Uma boa ideia foi colocada em discussão pela prefeitura de São Paulo que poderá ajudar e muito a estimular o turismo e a recuperação do centro, através de uma “retorno” ao passado: a instalação de um bonde na ponta do Viaduto do Chá, diante de uma das entradas do Shopping Light.

O São Paulo Antiga recebeu essa informação através de um contato na SECOM, ainda no final de setembro, mas antes de divulgar optamos por entender o projeto a fundo para ter certeza de que tratava-se de uma boa ideia. E realmente é!
A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) pretende ainda este mês lançar um edital que prevê a remodelação e recuperação estrutural do Viaduto do Chá e seu entorno, além instalação de um bonde original no mais famoso viaduto paulistano, para que ele funcione como uma central de informações turísticas. O local escolhido é onde existe, há décadas, uma banca de jornais que devera ser removida ou realocada em outro lugar. A estimativa é de início das obras entre fevereiro e março de 2026, com entrega total em 18 meses e custo estimado em R$ 70 milhões.
FALTA APENAS UM DETALHE: O BONDE
De acordo com a gestão municipal o maior entrave até o momento é encontrar um exemplar genuíno e que tenha circulado de fato em São Paulo no passado. Os bondes elétricos trafegaram na capital paulista entre os anos de 1900 e 1968. Com o término da atividade alguns foram doados, outros vendidos (até para os Estados Unidos) e alguns poucos exemplares estão preservados no Museu dos Transportes Públicos, no bairro do Pari.

A alternativa, ao meu ver, poderia ser facilmente resolvida com a utilização de um dos exemplares disponíveis no próprio museu dos transportes. Outra solução poderia ser instalar um dos trólebus antigos, que são igualmente emblemáticos para a cidade, e que estão esquecido no pátio Santa Rita, da São Paulo Transportes, aguardando restauração.
O uso de um dos veículos (bonde ou ônibus elétrico) do próprio acervo municipal poderia servir de estímulo para atrair visitantes para o Museu dos Transportes, que está sendo restaurado e deve reabrir em breve.
IDEIA DE SUCESSO NA EUROPA

Bondes instalados em regiões centrais ou turisticamente importante das cidades, servindo como centrais turísticas, não é uma novidade na Europa e funcionam com sucesso. O exemplo acima é em Sofia, capital da Bulgária, mas existem exemplos em cidades não só do leste europeu, como em Portugal e Áustria.
OPINIÃO: RECUPERAÇÃO DO CENTRO. AGORA VAI?
Quem acompanha o São Paulo Antiga desde o início, lá em 2009, sabe que somos editorialmente críticos a todas as gestões que de lá para cá estiveram na administração da cidade. Com a atual não é diferente.
No entanto reconheço que a gestão de Ricardo Nunes vem tentando, com erros e acertos, fazer do centro de São Paulo um lugar melhor. O problema do prefeito e seus secretários mais próximos, como Fabrício Cobra (secretário de subprefeituras) é esperar que influenciadores da cidade, como nós, sejamos subservientes a eles apontando acertos e omitindo erros.
A praxe do São Paulo Antiga e de seu editor, Douglas Nascimento, é de isenção total. Critica-se o que é entendido como erro e elogia-se o que são acertos. A gestão de Nunes faria muito mais pelo centro, além do que vem fazendo se, ao invés de ouvir bajuladores, ouvisse quem entende da cidade.
E, quando quiserem fazê-lo, estarei aqui à disposição.
Respostas de 6
Sem dúvida é uma boa ideia. Já vi na prática em Santos. Não só é bela decoração, motivo de curiosidade, de preservação histórica, como tem uso prático. Mas demorou, hein…
Douglas, parabéns pelo seu trabalho! De fato, se há alguém que a Prefeitura precisa dialogar é com seu trabalho e da São Paulo Antiga!
Sobre o centro, só três reflexões que queria deixar, por favor.
Algumas obras parecem ter caráter duplo, ajudando num certo controle social, contra população de rua ou manifestações populares. Penso como exemplo o fechamento da praça em frente ao Largo São Francisco, que matou o trecho da São Bento ou a rua Dom José, que tinha um deslumbrante encontro de grupos, que foi interrompido completamente pelas obras.
Segunda coisa é a necessidade urgente de rever os semáforos de pedestres. Nunca foi tão demorado esperar o sinal para pedestre abrir, inclusive em pontos clássicos, como o Theatro, a Ipiranga x São João, a 25.
Por fim, agradecendo o espaço, o mais preocupante: a quantidade obscena de carros transitando pelos calçadões. De toda espécie, a qualquer hora e sem respeitar as pessoas. Quê essa reforma, necessária, nos calçadões não seja seu fim.
Prefeitura deveria trazer o museu do transporte para o centro, tem aquele prédio do correio vazio
Melhor que alguém construa uma réplica. Nada de tirar bondes originais do Museu, pra serem descaracterizados e no futuro – possivelmente – abandonados (lembre-se que vc foi crítico à saída do Fordinho verde do Museu) Uma réplica já estaria excelente.
Acho que a melhor solução é um dos trólebus que estão largados no pátio da Santa Rita
Quanto mais críticos pelo certo, mais colaborativos seremos.