As empenas cegas nos prédios de São Paulo são uma constante desde que a cidade começou a erguer seus primeiros edifícios. Um dos motivos, bem no início, era para evitar ventos que pudessem causar doenças pulmonares, devido ao vento frio do sul e sudeste. Depois, até a chegada da década de 1970, porque era permitido construir prédios geminados.
Desde que surgiram, as empenas cegas foram utilizadas para publicidade, trazendo renda para o condomínio. Com a promulgação da Lei Cidade Limpa quem passou a ocupar essas paredes foram os grafites, transformando São Paulo em uma das cidades mais agraciadas com essa arte.
Uma das empenas cegas mais antigas da cidade é a do Edifício Martinelli, na região central de São Paulo. Primeiro arranha-céu paulistano, o prédio desde sua construção foi um amigo da publicidade, como é possível ver nessa imagem abaixo, do período em que ainda encontrava-se em obras.

Depois de sua inauguração, o Martinelli seguiu sendo cobiçado para a publicidade, o que trazia grandes dividendos para o proprietário. Afinal, anunciar no topo do edifício era certeza de que sua marca seria exposta para muita gente e até a uma razoável distância.
Foi assim que Fernet-Branca (bebida), Peixe (marca de produtos alimentícios) e tantas outras estamparam suas marcas tanto na empena cega do prédio quanto em luminosos e tabuletas (essas últimas desapareceram vítimas da primeira lei cidade limpa da cidade).
Quem observasse o pioneiro arranha-céu paulistano desde a praça Ramos de Azevedo no final da década de 1920, por exemplo, teria essa visão do prédio e de sua propaganda:

Corte rápido para o século 21. Veio a Lei Cidade Limpa e a publicidade foi banida da cidade, com uma lei moderna que privilegiou a saúde do cidadão, este podendo se abster de ser bombardeado por propaganda em cartazes, luminosos, outdoors e, claro, nas empenas cegas dos prédios paulistanos.
Tombado como patrimônio histórico o Martinelli já não tinha propaganda há algum tempo. Mas felizmente em todos os restauros feitos ninguém pensou na maluquice que seria remover a moldura que era utilizada para publicidade, onde quem reinou por mais tempo foi a bebida Fernet-Branca. A área foi mantida e está até hoje vazia como na foto abaixo.

Convenhamos que assim como está atualmente não fica bonito. É revelado uma parede que não segue o restauro do restante do edifício, dando uma impressão de falta de cuidado e de zelo, que não faz jus ao Martinelli atualmente, que está bem cuidado e com atividades de eventos e turismo no local.
Então, pensei aqui. Poderia ser iniciado um debate que devolvesse vida a essa empena cega, seja com alguma publicidade que respeitasse as características do tombamento do edifício, ou com uma arte em estilo antigo ou mesmo um grafite, sendo esse com alguma temática relativa à cidade de São Paulo. Observe abaixo a publicidade inserida por IA da Coca-Cola:

A imagem integrou-se totalmente ao Edifício Martinelli, não sendo uma propaganda agressiva e que agrega valor à marca e ao prédio, uma vez que essa empena foi desenvolvida justamente para receber algo. Creio que abre-se um bom debate para a cidade, que poderia lucrar com a exploração da empena sem desviar do tombamento e do caráter histórico da edificação.
E você o que acha dessa ideia? Deixe sua opinião nos comentários e aproveite para ver três outras sugestões abaixo, com Caracu e os saudosos Jânio Quadros e Adhemar de Barros (clique para ampliar).


