Tem problema que é um não problema, ou melhor, pode ser que aquilo que me incomoda seja apenas um impasse para mim e ninguém mais. No entanto, conversando com alguns amigos descobri que não é só eu que me incomodo com uma ocorrência frequente nas casas geminadas de São Paulo: a incompatibilidade de decisões em comum na hora de pintar a fachada.
Tome por exemplo essas duas residências geminadas da Rua Itamarataca, na Mooca, zona leste de São Paulo:

Essas casas em cores diferentes já me incomodam há alguns anos. Como levo minha sogra frequentemente ao hospital do plano de saúde dela, que fica em frente a elas, sempre as observo e me pergunto irritado: Por que diabos não pintam as casas com as mesmas cores?
Sério, fachadas compartilhadas como essas (e tantas outras pela cidade) deveriam seguir um bom senso ou, quem sabe, um código de obras específico onde ambas deveriam seguir regras de manutenção com padronização das cores. Sempre.
Gosto muito de usar como exemplo as cidades inglesas, como a capital Londres. A terra do Rei Charles III não dispensa a modernidade arquitetônica, mas ao mesmo tempo tem regras rígidas para as fachadas residenciais, como o exemplo abaixo:

São centenas e centenas de casas, todas seguindo o rígido padrão de fachadas, deixando o cenário urbano visualmente agradável, não importa a rua que você passe. Imagino que se você toma umas e outras a mais pode até errar a porta da sua casa.
Já aqui no Brasil e especificamente em São Paulo é tudo caótico, um vizinho faz um puxadinho para o carro, o outro pinta de cor diferente, o outro faz pintura texturizada e um outro mete cerâmica. Fica um horror. Um exemplo “do feio bonitinho” é esse a seguir, na rua Dona Ana Neri, bairro do Cambuci, região central de São Paulo:

Os três sobrados construídos na década de 1950 eram todos de uma única cor e acabamento, mas com o tempo cada proprietário foi fazendo sua mudança de acordo com seu gosto particular. O resultado é terrível, afinal se você os vê individualmente fica até legal, mas se os observa em conjunto fica horroroso. São três casas com meia dúzia de materiais de acabamento diferentes, cores diversas e calçadas distintas, uma feiúra coletiva que só perde para a fiação exposta, a única coisa além do telhado e portões que são iguais para todas elas.
Mas, volto para as geminadas da Rua Itamarataca. Utilizei a inteligência artificial para agradar os dois vizinhos, pedindo ao Prompt que fizesse duas imagens, uma agradando o vizinho da esquerda com sua pintura marrom e a outra a do morador da direita com seu tom rosa. Veja nas imagens abaixo:


O resultado não deixa dúvidas, a cor única é a melhor escolha para fachadas de casas geminadas cuja arquitetura faz com que uma dependa da outra. O ideal, sem dúvida alguma, é o diálogo entre os vizinhos já que as duas cores são boas. Por que não combinar: esse ano um pinta na sua cor favorita, na próxima pintura o outro é que escolher. Ceder um pouco e ter respeito com a escolha do outro faz a fachada ficar mais bonita e a cidade menos poluída visualmente.
E você acha que eu estou correto ou devemos deixar cada um fazer o que prefere e dane-se o resto? Comente!
Respostas de 2
Douglas, achei que era só eu que me incomodava com isso (eu tenho vários “TOCs” (de assimetria, de padrões estranhos, desordem etc ). Mas, ao ler seu texto me ocorreu uma possível “justificativa”: talvez cada proprietário queira ter a sensação de (realmente) possuir a sua casa… unificando as pinturas, devemos concordar que fica parecendo tratar-se de apenas uma casa…
Douglas tem razão, uma padronização de cores de bom gosto, seria bem melhor e agradável aos nossos olhos, mas infelizmente, a nossa cultura em geral, é de cada um fazer as coisas de sua maneira e de qualquer jeito.