Sobrado demolido – Rua Bartolomeu de Gusmão

Antes de retornar para morar em São Paulo, onde vivi desde que nasci até me casar em 2004, vivi em Guarulhos por exatos 20 anos. Mesmo tendo retornado a morar na capital paulista vou semanalmente na cidade vizinha pois é lá que residem os meus sogros.

Apesar de menos atingida pela especulação imobiliária do que São Paulo, Guarulhos também sobre com a demolição de casas antigas, onde ocorreram casos notáveis como o Casarão Saraceni. E infelizmente sempre que passo pela cidade acabo notando que mais alguma casa se foi. E desta vez foi essa a seguir:

Localizada no número 158 da rua Bartolomeu de Gusmão, no Jardim Santa Francisca, bairro que já é próximo da região central da cidade, esse sobrado possivelmente construído em algum momento da década de 1970 sempre me despertou interesse por sua fachada estar sempre limpa e preservada.

Outro detalhes que sempre eu observava, há anos, era a presença de um Monza impecável na garagem. Tratava-se de um sobrado de dimensões generosas com cômodos amplos, jardim na entrada e até uma edícula nos fundos. No entanto, nada disso existe mais.

Ao passar por lá no último final de semana de 2025 notei que não só o sobrado já havia sido demolido, como um pequeno prédio, aparentemente comercial, já está com sua construção bem avançada. Ao todo parece que o novo imóvel terá três andares.

Acessando ao Google Street View notei que desde 2022 a casa estava com placa de venda e o automóvel já não estava mais na garagem. Pensei comigo que era bem provável que tratava-se de um morador idoso e que possivelmente tenha falecido ou mudado para um lar de idosos ou para viver com familiares. A casa ao que parece foi vendida em 2025, quando foi então demolida.

Lamento muito pela demolição deste sobrado tão bonito e bem cuidado, por outro lado entendo que hoje as famílias optam por morar em apartamentos ou casas menores. Esse bairro de Guarulhos, por sua vez, já não é tão sossegado como era no passado.

Por fim, um registro que capturei Google Street View em 2018, mostra um idoso caminhando no quintal. Possivelmente era o morador da casa. Quanto ao Monza, na imagem disponível mais antiga, que é de 2011, ele já estava na garagem. É possível que o carro fosse da família desde zero quilômetro ou há muitos, muitos anos.

Foi-se a casa e o carro, ficaram as lembranças…

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Respostas de 4

  1. Última Canção do Beco – Manuel Bandeira
    (…)
    Vão demolir esta casa.
    Mas meu quarto vai ficar,
    Não como forma imperfeita
    Neste mundo de aparências:
    Vai ficar na eternidade,
    Com seus livros, com seus quadros,
    Intacto, suspenso no ar!
    (…)

  2. As suas deduções quanto a esse sobrado o carro e moradores, com certeza, estão certas. Tenho 83 anos de idade e há um ano, com minha esposa, deixamos nossa casa em Atibaia e nos mudamos para Ribeirao Preto, a fim de facilitar o trabalho de uma filha, residente aqui em Ribeirão, em relação a cuidar minha adoentada esposa. A casa que deixamos, já foi modificada. Conheço histórias de casais de idosos iguais à da sua dedução. Senti pelo belo sobrado.

  3. Douglas, um magnífico registro, porém os imóveis antigos estão sempre na mira dos inimigos da memória!

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