Por décadas o bairro do Jaçanã, na zona norte da capital paulista, teve um museu para chamar de seu. Era modesto e carente de uma curadoria mais eficiente, é verdade, mas assim mesmo um alento cultural em um bairro tão carente de entretenimento. É (ou era) o Museu do Jaçanã.
Deixo a dúvida no ser ou não ser mais pelo que encontrei no local ao fazer uma visita recente no museu, 15 anos após a minha primeira ida lá: um completo vazio, um grande nada. Isso se dá pelo fato de que praticamente tudo que lá existia foi roubado desde o advento da pandemia para cá.

Aberto em 1983 por Sylvio Bittencourt, seu grande idealizador e incentivador, o museu permaneceu em plena atividade e em bom funcionamento enquanto ele estava vivo. “Após seu falecimento, há sete anos, muitos deixaram o museu do lado, inclusive familiares de Sylvio, e a situação começou a degringolar” conta um antigo frequentador assíduo que pediu para não ser identificado.
A pandemia também contribuiu muito para o abandono, já que durante esse período e depois quase ninguém ia ao local, que passou a sofrer invasões por parte de usuários de drogas e assaltantes, que levaram embora tudo que existia de valor de dentro do museu, deixando-o completamente vazio. Não havia alarme e a luz tinha sido cortada.

Os furtos fizeram um estrago que será quase impossível de recuperar. Afinal, levados objetos únicos que não existem reposição disponível no mercado, como partituras de Adoniran Barbosa, quepes de maquinistas do Tramway da Cantareira (o famoso Trem das Onze), máquinas de escrever, projetores, discos, fotografias de acervo e, entre outros, as ferramentas de trabalho do primeiro barbeiro do Jaçanã.
O museu fica localizado em uma antiga escola de lata da prefeitura paulistana e é particular. Era mantido ativo pelo próprio Sylvio Bittencourt e com a colaboração de moradores do bairro e apaixonados por Adoniran Barbosa e trens. As fotografias abaixo mostram parte do acervo desaparecido.



Após esses anos de abandono um grupo de voluntários está se mobilizando para fazer o museu reabrir novamente. No entanto, após tantos anos e sem acervo, vai ser difícil ver o museu retomar as atividades da maneira que era no passado. Itens de coleção como objetos do trem da Cantareira são difíceis de achar e costumar ficar restritos a colecionadores, o que eleva seus preços. Além disso o descaso dos responsáveis na época dos furtos pode afastar eventuais interessados em doar objetos, uma vez que não há, ainda, garantia de uma proteção eficaz deste acervo.
No entanto o fim não está decretado. O espaço, mesmo sem grande acervo disponível, tem condições de ser um pólo cultural desta região tão esquecida pela prefeitura paulistana. Faço votos de que o museu se recupere e o legado do Sylvio Bittencourt, que tão carinhosamente me recebeu há mais de uma década, não seja esquecido.
Abaixo o vídeo que fiz em minha visita recente ao local. Assista e não esqueça de curtir o vídeo e se inscrever no canal, pois assim estará colaborando para que seja possível fazer mais vídeos.
Respostas de 4
Lamentável, a cidade e o bairro não podem perder essa riqueza, vale abrir uma campanha, pois há gente preocupada com a história e a cultura. Vou compartilhar aguardando novidades.
Douglas. Você já fez algum artigo sobre a requalificação e restauração dos casaroes dos campos Elísios onde funcionará a nova sede do governo? Pelo que sei Pelo menos 18 serão restaurados
É…
Os bandidos invadem propriedades e furtam o que tiver pela frente. Como esperar entendimento de meliantes que só querem desfazer o que está bem feito? É o roubo pelo roubo, não importa o quê. Vamos lembrar da Taça Jules Rimet, furtada e derretida por brasileiros!
No caso desse museu, invadiram e roubaram e nem se deram conta do que se tratava. E daí? O importante é mal feito e pronto.
Porém, ingênuo, apaixonado e de bom coração, assim como muitos, eu esperaria mesmo que assaltantes e drogados respeitassem uma instituição cultural de grande importância para a gente do Jaçanã. Assim como outros polos culturais espalhados pela cidade que sofrem do mesmo mal.
Grata pelo respeito como retratou a condição do MUSEU no pós pandemia numa onda de assaltos e desrespeito impossível de se controlar.Houveram diversos ataques inclusive não só ao nossa instituição mas outros importantes núcleos do bairro …Tais núcleos como Conselho Tutelar , o Colégio Júlio Pestana e tantos outros assim como o museu onde a unica diferença eh que tiveram dinheiro público para se reerguer tantas vezes fosse necessário,porém eu e nossa diretoria fechamos o espaço e insistentemente estamos batendo a porta de patrocinadores já que a ordem pública não investe em.nos ajudar mas sim criticar como palco e aporte eleitoral.Acredito ainda que quando encontrar um.parlamentar que cumpra com sua obrigação em cultura que eh um direito somado a empresas patrocinadoras que contribuam com responsabilidade social consiga colocar de novo o MUSEU no lugar e do jeito que ele merece.Sr Sylvio Bittencourt foi BARBARO INCRIVEL importante demais para região mas nunca em.40 anos de atuação recebeu um níquel se quer além de seu pífio salário para entregar o que eh obrigação de muitos.MORREU é nem uma.homenagem digna como estamos buscando que eh NOME dele na PRACA e seu BUSTO numa escultura para que nunca se esqueçam que as ARTES a MEMORIA a SEGURANCA são patrimônio da região.Nao discursos vazios e perseguição política para arranjar a vida de muitos medíocres…Apesar dos pesares vamos conseguir reerguer no silêncio e com a união de quem verdadeiramente se.importa.PROMESSA DESSA Claudia Silvia que prometeu no leito de morte a ele.isso quando me pediu .Já sofri vários ataques e armadilhas inclusive dos assaltos sem.explicacao., mas a área eh de interesse de muitos afinal eh um excelente ponto comercial dos mortos.e fome a querer explorar para si ou politicamente…FE EM DEU trabalho de captação árduo isolado e ininterrupto mas tenho certeza que apesar dos pesares muitos ainda vão se surpreender.DESCULPEM o desabafo.FILHA MUSICISTA DE SYLVIO BITTENCOURT -ROSE BITTENCOURT ainda muito vai soltar a voz no palco que vamos recuperar legado do PAI DELA.