Uma ótima notícia para o patrimônio histórico paulistano e, em especial, para o barro do Brás: O prédio da antiga Tecelagem Ítalo-Brasileira, construído nos primeiros anos do século passado será restaurado. A edificação industrial cuja entrada principal se dá pela rua Manoel Vitorino, mas se estende pelas ruas Joli e Sampson foi construída em 1907 encomendada pelos industriais Rodolfo Crespi e Nicola Carbone, sendo que foi inaugurada no ano de 1911.

Em sua trajetória de quase 120 anos o galpão industrial chegou a empregar inúmeros operários do bairro do Brás, Pari e Mooca, boa parte deles imigrantes italianos, espanhóis e portugueses. A empresa foi posteriormente vendida à família Guinle – que chegou a ser proprietária também da Vila Maria Zélia, por um breve período – até que finalmente foi adquirida pelas Indústrias Matarazzo (IRFM), quando foi palco de reformas e ampliações em meados da década de 1930, em empreitada executada pelo escritório técnico Ramos de Azevedo, Severo & Villares.
Ao todo o complexo industrial da tecelagem compreendia a três edificações. Um outro galpão na mesma rua Joli e o edifício sede da empresa, todos localizados um de frente para o outro. Durante a década de 1980 os imóveis foram vendidos pela Matarazzo, sendo que apenas o edifício sede ainda pertence ao famoso grupo empresarial, que já foi o maior do país. Em 1989 o galpão que será alvo de restauro foi adquirido pela Dataprev.

O trabalho de restauro do galpão da antiga tecelagem será realizado pela Kruchin Arquitetura, que venceu o processo de licitação. O edifício sofreu algumas alterações em meados da década de 1970 quando no local funcionou um supermercado do grupo Matarazzo. O tombamento veio somente no ano de 2018.
De acordo com a Kruchin Arquitetura o processo de restauro levará cerca de dez meses e durante as obras as atividades da Dataprev permanecerão em plena atividade. O galpão tem cerca de 3000 metros quadrados.
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Respostas de 6
Por coincidência. estive aí nessa região no último sábado, 19 de julho.
Eu conhecia a rua Joli só por nome. De acordo com um livro que li, nessa rua, o “fora-da-lei” italiano Gino Amleto Meneguetti tinha sua residência fixa – observem que até os ladrões de antigamente eram mais chiques(ele penetrava e roubava mansões): a polícia sabia aonde eles moravam…
Mas o que eu gostei mesmo de ver, foi um baita casarão de esquina, que, ao que parece, pertencia aos Matarazzo porém não era uma residência, apesar de ter toda a pinta de uma mansão daquelas! Inclusive os adornos, eu reparei que são aranhas. Sim, aranhas gigantes com teia e tudo!
Deve ser o edifício-sede da empresa, mencionado aí no texto.
Bem, ao todo, no conjunto da obra, belas e amplas edificações!
O palacete era a sede desta tecelagem, foi comprada pela IRFM junto com a fábrica. Na próxima semana tem matéria sobre o palacete.
Oba!
Eu iria sugerir isso mesmo, uma vez que fiquei sem palavras quando me deparei com o mesmo!
Inclusive, dei uma espiada por sobre o muro(da rua dá pra ver, mas não muito) e vi umas estátuas grandes nos fundos da casa…o que serão? Mistérios de São Paulo! Que delícia!
Grandiosidades de uma época de prosperidade em São Paulo!
Conheço por dentro o escritório central das IRFM. É uma viagem ao passado. O edifício da Dataprev faz parte de minhas recordações de infância, das compras de sábado no Superbom. Até hoje o perfume do café em grão, torrado e moído na hora, me remete a essas tardes saudosas.
Era o ano de 1971
A superbom supermercados foi fundada no local
Era o escritório central e uma das lojas
A superbom chegou a ter 26 lojas em São Paulo, Paraná e Minas
Em frente tinha o famoso castelinho onde ficava o escritório central do grupo matarazzo.
Na época o prédio onde era o escritório central do grupo na praça do patriarca estava sendo vendido
Na superbom supermercados trabalhei de 1971 a 1977
Era o supervisor de recrutamento e seleção de pessoal.
Tenho muita saudade dessa epoca