Pacaembu entre shows, apostas e pouco futebol

Quando o São Paulo precisou de um estádio reserva no início de 2026, a diretoria foi negociar em Campinas e deixou de lado um complexo reformado por mais de R$800 milhões a poucos quilômetros do Morumbi. Esse detalhe diz mais sobre o Pacaembu atual do que qualquer balanço anual.

O endereço que em maio de 1942 reuniu 71.281 torcedores num São Paulo x Corinthians, recorde que nenhuma outra partida na história do estádio chegou perto de quebrar, reabriu em 2025 com novo nome, gramado sintético e uma agenda dominada por shows corporativos.

Parceiros que cobrem odds de clássicos paulistanos pelo 1xbet programa de afiliados esbarram num dado curioso: a Mercado Livre Arena Pacaembu raramente aparece na grade de confrontos dos grandes clubes da capital, apesar de toda a infraestrutura construída com mais de R$800 milhões.

R$800 Milhões e apenas nove partidas

Dos 146 eventos realizados no complexo ao longo de 2025, nove foram partidas de futebol profissional masculino. Não é um número provisório de um estádio recém-inaugurado esperando a agenda esquentar, mas o resultado de uma escolha deliberada da Allegra, concessionária que investiu mais de R$800 milhões na reforma e fechou um contrato de naming rights estimado em R$1 bilhão com o Mercado Livre.

A distribuição da agenda naquele primeiro ano de reabertura não deixa margem para interpretações ambíguas.

Categoria de eventoQuantidade em 2025
Futebol profissional masculino9
Shows e festivais10+
Eventos privados e corporativos51+
Futebol amador, festivo e feminino26+

Em 25 de janeiro, data do aniversário da cidade, a final da Copinha 2025 inaugurou os jogos no espaço reformado com público limitado a 20 mil torcedores pelas obras ainda em andamento. Quem mais pisou naquele gramado ao longo do ano foi a Portuguesa, disputando rodadas do Paulistão e uma partida da Copa do Brasil. Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo permaneceram distantes, e a explicação está no centro do gramado.

O gramado que os grandes rejeitaram

A instalação de um gramado sintético de R$6,5 milhões virou o ponto de ruptura com os grandes clubes da capital. O piso artificial, homologado pela Fifa, resolve a equação comercial da concessionária com certa elegância, pois permite shows e eventos corporativos direto no campo sem danificar a superfície, ampliando a capacidade da arena para até 40 mil pessoas nos dias de espetáculo. O futebol de alto rendimento, por sua vez, não se entende bem com esse tipo de piso.

Neymar, Lucas Moura e Memphis Depay estão entre os atletas que já se manifestaram publicamente contra campos artificiais, citando risco físico e impacto no rendimento. Santos e São Paulo chegaram a assinar cartas de intenção para usar o Pacaembu como sede alternativa, mas recuaram após a escolha pelo sintético. O episódio mais revelador ocorreu no início de 2026, quando o São Paulo precisou de um estádio reserva por conta dos shows do AC/DC no Morumbi. A diretoria tricolor foi até Campinas negociar o uso do Brinco de Ouro com o Guarani; o Pacaembu, a poucos quilômetros do Morumbi, nem entrou na conversa.

Quem acompanha o Paulistão e a Libertadores pelo ângulo das apostas vai notar que o Pacaembu raramente entra na equação dos grandes duelos da capital.

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O bilhão no nome e os cartórios cheios

Atrás da renovação estética do complexo, a Allegra acumula um passivo considerável. Levantamento em cartórios da capital identificou 468 protestos por falta de pagamento, registrados por 94 fornecedores distintos, totalizando mais de R$17,3 milhões em dívidas não quitadas. Entre os credores estão desde pequenas prestadoras de serviço até grandes parceiros da obra; a Enel chegou a protestar um boleto superior a R$100 mil referente à conta de luz do estádio, vencida desde setembro de 2024.

O quadro se agrava com os cerca de R$40 milhões que a concessionária precisou desembolsar apenas em juros de um empréstimo vencido naquele mesmo período, tornando o modelo de gestão de um dos endereços mais reconhecidos do futebol paulistano cada vez mais difícil de justificar.

Setembro pode trazer a Libertadores ao Pacaembu

A temporada pode trazer uma novidade concreta para o complexo no futebol de alto nível. O Mirassol, classificado para a Copa Libertadores 2026, listou o Pacaembu como sede alternativa para eventuais fases eliminatórias, já que o Estádio Municipal Anísio Haddad não atende as exigências mínimas de capacidade da Conmebol para partidas mata-mata. O vice-presidente do clube foi direto ao dizer que prefere jogar em casa, mas o endereço paulistano está credenciado como segunda opção.

Fora do gramado, o prédio multifuncional erguido onde antes ficava o antigo Tobogã avança nas obras. O projeto prevê um hotel de luxo com 87 quartos administrado pelo braço de hotelaria da Universal Music, dois restaurantes e um centro de reabilitação esportiva. Você que acompanha o complexo desde a reabertura verá uma grade de shows ainda mais intensa ao longo de 2026, com a nova estrutura reforçando a vocação de entretenimento urbano que a Allegra escolheu para o estádio. Se o Mirassol avançar até as oitavas na Libertadores, setembro pode trazer ao Pacaembu um tipo de jogo que a arena mal conheceu nos meses de reabertura.

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