Os cinemas hoje em dia são em sua grande maioria dentro de espaços fechados como os shopping centers. No entanto no passado a totalidade deles ficavam nas ruas, espalhados por toda a cidade. Uma região que era mais privilegiada nesse quesito era a da República, com muitas salas na avenida São João e seus arredores, que era chamada popularmente de “Broadway Paulistana“. E é sobre um cinema dessa região que você vai ler aqui.

Inaugurado em 1939, o Cine Ópera foi um dos importantes cinemas do chamado “Centro Novo“. Construído na rua Dom José de Barros, onde anteriormente existia o lendário Teatro Apolo, seu projeto foi de autoria de Antonio Tadeu Giuzio, conhecido por projetar outros cinemas na capital paulista, como o Cine Jóia e o Cine Rex (Teatro Zaccaro).
Com traços em art déco e dotado de três andares o Cine Ópera, cujo slogan era “O Coração da Cinelândia“, logo se firmou como um dos importantes cinemas da capital paulista, inicialmente exibindo apenas películas da estadunidense United Artists. A inauguração se deu em novembro de 1939 com o então recém lançado filme “Música, divina música” (They Shall Have Music), com Joel Mc Crea e Andrea Leeds.

O Ópera era de propriedade de Ferruccio Evangelista, figura bastante querida no cenário de teatros e cinemas de São Paulo, que antes de abrir seu próprio estabelecimento trabalhou como gerente em diversas outras casas paulistanas, como o extinto Theatro Boa Vista. Sua forma de atuar, elogiada por todos, até pelos penetras, fez com quem ele ganhasse a alcunha de “príncipe dos gerentes“, com direito até a nota em jornal. Na galeria abaixo confira foto de Ferruccio e da fachada do cinema em 1943.


Contudo o Cine Ópera não teve vida longa e duradoura. Localizado em um área com dezenas de outros cinemas, sentiu a concorrência e acabou entrando em decadência no início da década de 1950. Encerrou suas atividades no final de 1957, sendo demolido no ano seguinte para a construção do edifício e galeria Boulevard do Centro, que existe até hoje.
DADOS TÉCNICOS:
Cine Ópera
Inauguração: 10/11/1939
Encerramento: 1957
Demolição: 1958
Arquiteto: Antonio Tadeu Giuzio
Proprietário: Ferruccio Evangelista
Endereço: Rua Dom José de Barros, 295 – República
Veja abaixo fotografias diversas do interior do cinema, extraídas da revista Acrópole (clique na imagem desejada para ampliar):






BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:
Correio de S. Paulo – edição de 1/5/1933 pp 9
Revista do Professor – edição 009 (agosto de 1951) pp 16
Correio da Tarde – edição de 12/5/1941 pp 1
Revista Acrópole – edição 19 (novembro de 1939) pp 12 a16
Respostas de 3
Que trágico fim para um cinema que teve uma vida tão efêmera, menos de 20 anos! Gostei do anúncio do filme — Música, divina música — com o Jascha Heifetz, um dos maiores violinistas do século XX, do qual tenho algumas gravações muito bonitas.
Uma pena o desaparecimento dos cinemas de ruas, mas muito importante essa memória histórica.
Saudações a todos!
Mais do que lamentar o quase que total desaparecimento das salas de cinema de rua, é imaginar que as pessoas ainda fazem isso: ir ao cinema!
Hoje, com as facilidades de ter o filme em casa, a qualquer momento que se queira, faz do ato de se dirigir ao cinema físico uma coisa sem necessidade, uma vez que o filme vai estar ao alcance das pessoas mais dia, menos dia.
Na verdade, esse processo teve início já em meados da década de 1980, com o vídeo-cassete. Depois, dvd, blue-ray…
É claro que eu, como saudosista de carteirinha(quer coisa mais antiga do que “carteirinha”?), gostaria de ver os cinemas de rua, como esse belo exemplo da matéria, a todo vapor, funcionando lindamente, mas com as devidas adaptações, inevitáveis até. Porém, veja, se o ÓPERA deixou de funcionar ainda nos anos 50, você faz idéia da brutalidade dos “novos tempos”…