa), divididos em 25 conjuntos (um para cada unidade).

Desde o fechamento da unidade o imóvel segue nas mãos do Governo do Estado de São Paulo, porém infelizmente sem atividades momentaneamente.

Veja mais fotos do palacete que abrigou a biblioteca
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9 respostas

  1. Que absurdo, seria possível adicionar um andar que estivesse mais adequado ao edifício original…isso acontece muito, infelizmente

  2. E o ultimo andar, e uma adicao desnecessaria, e muito abafado, em dias quentes aquilo vira um forno ( em fim de tarde, deu para sentir como era quente ). O que e uma pena, creio que o projeto original era de teto Mansard. O pe direito caracteristico do terreo e segundo andar constrastam com o andar superior, cujo pe direito e baixo demais.

    O terreo e o primeiro andar sao formidaveis. O terreo forma um espacoso foyer que da para duas alas, a direita a a esquerda, com amplos comodos de ambos os lados.

    O andar superior, ou mezanino, tem amplos comodos em todo o perimetro do edificio.

    Apesar da grosseria do vizinho, que subiu em cima, sem recuo, o imovel e tecnicamente livre em todas prumadas, excecao , e claro, a parte divisoria.

    Notem, em uma das alas no teto inferior, o detalhe em relevo ( coffered ceiling e o termo, nao sei o equivalente em Portugues ). Este tipo de recurso e muito usado em apartamentos de alto padrao em NYC.

    Para evitar invasoes e roubos, o proprietario mantem vigias 7×24 hrs.

  3. Uma pena um lugar agradável, numa região central não ter nenhuma serventia?!Há que se incentivar as Associações da região para pressionar a prefeitura com vistas a não desperdiçar uma construção de estilo (médio, né?) mas de toda forma pode-se tornar um espaço cultural, uma escola de dança, um conservatório, um centro judaico de cultura ou coreano para o mesmo fim!

    1. ​A comunidade Judaica esta saindo de la gradualmente, o que nao justifica um Centro Judaico, haja visto que ha alguns ja instalados (Casa do Povo – Rua Tres Rios 252 e o Memorial da Imigração Judaica e do Holocausto / Kehilat Israel -Rua da Graça, 160) , espaco cultural ja existe (Oficina Cultural Oswald De Andrade- Rua Três Rios, 363 e o Galpao Ford – Rua Solon, 1121, este utilizado como oficina de videografia e filmagens).

      Muito embora a composição de propriedades de como descendentes de Judeus e Coreanos disputando lugar de destaque, e alguns Gregos espalhados por aqui e ali, é certo que a maioria migrou para Consolação, Higienópolis, e outros bairros.

      O melhor uso e aproveitamento deste prédio seria mesmo residencial, que afinal e para o que foi projetado. ​

  4. Fechada durante a gestão da rose neubauer(minúsculas propositais), uma sujeitinha que tratou os professores da rede estadual como bandidos? Tá explicado!

  5. O curioso é que a cidade está abandonada – o patrimônio histórico, arquitetônico, cultural, ambiental e as pessoas! Tudo completamente abandonado e em acelerado processo de decadência e, espantosamente, não têm responsáveis! Ninguém é responsabilizado por nada! É muito fácil dilapidar o patrimônio público no Brasil! País sem futuro….

  6. Imaginem, um povo perdendo seu patrimônio histórico e sem ter estímulo a leitura, vemos os resultados até em construções, no andar de cima de um prédio bonito como este.

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