Quem visita o parque Buenos Aires, no bairro de Higienópolis, e vai de encontro, em seu ponto mais alto, até a bela escultura “Mãe”, de autoria do artista plástico Caetano Fraccarolli, talvez não tenha ideia de que exatamente ali existiu um dos primeiros observatórios astronômicos paulistanos.

Outrora chamada apenas de Praça Higienópolis a área foi inaugurada em setembro de 1913, sendo ainda no mesmo ano rebatizada para Praça Buenos Aires. O local, então um dos mais agradáveis da capital paulista, tinha uma atmosfera similar as praças francesas, o que muito agradava a elite paulistana da época. Essa semelhança não era por acaso, uma vez que o então prefeito de São Paulo, Raymundo Duprat, trouxe o paisagista francês Joseph Antoine Bouvard para construir parques e praças na cidade.
No ponto mais alto da então Praça Buenos Aires, Bouvard projetou um mirante cuja vista privilegiada permitia visualizar áreas distantes e próximas da cidade, como o Vale do Pacaembu e seu rio que descia até as proximidades da rua do Bosque.


Contudo o mirante não teve uma vida muito duradoura. Alguns anos após sua inauguração ele foi demolido para que em seu lugar fosse construído um novo observatório para São Paulo, de propriedade da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). O observatório era utilizado para aulas de mecânica celeste e astronomia e foi um dos substitutos do antigo observatório da avenida Paulista, desativado em 1936.

O observatório de Higienópolis, no entanto, foi vítima da rápida verticalização do bairro e seus arredores e acabou não tendo uma vida muito longa. No início da década de 1960 o aumento da luminosidade da região comprometeu seu uso para fins acadêmicos, levando-o a sua desativação em 1964 e, pouco tempo depois, sua demolição.
Foi neste momento que decidiram por instalar neste espaço, agora vazio, a escultura “Mãe” que originalmente estava planejada para ser colocada em outra área da praça. O monumento, esculpido em um bloco de mármore de 20 toneladas, foi inaugurado em 13 de maio de 1970.

Em 1987, durante a segunda passagem de Jânio Quadros pela prefeitura, a praça foi transformada em Parque Buenos Aires, e assim permanece até os dias de hoje.
Respostas de 12
Está praça é muito bonita e agradável.Um lugar maravilhoso pra se descansar,ler,observar pessoas e apreciar um bom convívio social.
Muito legal essas passagens da praça Buenos Aires…
Por acaso você tem idéia para qual empresa foi feito o prédio da al. Barão de Limeira, onde hoje tem provisoriamente o CDHU?
Caro Douglas, gosto muito do seu trabalho. Mais do que gostar, admiro! Quero colaborar, mas me perdi nas várias opções.
Olá Regina, como vai? Que honra!
Tem as opões de colaboração com débito, cartão ou boleto pelo link: https://apoia.se/saopauloantiga
Mas se ocorrer dificuldade, posso te fazer em privado o meu pix. Abraços
Vai ao encontro
Preferia o antes. Esse ‘ restauro é tudo, menos respeito à uma obra de arte!
Está praça me viu crescer, casar, e meus filhos brincarem, hoje adultos. Pena que este assim como outras maravilhas esquecidas deste São Paulo querido. Tenho muita dó de ver que a maioria da população pouco importa com nossas memórias e infelizmente destes ainda tem os que destroem para nada ou transformar em negócios. Parabéns pelo seu trabalho e a todos de bom gosto que te apoiam.
Prezado,
O que você tem a dizer sobre o “restauro” dos pobres Anfitrite e Tritão?
Maravilhosas fotos. Agradeço!
Existem registros do porquê a praça (e depois parque) foi nomeada como “Buenos Aires”?
Acho que, antigamente, pelo menos aqui em São Paulo, o que era “novo” , o que era considerado “moderno”, justificativa as demolições, justificativa substituir uma casa ou monumento considerado velho e ultrapassado por uma construção considerada “pra frente”, rumo ao futuro.
Penso que faziam isso sem remorso, já que o “novo” era a desculpa perfeita.
Diante de várias mudanças, prevaleceu a preservação.