Predinho – Rua dos Estudantes

Tenho para mim que a região paulistana do Glicério, no centro de São Paulo, é possivelmente a área mais injustiçada da capital. É um pedaço do bairro da Liberdade que mostra claramente a diferença de tratamento do poder público entre a área turística, mais ligada aos imigrantes orientais, e a área com maior concentração de migrantes nordestinos, imigrantes de países como Haiti e de população pobre e carente.

Apesar disso é uma região rica em construções antigas relevantes e que poderia ser restauradas, atraindo o turista para essa parte mais baixa do centro. Verba existe e falta, talvez, vontade política. Exemplifico com essa bela construção a seguir.

Erguido entre os anos de 1930 e 1940 o pequeno edifício da fotografia acima é uma das mais charmosas construções da baixada do Glicério e está localizada na rua dos Estudantes, esquina com a Viela dos Estudantes.

Com traços que remetem fortemente ao estilo art déco, o predinho originalmente consistia originalmente em um apartamento por andar e, no térreo, um apartamento pequeno nos fundos e um ponto comercial na frente. Aparentemente os andares de cima foram modificados no fundo ou para receber mais unidades ou foram feitos “puxadinhos” para as habitações já existentes.

Pela sua idade, beirando um século de existência, é bem possível que tenha sido um dos primeiros prédios da região da baixada do Glicério, já que até hoje nesse trecho são muitas as residências térreas e sobrados. O “boom” de prédios altos na região veio por volta dos anos 1950, com o surgimento dos vários quitinetes que existem nas redondezas.

Detalhe dos andares superiores (clique para ampliar)

Apesar de não estar com uma cor que valorize sua arquitetura, o prédio está em bom estado de conservação, ao menos em sua fachada, mantendo suas características originais e suas janelas originais de madeira. A única intervenção incômoda na frente do imóvel foram as lajotas de cerâmica instaladas ao redor do ponto comercial, porém é facilmente reversível. O acesso aos apartamentos se dá por uma porta localizada na rua lateral.

Uma jóia desta região, tão carente e desprezada pela prefeitura paulistana, que merece e deve ser preservada. Abaixo mais uma imagem do predinho.

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Respostas de 4

  1. Chama atenção, as gambiarras de fiação!
    O predinho poderia passar por processo de simples restauração, mas o risco eminente de incêndio, elimina qualquer intenção!

  2. Como diz o texto, é provável que o imóvel tenha sofrido alterações/ adaptações (leia-se “puxadinhos”), ou pelos próprios moradores, ou pelo dono do imóvel, este visando colocar mais famílias no espaço e assim obter mais renda. Eu apostaria na segunda hipótese. Mas é uma HPÓTESE, levantada por um observador.
    Esses procedimentos, a meu ver, contribuem para a deterioração do imóvel e para queda de qualidade de vida. Exemplos não faltam na cidade.

  3. Bom, indo aos dados….. Nao e tombado, e a construcao original data a 1934. Quanto a alteracoes, passando pela Travessa dos Estudantes, poucas alteracoes sao notadas. Uma janela de aluminio ou outra. Area construida de 230 metros quadrados em terreno de 130 metros quadrados nao deixa muito para alteracoes dramaticas.

  4. Conheço bem essa região! Nas ruas São Paulo, nioac e rua Joaquim dos santos Andrade existem casarões impressionantes! Todos viraram pensões!

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