1 milhão de Reais para a “cultura forrozeira” em São Paulo

Que a Prefeitura de São Paulo e sua Secretaria Municipal de Cultura debocham do paulistano isso não é novidade. Mas desde o ano passado a citada secretaria vem sendo tocada por alguém que não é da área, na esteira de nomeações políticas que o atual prefeito vem fazendo, numa espécie de loteamento de importantes cargos do poder da capital paulista.

A bola da vez, que vem causando indignação de munícipes, é um edital que, pasmem, está em sua terceira edição e que visa o fomento ao forró na cidade de São Paulo ou, nas palavras do próprio documento veiculado pela imprensa “linguagem forrozeira”. O edital abaixo não deixa dúvidas e causa espanto pelo valor alto em um momento totalmente inapropriado: R$1 milhão de Reais.

Em que fique claro que este instituto nada tem contrário ao forró, não cabe neste momento tão crítico destinar um valor tão alto para a promoção e divulgação de uma atividade cultural que não tem nada a ver com a cultura paulistana. A atitude, que soa eleitoreira, contribui para um processo de apagamento da cultura dos paulistas e paulistanos. Você se lembra quando a Secretaria Municipal de Cultura fez algum movimento, evento ou iniciativa em prol da cultura da terra, ou seja, dos paulistanos ? Pode procurar que não encontrará.

Esse ano a prefeitura já gastou, através da mesma Secretaria de Cultura, um valor considerável para a Virada Cultural, que é uma gama de shows e zero de cultural. O valor ? R$20 milhões, para bandas e cantores como Barões da Pisadinha, Ludmilla, Gloria Grove entre outros.

No vídeo abaixo nosso editor, Douglas Nascimento, analisa o absurdo do Milhão para o Forró e comenta o quão nossa secretaria de cultura está cada vez menos conectada com os cidadãos de sua cidade.

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8 respostas

  1. Sigo o blog de vcs há bastante tempo e adoro, mas este post foi um absurdo de preconceituoso. Sou da área da arte e cultura e o autor mostra bastante desconhecimento das políticas públicas da área, pois existem diversas ações em prol dos paulistanos: os fomentos ao teatro e à dança são dois exemplos de editais que praticamente só contemplam paulistanos e quase nunca a cultura popular. E olha que eles existem desde os anos 70 e 80 e são mantidos com muito esforço e luta por parte dos trabalhadores da cultura. Se esse edital específico está no terceiro ano, como ele pode ser uma atitude eleitoreira? E como é possível comparar 20 milhões em cachês de shows que acontecem em dois dias do ano com um milhão de reais destinados a centenas de trabalhadores que vão fomentar toda uma expressão cultural, com formações, oficinas etc durante um ano inteiro? Um milhão não faz cócega na Secretaria. Além disso, o autor que parece estar bem pouco conectado com os cidadãos da sua cidade, pois a cena paulistana do forró é efervescente há várias décadas. Não sei que munícipes são esses que estão indignados, talvez aqueles que ainda exaltam a cultura erudita em detrimento da cultura popular, riquíssima. São Paulo só é o que é por causa dos imigrantes que trouxeram INCLUSIVE essa cultura. Aliás, qual seria a “cultura paulistana” a ser exaltada? Fiquei curiosa.

    1. Não existe nenhum preconceito, deixei bem claro meu respeito para o forró que é sem dúvida uma atividade cultural importante. Eu gosto de forró, repudio a mamata com dinheiro públic.
      Não é uma cultura paulistana ou paulista e já é algo bem enraizado no cotidiano da cidade o que dispensa esse gasto.
      O que ocorre há anos é o apagamento da cultura de São Paulo. Agora teremos a patética Jornada do Patrimônio, veremos se a verba destinada chegará em algum valor entre o 1 milhão da farra do forró ou os 20 milhões da farra da falsa Virada Cultural. Aposto contigo que não veremos nem uma cifra próxima de qualquer um destes valores. Aliás, fica a pergunta: Você já viu alguma prefeitura do nordeste investir um milhão de Reais em cultura paulista ou paulistana ? Aposto que não.

    2. Acho que o preconceito é todo seu, contra a cultura paulistana e a memória paulista.
      Uma vergonha esse descalabro com o dinheiro público e uma vergonha alguém vir aqui defender esse gasto com uma cultura que não é nossa e que já é bem enraizada no cotidiano da cidade, dispensado esse gasto.
      Parabéns Douglas pela sua incansável defesa da memória de São Paulo e pela sua indignação que representa a todos nós.

      1. Elaine, não acho que a Laura foi preconceituosa… apenas enxergou preconceito onde não existe, que é a minha parte.
        Meu padrasto é de Caruaru (PE) e minha mãe e ele iam todos os anos, até chegar a Pandemia, curtir o São João e o forró por lá. Adoro o ritmo e dança mas não vou fingir que está tudo bem quando vejo a gastança de 1 milhão de reais com isso, quando temos cinemas da prefeitura fechados (só o Marrocos já serve de exemplo) e vemos a DPH que é o órgão de defesa do patrimônio histórico sem verba e sem funcionário porque não abrem o bolso para contratar mais técnicos.
        Museu do Transporte Público fechado há dois anos… tudo isso esse 1 milhão se não resolve ajuda. Espero que a outra leitora que me criticou saiba entender que não é o momento de fomentar a cultura de outras regiões enquanto não fazemos a lição de casa com a nossa.

  2. Postagem excelente e absolutamente necessaria. Tudo o que é paulista hoje é colocado no segundo plano. Precisamos revalorizar o Ser Paulista e nossa historia.

  3. Corretíssimo questionamento. A cultura e a história paulista vem sendo deliberadamente apagadas pelas nossas gestões estaduais e municipais.

  4. Que desaforo ao povo Paulista! Já não bastam os demais vilipêndios, também tentam anular nossa cultura. Em breve não seremos mais paulistas, senão apátridas neste “país” que empurra-nos a cultura alheia em prol da construção de uma nação inexistente.

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